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28 de julho de 2008

compras em Petrópolis 26/07/2008

Petrópolis: Cidade Imperial.

Era de se esperar que os antiquários fossem super ultra chiques. Bom, eu já sabia disso, pois já havia ido há uns 3 anos a uma feira de antiquários na cidade, ambientada no belíssimo Palácio Rio Negro.

Mas o que eu ainda não conhecia, e ADOREI conhecer foi o esquema de bazares super populares que há na cidade, vários por sinal. Estive em 4 deles.

Os bazares acontecem em lojas abandonadas pelo comércio formal, e são ocupadas por diversos vendedores, cada qual com sua banca improvisada em uma parte da loja, todos visivelmente pessoas de classes de baixa renda, que têm esta atividade como sustento.

E o público que freqüenta os bazares é também de pessoas de baixa renda, interessados principalmente em roupas (principal artigo nestes bazares). Ao menos era assim que estava no sábado passado.


O primeiro bazar que fui não é deste esquema, mas sim um bazar beneficiente de igreja, cuidado por umas senhoras. Lá encontrei essa tigelona Adelinas, com marca de 1933/1936:



meio sem graça, por não ter decoração, mas por R$ 3... comprei! Eu não tinha ainda uma tigela Adelinas mesmo (bela desculpa, não?)

Também comprei alguns pires, sendo 2 de chá e 2 de café da M.B.L. com esta decoração de estanhola muito simples, mas bem bonita:



Pena não ter as xícaras para se saber como seriam... Acredito que fossem do modelo mais simples, como este aqui (o tamanho e modelagem do pires conferem):



Os 2 pires de café possuem uma "dentada" na borda. Uma pena. Mas ficam como registro documental, e como um dia ainda vou fazer um estudo sobre decorações, é um documento importante, para se verificar as adaptações feitas de um tamanho de peça para outro.

Não sei o que acontece que há muito mais pires sem xícaras do que xícaras sem pires... Por que se perdem mais xícaras do que pires? Escorregam das mãos mais facilmente?


No primeiro bazar popular em que estive encontrei estas duas peças Porto Ferreira, com marca da década de 1930, que embora fossem de um jogo (como demonstra a decoração), não são de um mesmo modelo!






Em outro bazar, encontrei esta xícara de chá Zappi, muito bonita!




O grande "fiasco" da viagem ficou por conta da "feirinha" de "antiguidades" de Petrópolis. Consta que começa as 9h; por volta de 9h30 havia apenas QUATRO barracas; esperei até 10h30, e tudo o que havia eram 9 barracas de usados e 1 de bugingangas feitas de pedras de cristal coloridas, aquela coisa para turista sem nenhum padrão estético. Esta barraca deveria estar na OUTRA feira da cidade, que é de artesanato.

Mesmo as 9 barracas de "antiguidades" eram uma depressão! Uns poucos itens espalhados na bancada da barraca; uma coisa triste! Havia mais espaço vazio nas bancadas do que espaço ocupado por artigos.

Esta feira, há 3 anos já era pequena, mas tinha no mínimo umas 15 barracas, e havia alguma coisa para se ver. Agora até mesmo os vendedores (todos) tem uma cara de "o-que-eu-ainda-estou-fazendo-insistindo-nesta-feira".

25 de julho de 2008

compras em Teresópolis - RJ - 23/07/2008

Esta semana estive à trabalho em Teresópolis, e aproveitei para visitar alguns antiquários e brechós, mas infelizmente não encontrei muita coisa do meu interesse.

De toda forma, faço questão de registrar a COMPLETA diferença de humor, personalidade e educação dos antiquários e donos de brechós naquela cidade! Enquanto aqui e em SP geralmente trombamos com pessoas mal-humoradas, amargas, esnobes, arrogantes, até mesmo grossas e estúpidas, lá em Teresópolis só fui recebido por pessoas extremamente educadas, simpáticas, gentis, amistosas mesmo. E isso desde o antiquário mais fino, até o brechosão-tranqueira! Fiquei impressionado!

A peça de maior destaque que encontrei, quase por acaso, foi essa pá-de-bolo da Cerâmica Mauá. Minha primeira pá-de-bolo, e ainda por cima amarela! Eu ainda não tinha nada da Cerâmica Mauá com a típica decoração deles em amarelo. Fiquei muito feliz! E ainda por cima não foi cara; R$ 10.




