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22 de abril de 2008

entrevista para a revista "Florence"


1) Como você começou esse trabalho?

A coleção de louça nacional veio antes do site, que antecedeu por sua vez o livro.

No final de 2004 recebi de meus pais o apartamento no qual moramos por muitos anos, com tudo que tinha dentro, e isso incluia algumas poucas peças de porcelana, sendo que algumas ainda do enxoval de casamento deles. Para completar a decoração deste apartamento, comecei a comprar alguns objetos, móveis, acessórios, e o que talvez tenha sido o "virus" que me infectou pelo "vício" em caulim: meu primeiro prato de louça nacional, um grande prato de bolo em faiança da Cerâmica Matarazzo.

Logo as louças dominaram minha atenção e interesse, mas ainda comprava porcelana e faiança de várias nacionalidades. Como sempre gosto de saber bem com o que estou lidando, comecei a pesquisar as peças de louça que já tinha acumulado até então, e percebi que era bastante fácil encontrar informações sobre as peças importadas, mas praticamente NADA havia sobre a louça nacional. Fiquei muito frustrado com mais essa demonstração de falta de interesse pela nossa história.

Não me conformei com o fato, e decidi que eu iria mudar isso; eu ia sair em campo pesquisando a história de nossa indústria de louça, e tudo o que eu conseguisse colocaria em um site à disposição de todos os que como eu procurassem estas informações.

Depois de três anos de profunda pesquisa, achei que era o momento de editar um livro sobre o assunto, e daí surgiu o Guia de Marc as, que eu espero que seja apenas o primeiro de vários.


2) Quais as dificuldades que vem encontrando?

Felizmente não precisei procurar patrocínio ou apoio para editar o livro, pois decidi que seria melhor e mais rápido editá-lo por minha conta e risco.

Desta forma, as maiores dificuldades que encontrei ao longo desta pesquisa, além da quase inexistência de informações sobre o assunto, foram certos absurdos cometidos por nossas instuições públicas, que gastam dinheiro público para, em teoria, cuidar do acervo cultural (e neste caso, industrial também) do nosso país.

O absurdo é que as bibliotecas que possuem (ou possuiam, como vocês vão ver mais adiante) os acervos bibliográficos para a pesquisa do livro cometeram verdadeiros CRIMES contra o patrimônio público e a cultura nacional. Vejam só:

- A biblioteca do INPI do Rio de Janeiro (o INPI é a instituição responsável pelos registros de marca e de propriedade industrial, e que é a responsável por publicar uma revista (RPI) onde são publicados os registros) NÃO POSSUI em acervo a coleção completa da Revista de Propriedade Industrial. Na ouvidoria do INPI fui informado que "estão fazendo todo o esforço possível para completar este acervo, ou ao menos microfilmar (que coisa MODERNA!!!) os números faltantes, blá blá bláblá". Mas na verdade passado um ano que comecei a pesquisa, SEQUER UM NÚMERO À MAIS da RPI entrou no acervo. E eles tem microfilmado (segundo funcionários) praticamente todos os anos da revista. Mas o equipamento para VER os microfilmes está quebrado por falta de manutenção, e (também segundo funcionários) não será consertado. E o pior NÃO EMPRESTAM DE FORMA ALGUMA os microfilmes para que sejam consultados em outras bibliotecas!!! Em resumo: é um "arquivo morto".

- A Delegacia regional do INPI em SP SE DESFEZ POR COMPLETO do acervo da RPI deles, e me disseram que "estávamos sem espaço, e ninguém consultava isso mesmo...". ISSO PARA MIM É CRIME CONTRA O PATROMÔNIO PÚBLICO!!!!

- E agora, o que para mim é o MAIOR ABSURDO de todos: A Biblioteca Nacional, uma das maiores do mundo, que deveria cuidar e preservar tudo que é publicado neste país, a ÚNICA (até onde eu já consegui verificar) biblioteca do país que tem TODAS as edições do D.O. COMPLETAS, com todas as seções e cadernos complementares, mandou TODO o seu acervo do Diário Oficial para um "anexo", que na verdade é um depósito no cais do porto (leia-se: UMIDADE), quase um purgatório, ou limbo, pois alguns funcionários da biblioteca já me afirmaram que essa história de que é este "anexo" está em reforma, e será "em breve" aberto ao público é mentira, que provavelmente o material que foi para lá (basicamente os periódicos de menor consulta, ou que estão microfilmados) nunca mais voltam. Já me alegaram que "outras bibliotecas" possuem o Diário Oficial, mas na verdade a ÚNICA biblioteca que possui a coleção completa da seção do D.O. que eu preciso (registro de marcas) é a biblioteca nacional.


3) como você consegue identificar cerâmicas não assinadas?

Infelizmente é praticamente impossível identificar uma peça que não possui marca gravada, pois mesmo os modelos e as decorações muitas vezes foram copiados ou usados por mais de uma fábrica.


4) Os acervos são, em maioria, particulares, não? existe algum órgão público que preserva esta memória?

Sim, a maior parte dos acervos são particulares, entretanto há algumas poucas instituições públicas, especialmente no interior de São Paulo, nas cidades que foram outrora importantes centros cerâmicos, que foram fundamentais nesta minha pesquisa, e às quais sou eternamente grato: Centro de Documentação Cel. João Pedro de Godoy Moreira (Pedreira, SP); Fundação Pró-
Memória de São Caetano (São Caetano, SP); Museu Barão de Mauá (Mauá, SP); Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira (Pedreira, SP); Museu Histórico São Caetano (São Caetano, SP).


5) As louças brasileira têm muito de cópia. que produções não copiaram modelos estrangeiros?

É complicado afirmar que houve "cópia", como se não fossemos capazes de criar produtos originais, e estivéssemos condenados à submissão ao que vem de fora. O que acontece é que a indústria de louça ocidental começou na Europa, e que quase a totalidade das primeiras indústrias de louça no Brasil foram criadas por imigrantes europeus (portugueses, italianos e alemães, principalmente), muitos eram ceramistas em seus países de origem, ou foram lá buscar os técnicos quando da implantação das fábricas, uma vez que não havia mão-de-obra qualificada por aqui ainda.

Então não acho que podemos dizer que eles "copiavam" a louça européia, pois eles eram também europeus, e o que eles começaram a fazer aqui foi uma continuação do que aprenderam e já faziam em seus países. Então mais correto do que afirmar que nossa indústria "copiou", seria dizer que ela é descendente da indústria européia, uma continuação daquelas fábricas em nossas terras.

Mesmo assim, houve muita criação original por aqui, por exemplo, uma das primeiras fábricas de louça do Brasil, a Santa Catharina, fazia um tipo de pintura de flores à mão livre, que parecem grandes crisântemos, que não encontra paralelo na louça européia, mas sim na decoração popular brasileira. (se quiserem, posso fornecer fotos).

Na década de 1940 surge a fábrica Weiss, com seus modelos e decorações "delirantes", criados pela artista Inês Weiss, descendente de italianos, mas nascida e criada no Brasil. Na década de 1950 já era comum a criação de modelos e decorações inteiramente elaboradas por aqui, por artistas brasileiros, em muitas fábricas.

Cabe lembrar que desde que surgiram escolas de design em nossa país que o Brasil tem sido reconhecido e ganhador de diversos prêmios internacionais.


6) Qual é a sua formação? você é carioca? Quando se formou? Em que trabalha? Quando foi o casamento de seus pais?

Minha formação é muito eclética; me graduei em biologia marinha, na UFRJ, em seguida fiz uma pós-graduação em informática. Desta, passei para as artes plásticas e design, com cursos em várias instituições. Atualmente estudo música.