Encontrei mais uma travessa trigal, desta vez pequena e da Santo Eugênio:






Uma malga pequenina também da Santo Eugênio, para tomar cafezinho:




Uma malga média, um tanto maior do que uma tigela individual, da Santa Cruz:



E um prato simples e bonito, com filetes azuis como eu gosto, mais uma vez da Santo Eugênio:


13 de julho de 2008

As argilas e Massas Cerâmicas


autora: Maria Alice Porto Rossi
www.portorossi.art.br/as_argilas.htm
visitado em 16/09/2006


AS ARGILAS

A argila é um material proveniente da decomposição, durante milhões de anos, das rochas feldspáticas, muito abundantes na crosta terrestre.

As argilas se classificam em duas categorias: Argilas Primárias e Argilas Secundárias ou Sedimentares. As primeiras são formadas no mesmo local da rocha mãe e têm sido pouco atacadas pelos agentes atmosféricos. Possuem partículas mais grossas e coloração mais clara, são pouco plásticas, porém de grande pureza e possuem alto nível de fusão. O caulim é uma das argilas deste tipo.

Argilas secundárias ou sedimentares são as que têm sido transportadas para mais longe da rocha mãe pela água, pelo vento e incluindo ainda o desgelo. A água especialmente tritura a argila em partículas de diferentes tamanhos, fazendo com que as mais pesadas se depositem primeiro, as outras vão de depositando de acordo com seu peso pelo decorrer do caminho, sendo que as mais leves se depositam onde a água pára. As secundárias são mais finas e plásticas que as primárias, podendo, no entanto conter impurezas ao se misturarem com outras matérias orgânicas.
O mineral básico das argilas é a caolinita. A argila é um silicato de alumínio hidratado, composto por alumínio (óxido de alumínio), sílica ( óxido de silício ) e água. Uma partícula de argila é formada por uma molécula de alumínio - que contém dois átomos de alumínio e três de oxigênio, duas moléculas de sílica - que contém um átomo de silício e dois de oxigênio, e duas moléculas de água - com dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.

Argilas e caulins são rochas. A composição química mais comum é : 2SiO , AL O , 2H O , silicato aluminoso hidratado. São espalhados pela superfície da terra chegando a basicamente 75% das rochas sedimentares do planeta. Há uma grande variedade de materiais possíveis de classificação neste grupo, quase todos possuem composição semelhante, mas há pequenas variações.

As argilas derivam em geral de rochas base do tipo cristalina e eruptiva como os feldspatos, granitos e basaltos que em um processo longo e lento de decomposição por efeito de agentes geológicos como vento, chuvas, temperaturas frias e quentes e a erosão pelas partículas de areia que carregadas pelo vento causam a fragmentação da rocha maciça em grãos de vários tamanhos.

Argilas e caulins são materiais plásticos pois têm a propriedade de quando misturados com água em devidas proporções, apresentarem a possibilidade de serem amassados e trabalhados mantendo a forma que se quer. Quando secos ainda crus basta adicionar água para que voltem ao estado de plasticidade.

TIPOS DE ARGILA

- Argila natural: É uma argila que foi extraída e limpa, e que pode ser utilizada em seu estado natural, sem a necessidade de adicionar outras substâncias.

- Argila refratária: Argila que adquire este nome em função de sua qualidade de resistência ao calor. Suas características físicas variam, umas são muito plásticas finas, outras não. Apresentam geralmente alguma proporção de ferro e se encontram associadas com os depósitos de carvão. São utilizadas nas massas cerâmicas dando maior plasticidade e resistência em altas temperaturas, bastante utilizadas na produção de placas refratárias que atuam como isolantes e revestimentos para fornos.

- Caulim ou argila da china: Argila primária, utilizada na fabricação de massas para porcelanas. É de coloração branca e funde a 1800°C - pouco plástica, deve ser moldada em moldes ou formas pois com a mão é impossível.

- Argilas de bola (Ball-Clay): São argilas secundárias muito plásticas, de cor azulada ou negra, apresenta alto grau de contração tanto na secagem quanto na queima. Sua grande plasticidade impede que seja trabalhada sozinha, fica pegajosa com a água. É adicionada em massas cerâmicas para proporcionar maior plasticidade e tenacidade à massa. Vitrifica aos 1300°C.

- Argilas para grês: Argila de grão fino, plástica, sedimentária e refratária - que suporta altas temperaturas. Vitrificam entre 1250 - 1300°C. Nelas o feldspato atua como material fundente. Após a queima sua coloração é variável, vai do vermelho escuro ao rosado e até mesmo acinzentado do claro ao escuro.

- Argilas vermelhas: São plásticas com alto teor de ferro resistem a temperaturas de até 1100°C porém fundem em uma temperatura maior e podem ser utilizadas com vidrados para grês. Sua coloração é avermelhada escuro quando úmida chegando quase ao marrom, quando biscoitada a coloração se intensifica para o escuro de acordo com seu limite de temperatura de queima.