Sim, sou carioca, e há mais de 16 anos atuo como artista plástico e designer, principalmente para web, mas com vários trabalhos de artes gráficas também. O meu Guia de Marcas é um dos meus maiores projetos de artes gráficas!

Meus pais se casaram em 1963, e eu nasci em 1965.


7) O que significou sair a campo? Não havia bibliografia... não há registros em bibliotecas... como você conseguiu encontrar referências?

Como disse, havia POUCA bibliografia, e muita informação dispersa, fragmentada, que precisava ser reunida pedacinho por pedacinho, como no trabalho de um arqueólogo.

Sair a campo significa ir quase toda semana às feiras de usados, viajar para outras cidades, mergulhar na internet "raspando" o pouco que se encontra, geralmente de forma indireta (por exemplo, uma página sobre a imigração italiana cita, de passagem, as fábricas dos mais diversos produtos que imigrantes abriram; uma matéria sobre uma pessoa cita, de passagem, que num certo período esta trabalhou numa determinada fábrica; uma matéria sobre uma obra em uma certa rua comenta que ali, no passado, havia uma fábrica de louças; quase nunca o assunto central são as louças).

As "escavações" e recuperação foram em feiras, sites de leilão, coleções particulares, centros de documentação, e a própria web. Fiz várias entrevisas com fontes primárias, conversei com os poucos pesquisadores desta área que tive a sorte de conhecer. Os "sítios" onde encontrei mais informações qualificadas foram aqueles Museus e Centros de Documentação que citei no email anterior. Mas mesmo nestes as informações estão pouco trabalhadas, há apenas alguns registros de datação de algumas das (poucas) peças em seus acervos.

Para um dos assuntos centrais deste Guia, a datação de peças à partir das marcas de fabricantes gravadas nas peças, eu tive que reunir e organizar as informações que ia conseguindo sobre cada peça individual, e aos poucos consegui identificar para muitas marcas os períodos aproximados em que foram usadas. Para algumas marcas foi mais fácil, como a Porcelana Mauá, Schmidt, Real, pois estas produziram muitas peças comemorativas, que sempre trazem em si a data do evento comemorado, desta forma, datando com precisão as peças. Outras já foi um trabalho mais lento.

A fonte de pesquisa mais densa sobre datação, porém, foram os mais de sete meses comendo ácaro e poeira em algumas bibliotecas, consultando a Revista de Propriedade Intelectual, onde eram publicados os registros de marcas, modelos e decorações. A pesquisa nos catálogos telefônicos do Rio de Janeiro foi muito importante para localizar e recuperar os períodos de atividade das fábricas cariocas.


8) Os museus, que tal são? Existem pesquisadores nele ou você praticamente inaugurou esse campo?

Dos museus que conheci, os que mais me auxiliaram foram os das cidades do interior de SP, cidades que no passado foram grandes centros de produção de louças: Mauá, São Caetano e Pedreira. Ainda não tive a chance de conhecer os museus do Paraná, outro estado-chave na história desta indústria. Como todo museu brasileiro, estes museus lutam contra a falta de verbas, de funcionários qualificados, instalações adequadas. Mas mesmo assim, fazem um trabalho maravilhoso de conservação e acumulação de objetos, documentos, fotos.


9) Existem colecionadores de cerâmicas e porcelanas brasileiras?

Não entendi a pergunta. Se vc quer saber se há pessoas que colecionam louça brasileira de forma geral, ou seja, colecionam louça importada E brasileira, há provavelmente centenas de pessoas.

Se a pergunta era se existem colecionadores de louça nacional EXCLUSIVAMENTE, que colecionam APENAS louça brasileira, aí há bem menos. Aí sei de mim mesmo, um em Salvador, e um em Campinas. Mas claro que não tenho a pretensão de conhecer todos os colecionadores do país! Conheço também vários colecionadores que não colecionam apenas louça brasileira, mas que tem esta produção como principal tema de suas coleções, e muitos destes me afirmaram que passaram a gostar mais da louça brasileira, a perceber seu valor e qualidade, depois que conheceram o meu site, e a mim. Mas uma coisa que posso contar é que mais de um vendedor de antiguidades e/ou objetos usados já me garantiu que depois do trabalho do meu site, a venda de louça nacional aumentou muito.


10) Quando falo de cópia, gostei muito da sua ponderação, mas é que visitando seu site, achei uma molheira, essa sim, copiada do Henry van de Velde. Quando pensamos no trabalho do Eliseu Visconti, apesar de todo seu aprendizado com Eugène Grasset, ele firmou padrões próprios, introduzindo, inclusive, as flores de maracujá.

Certamente houve também alguma cópia em nossa indústria, mas se pensarmos que a indústria de louças européia quando surgiu, por muito tempo copiava a louça oriental, pois esta era a que o mercado consumidor queria. O mesmo ainda acontece por aqui, e era muito mais intenso em décadas anteriores. O brasileiro tem ainda esse "ranso" de colonizado, de achar que apenas o que vem de fora, ou que imita o que vem de fora, é que tem valor. Talvez seja interessante, para ilustrar a mentalidade de muitos que atuam neste segmento no Brasil, a leitura do meu artigo "Made in Brazil ?", que foi publicado na revista Retrô:

http://www.porcelanabrasil.com.br/p-20.htm

Mas o que acho importante é não pensar que houve apenas cópia, e para muitos casos, defendo a idéia de que esta indústria é descendente direta da indústria européia, e não apenas um simples caso de cópia, como coloquei no email anterior.

Infelizmente o Visconti, que tem projetos e algumas peças de cerâmica utilitária incrivelmente belas, nunca se dedicou a projetar para a indústria de forma intensiva, Até porque na época esta indústria estava apenas nascendo por aqui. Entretanto, ele chegou a criar peças para a fabrica de Cerâmica e Vidro Américo Ludolf, do Rio de Janeiro (vasos e cerâmicas decorados com elementos da flora brasileira, assim como cenas com figuras femininas de inspiração art nouveau).


11) Qual o tamanho da sua coleção? Ela é aberta à visitação?

Minha coleção já passa de 1.500 peças, e não é aberta a visitação, a não ser dos meus amigos, pois ela fica em meu apartamento.


12) como você avalia nossa atual indústria cerâmica (de louças)?

Não acho que tenho dados para fazer tal análise de forma precisa, uma vez que estudo e pesquiso a história, não lidando com os fatos mais recentes, nem mesmo da última década. Mas uma coisa é certa: desde a década de 1990 ela vem sofrendo a concorrência desleal da louça chinesa vagabunda, que inclusive já se comprovou ser tóxica em muitos casos, importada às toneladas.


13) Quando você fala das escolas de design e de seus prêmios a que está-se referindo exatamente?

Não estou falando especificamente de louça, mas de forma geral: móveis, luminárias, selos, embalagens, jóias, utilitários, objetos diversos, etc.


14) Que empresa ou empresas ou que designers você vê realizando trabalho sério nessa área?

Mais uma vez, não acompanho a produção atual desta indústria, mas recentemente vi uma fábrica que antes se dedicava à louça cerâmica mais popular e barata, mudar de identidade visual e linha de produção, para atingir um novo patamar de mercado; a Cerâmica Oxford. Estão produzindo peças com design simples e elegante, com decorações exuberantes e de grande apelo "brasileiro". A decoração é projeto de Marcelo Rosembaum:

http://www.oxford.ind.br/rosenbaum/pt/

O interessante é que esta coleção foi lançada aproximadamente um anos depois que publiquei um outro artigo na revista Retrô, sobre decoração Chintz, onde no final lamentava que ainda não havia sido aproveitada para a decoração de nossas louças a rica tradição do "Chitão" em nossa cultura, que já começava a ser explorada por designer estrangeiros.

http://www.porcelanabrasil.com.br/p-21.htm


15) Qual é a peça mais antiga de sua coleção?

uma malga da Fábrica Santa Catharina, da década de 1910.