- Bentonite: Argila vulcânica muito plástica, contém mais sílica do que alumínio, se origina das cinzas vulcânicas. Apresenta uma aparência e tato gorduroso, pode aumentar entre 10 e 15 vezes seu volume ao entrar em contato com a água. Adicionada a argilas para aumentar sua plasticidade. Funde por volta de 1200°C.

- Argilas expandida: A argila expandida é produzida em grandes fornos rotativos, utilizando argilas especiais que se expandem a altas temperaturas (1100oC), transformando-as em um produto leve, de elevada resistência mecânica, ao fogo e aos principais ambientes ácidos e alcalinos, como os outros materiais cerâmicos. Suas principais características são: leveza, resistência, inércia química, estabilidade dimensional, incombustibilidade, além de excelentes propriedades de isolamento térmico e acústico. Desde o início das pesquisas, a argila expandida apresentou excelentes qualidades, equivalentes aos melhores agregados citados na literatura internacional, sendo aplicada em obras de vulto e projeção como na pavimentação da ponte Rio - Niterói, na reconstrução do elevado Paulo de Frontin, dentre outras.

MASSAS CERÂMICAS

Além das argilas existem outros materiais cerâmicos que misturados às argilas produzem as chamadas massas ou pastas cerâmicas. Alguns são adicionados como anti-plásticos e outros como fundentes. Os anti-plásticos reduzem o encolhimento das argilas quando secam, enquanto os fundentes abaixam a temperatura de vitrificação destas. Às massas cerâmicas podemos adicionar Bentonite, Caulim, Carbonato de Cálcio, Quartzo, Dolomita, Feldspato, Talco e Chamote.

Os objetos cerâmicos podem ser produzidos através da mistura de duas ou mais argilas que misturadas irão adquirir uma característica própria e formarão o que chamamos de massa cerâmica. Porém, desde que sejam compatíveis entre si, as argilas ou massas cerâmicas podem ser utilizadas juntas para a execução de um corpo cerâmico. Há misturas com argilas de tons diferentes o que possibilita um efeito muito interessante. Mas para serem misturadas na modelagem, as argilas ou massas precisam ser testadas quanto ao índice de retração, ou seja, a porcentagem do encolhimento em função da saída da água. Entendem-se como compatíveis as que encolhem em proporção semelhante não apresentando, portanto rachaduras durante a secagem e a queima.

As massas cerâmicas podem ser classificadas de maneira geral em dois grupos, no primeiro as porosas (não vitrificadas), e as vitrificadas. São compostas por diferentes argilas e outros materiais cerâmicos.

PORCELANAS - Produzidas com argilas brancas, com 30 a 65% de caulim; 20% a 40% de feldspato e com 15 a 25% de quartzo. Há variações quando se fala de porcelanas especiais como as produzidas pela Manufatura Nacional de Sèvres, na França.

PORCELANA DE OSSOS - (Bone China) Pasta dura e translúcida, branca e fina, composta basicamente de ossos calcinados (fosfato de cálcio), que atua como fundente. Na sua composição entram aproximadamente uns 50% de ossos calcinados, uns 25% de feldspato e outros 25% de caulim. A temperatura para queima está entre 1200 e 1250°C

LOUÇA - Granito, Pó de pedra, Maiólica ou Faiança, são denominações especiais que caracterizam determinadas produções. A massa da louça é menos rica em caulim do que a porcelana e é associada a argilas mais plásticas. São massas porosas de coloração branca ou marfim e precisam de posterior vitrificação.

GRÉS - Massa que queima alto como a porcelana e também de grande dureza. Em sua composição não entram argilas tão brancas ou puras como na porcelana o que apresenta possibilidades de coloração avermelhada, branca, cinza, preto, etc. Depois de queimadas são impermeáveis, vitrificadas e opacas. A temperatura de queima vai de 1150°C a 1300°C.

TERRACOTA ou ARGILA VERMELHA - Popularmente conhecida como barro. De grande plasticidade e em sua composição entram uma ou mais variedades de argilas. Produzidas sem tanta preocupação com seu estado de pureza, quando queimadas no máximo até 1100°C adquirem colorações que vão do creme aos tons avermelhados, o que mostra o maior ou menor grau da porcentagem de óxido de ferro. Formadas por argilas ferruginosas.

MASSAS REFRATÁRIAS - Possuem um ponto de fusão muito alto, além de 1600°C. Podem suportar vários choques térmicos e em sua composição não deve haver ferro. São massas argilosas misturadas com chamote de argilas petrificadas, que foram trituradas e queimadas.