18 de abril de 2008

Importação de louças chinesas preocupa


fonte: http://www.globalresearch.com.br/novo/conteudo.asp?conteudo=14511

A forte importação de louças de porcelana, principalmente da China, está unindo os fabricantes nacionais. Donos de empresas, diretores e sindicatos patronais começaram uma verdadeira batalha no fim do ano passado contra produtos que representam concorrência desleal. Após realizarem testes de qualidade, entregaram denúncia à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre alto teor de chumbo em parte das louças importadas da Ásia pelo Brasil. Agora, eles estão se mobilizando para que a fiscalização seja rigorosa e para que os produtos importados passem obrigatoriamente a apresentar laudos de laboratórios credenciados internacionalmente na entrada dos produtos no país.

"Estão entrando no Brasil pratos tortos e com alto teor de chumbo", reclama o presidente do Sindilouça-PR, José Canisso, que vem coordenando a movimentação nacionalmente. Ele não nega que a denúncia junto ao governo é uma forma de proteger o setor, mas diz que isso não significa que as fabricantes brasileiras de louças cerâmicas temam a concorrência. "Queremos que venha uma concorrência com igualdade de preço e qualidade", afirma.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram um avanço forte das louças de porcelana importadas. As importações só de conjuntos de jantar, café e chá de porcelana, por exemplo, saíram de US$ 2,7 milhões no primeiro trimestre de 2007 para US$ 4,1 milhões no primeiro trimestre deste ano. Outros artigos para serviços de mesa e cozinha de porcelana saltaram de US$ 1,5 milhão para US$ 3,6 milhões no primeiro trimestre de 2008. A maior parte das importações é da China, que só no primeiro trimestre deste ano mandou ao Brasil US$ 3,9 milhões em aparelhos de jantar, chá e café.

A denúncia sobre alto teor de chumbo foi enviada oficialmente em dezembro para a Anvisa, após testes feitos em um laboratório de Santos (SGS) e também no Lactec, no Paraná, a pedido do próprio Sindilouça-PR. Entre fevereiro e março, os empresários avançaram mais na batalha, alertando o Inmetro, e também com cartas a redes de varejo que comercializam produtos tanto nacionais quanto importados, para que evitem a venda de de porcelanas fora do padrão adequado. "Comunicamos dois mil varejistas porque não queremos que eles sejam punidos, e sim fiquem cientes da denúncia", justifica Canisso.

O recado aos varejistas também faz sentido porque, segundo as próprias empresas, a maior parte das importações é feita pelo varejo. No alerta, o sindicato patronal afirma que "a falta da apresentação de laudos técnicos, certificados por laboratórios com credibilidade internacional, implicará em multas e grandes dificuldades comerciais. A fiscalização será rígida, não permitindo que produtos contendo chumbo entrem indiscriminadamente no mercado brasileiro, provocando grave contaminação por chumbo, metal altamente tóxico e nocivo à saúde do ser humano". A Anvisa foi procurada e informou que solicitou os laudos dos testes feitos, mas que ainda não teve acesso a eles.

Além do aperto na fiscalização, as empresas começam a trabalhar em outro front: na reavaliação das normas existentes. As regras hoje em vigor referem-se à portaria n. 27, de 1996, que estabelece o teor de chumbo e cádmio, em 0,8 miligramas/dm2 (densidade por metro quadrado) e 0,07 miligramas/dm2 de cádmio, respectivamente, para objetos cuja profundidade interna entre o ponto mais baixo e o ponto mais horizontal que passe pela borda superior seja inferior ou igual a 25 mm. Houve casos de louças que nos testes feitos nos dois laboratórios ultrapassaram o valor de chumbo (não ultrapassaram o limite do cádmio), e outros casos apareceriam, segundo as fabricantes, se o país adotasse as regras americanas, como os empresários querem. As normas americanas usam a medida PPM (porções por milhão), que no fim das contas, acabaria estabelecendo a metade do valor que é permitido para o chumbo no Brasil.

As empresas nacionais, segundo o presidente do sindicato, estão em geral em uma posição confortável quanto às regras: hoje cumprem os critérios internacionais principalmente porque boa parte delas exporta para mercados rigorosos.

Célio Silva, presidente da Oxford, por meio do sindicato patronal, o setor está brigando para colocar normas que as indústrias brasileiras exportadoras, como é o caso da Oxford, são obrigadas a cumprir. "Nos Estados Unidos, se você não cumpre, os produtos não são liberados nos portos e são quebrados", destaca.

Para o presidente da Germer, Antônio Girardi, a importação chinesa "está atingindo, embora não esteja matando as empresas brasileiras", que em boa parte vêm de processos de reestruturação, em alguns casos, iniciados ainda nos anos 90, como ocorreu com a própria Germer. Para ele, o sindicato patronal partiu para cima com a denúncia e está no caminho certo. "Já que o governo não sobe alíquotas, temos que denunciar o que vemos", diz ele citando que os produtos asiáticos chegam ao varejo com preços até 60% mais baixos do que os nacionais.

Um dos sócios da Vista Alegre, Claudionor de Oliveira, também concorda com a tentativa de barrar as louças chinesas de má qualidade, embora acredite que hoje a Vista Alegre não seja atingida de forma significativa por conta do seu posicionamento nas classes de renda mais alta.

13 de abril de 2008

O Enigma - Cerâmica Mauá


Ontem mais uma vez foi dia de feira da Praça XV, e desta vez consegui algumas peças interessantes, por preços realmente baixos.

A primeira compra foi uma canequinha para café da Ceramus, muito simpática; apenas R$5!



Comprei também esta sopeira grande, da M.B.L., com uma estanhola interessante (a tinta foi aplicada com pincel em tal quantidade, que até fez relevo), por R$ 15. A coitada parece que foi bastante usada!



Comprei também um prato de bolo e um vaso bojudo da Real, cada um por R$10, mas estes não tem nada de especial que mereça destaque.

Por falar em destaque, a peça mais curiosa que comprei, mais uma vez por apenas R$ 10, foi um pote baixo da Cerâmica Mauá, sem sombra de dúvidas, mas não tem a marca!




Tem apenas a numeração de modelo (186), que bate certinho com a lista de modelos desta fábrica, sendo que a tipografia usada no número do modelo é a mesma do tempo da marca do Sol. Vejam dois exemplos:



De duas uma: ou esqueceram de colocar a marca (acho possível, mas pouco provável, pois já devo ter visto mais de 300 ou 400 peças desta fábrica, e TODAS tem marca, mesmo em jogos todas levam a marca) ou esta peça é anterior à marca do Sol. Isso se antes de criarem a marca do Sol (1926) eles não usassem uma marca padrão, o que tb é estranho...

Acho que jamais saberemos!

10 de abril de 2008

Arqueólogos encontram peças do século XVII na sede do TSE no Rio


Durante os trabalhos de escavação e restauração do edifício da antiga sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Rio de Janeiro, arqueólogos encontraram fragmentos de cerâmica e de utensílios domésticos do século XVII.

As peças descobertas dão detalhes da história do Brasil monárquico e complementam as informações já existentes do dia-a-dia da sociedade carioca da época. O acervo será exposto a partir desta quinta-feira, às 20h30m, com a inauguração do Centro Cultural da Justiça Eleitoral (CCJE), que funciona no Centro.

A equipe de arqueólogos descobriu, no subsolo do edifício centenário, louças com brasão da Família Real; cerâmica neo-brasileira (confeccionada por escravos africanos) e fragmentos de cerâmica colônia e faiança portuguesa (cerâmica de barro esmaltado ou vidrado na superfície). Todo o material recolhido, após a higienização, classificação e catalogação, será encaminhado à reserva técnica do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB).

Parte das peças foi separada para a exposição que será aberta no dia da inauguração do Centro.

http://www.cbarqueol.org.br/inside.php?area=vernoticias&id=155

7 de abril de 2008

Em clima caseiro, Museu expõe louças e porcelanas



O Museu Histórico Municipal ficará com jeitinho caseiro nos próximos meses. Desde 27 de março está em cartaz no local a exposição Louças da Casa, que reúne porcelanas, faianças, cerâmicas e louças produzidas pelas principais indústrias cerâmicas que funcionaram em São Caetano do Sul até metade do século 20 e constituíram a principal atividade econômica da cidade até o período.


Em meio a 150 peças, como pratos, tigelas, sopeiras, jarros, bules, xícaras, artigos para decoração, e outros objetos, uma instalação que traz uma mesa pronta para um chá da tarde dá o toque de aconchego à mostra. Com destaque para peças da Fábrica de Louças Adelinas e da Louças Cláudia (pertencente às Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo), há produções das indústrias: Cerâmica Toyoda, Porcelana São Paulo (Teixeira), Cerâmica Ita Brasil, Cerâmica Artística Da Costa, Cerâmica Marinotti e outras.


Começando por um conjunto de jarra e bacia em louça, com data de 1926, a mostra avança nas décadas e expõe peças produzidas até os anos 60. Um dos objetos mais interessantes é um jarro para vinho com um compartimento que servia para a colocação de pedras de gelo, que mantinham a bebida fria e não se misturavam a ela. Vale a pena, ainda, prestar atenção à delicadeza e à técnica das peças pintadas à mão.Se quiser entrar mesmo no clima caseiro o visitante pode tomar um café fresquinho, servido em um conjunto de porcelana produzido na cidade na década de 1970.


O supervisor do Museu, Clovis Esteves, explica o nome da exposição: "Escolhemos este nome pois estamos expondo peças feitas em casa, ou seja, produzidas em São Caetano, e que eram utilizadas em casa, no ambiente doméstico".


A exposição Louças da Casa fica em cartaz no Museu Histórico (Rua Maximiliano Lorenzini, 122 - Bairro da Fundação) até 30 de maio, com visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Mais informações pelo telefone 4229-1988. A entrada é gratuita.

4 de abril de 2008

Vista Alegre e Raul da Bernarda vivem dias difíceis

fonte: http://www.oesteonline.pt/noticias/noticia.asp?nid=18725
04-04-2008


Os trabalhadores da Vista Alegre – Atlantis, em Alcobaça, terminaram hoje, dia 4 de Abril, duas semanas de greve parcial contra o bloqueio à contratação colectiva por parte da associação patronal do sector vidreiro.

Numa acção de contestação que o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira garante ter envolvido 99 por cento dos trabalhadores da área de produção, na primeira semana os trabalhadores pararam durante uma hora em cada período de trabalho, por turnos, uma paralisação que aumentou para duas horas por período na semana que hoje termina.

No rol de queixas dos trabalhadores está também a ausência de actualizações salariais há quatro anos, pelo que reivindicam um aumento de 60 euros.

À semelhança do sector vidreiro, também a indústria cerâmica de Alcobaça conheceu já melhores dias. Fundada em 1875, e considerada uma das mais importantes empresas do concelho de Alcobaça, a Raul da Bernarda está neste momento a finalizar um plano de reestruturação interna que permita a sua continuidade. Para fazer face ao enfraquecimento do dólar e à dificuldade que a empresa tem tido em encontrar novos mercados, os despedimentos parecem ser inevitáveis, embora não se saiba para já quantos dos actuais 145 trabalhadores serão dispensados.

Em declarações ao semanário Região de Cister, o administrador João Pinto Marques garantiu que apesar dos tempos difíceis vividos actualemente, a empresa “tem planos para o futuro. Sabemos onde queremos ir e apenas aguardamos resposta dos parceiros para mantermos o plano”, acrescentou ainda.

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