MASSAS ESPECIAIS:

PAPER-CLAY - Argila com polpa de papel, quando queimada fica muito leve e delicada. Dependendo da formulação essa massa pode ser produzida como um tipo de papier-maché. Surge como uma possibilidade para escultores.

PASTA EGÍPCIA - Pode ser considerada como a mais antiga forma de vidrado, pois se sabe de sua utilização desde 5000 anos A.C. É uma pasta de preparo especial e seu aspecto vítreo se deve aos sais solúveis de sódio, em forma de um pó cristalino e seco que fica na superfície durante o lento processo de secagem. Não deve ser tocada em fase de secagem pois há que se evitar que o vidrado se solte. A pasta egípcia é pouco plástica, podendo até ser adicionado à ela a bentonita para melhorar a plasticidade. A queima fica em torno de 950°C. As peças durante a queima devem ser colocadas em suportes cobertos com alumínio, evitando assim que se colem nos suportes ou placas.

Como cuidar, manter e exibir sua porcelana


Como Cuidar

• A porcelana, embora seja um material muito resistente à abrasão, é extremamente frágil no tocante a impactos. Portanto, cuidado ao apoiá-la sobre mesas e pratelerias. Pouse o objeto delicadamente.

• Embora a porcelana de mesa esteja preparada para resistir a choques térmicos, é recomendável evitar que isso aconteça com suas peças de coleção.

• Use um pincel seco de cerdas longas e macias para remover o excesso de poeira, especialmente de dentro de detalhes em relevo ou partes internas de alças, asas, etc.

• Utilize apenas um pano úmido que não solte fiapos ao limpar sua porcelana de mesa, para não danificar a decoração e nem a vitrificação. Não use esponjas, palha de aço, nem escovas. Deixe a porcelana secar naturalmente, não enxugue, pois além do atrito do pano seco ser prejudicial, pode deixar fiapos.

• JAMAIS use lava-louças para limpar seus itens de coleção de porcelana.

• Remova as partes móveis de sua peça (como a tampa), e reserve-as. Segure sua peça com firmeza (mas sem fazer força demais, pois as partes mais frágeis podem se quebrar), mas evite segurar pelas alças ou qualquer outra parte mais fina e frágil.

• Ao limpar bibelôs de porcelana, cubra a mesa de trabalho com uma toalha limpa e que não solte pelos. Cuidadosamente remova a poeira da superfície com um pincel de cerdas macias seco. Tenha muito cuidado com as partes mais frágeis. Peças mais sujas podem ser lavadas com pincel macio embebido em água a temperatura ambiente. Deixe secar naturalmente ao ar.

• Peças de biscuit não devem ser molhadas nem umidecidas — use apenas um pincel de cerdas macias seco. O BISCUIT NÃO É IMPERMEÁVEL!!

• NUNCA use produtos abrasivos, removedores de gordura, água sanitária, limpa-vidros, etc.

• Se uma peça se quebrar, não tente restaurá-la você mesmo. Procure um restaurador profissional. As colas comerciais não são adequadas, e com o tempo ficam amareladas. Além disso, elas são de difícil remoção, o que acabará danificando ainda mais sua peça.

• Não utilize objetos de porcelana restaurada para servir comida. O material usado na restauração pode ser tóxico.

Exibindo

• Armários fechados com porta de vidro, como cristaleiras, são sempre a melhor alternativa, pois além de permitir a visualização de suas peças, protegem contra poeira e acidentes. Tenha certeza que seu armário está bem nivelado e firme.

• Deixe um pouco de espaço entre cada peça, para evitar que ao manuseá-las, haja atrito. Verifique se a porta do armário não está batendo em nenhuma peça.

• Se você REALMENTE quer pendurar seus pratos na parede, procure usar garras ou "aranhas" reforçadas e encapadas por plástico ou borracha. Garras de arame exposto irão arranhar, lascar e manchar irrecuperavelmente suas peças! Verifique se as garras não estão nem apertadas demais, nem frouxas.

"Made in Brazil?" - 2 anos depois...

Há quase 2 anos eu escrevi um artigo chamado "Made in Brazil?", que foi publicado pela extinta revista Retrô, que versava sobre a mania brasileira de repatriar artigos de louça fabricados por aqui, para valoriza-los, seguindo esse ranso colonial de que apenas o que vem do exterior tem qualidade e valor.

Quem quiser ver o artigo original, há uma versão online em meu site: http://www.porcelanabrasil.com.br/p-20.htm

Pois bem, 2 anos se passaram, e a coisa praticamente não mudou! A lista de marcas brasileiras vendidas erroneamente como importadas, muitas delas trazendo explicitamente a origem, só fez crescer.

Vejam abaixo os erros mais comuns de “troca de nacionalidade” de marcas genuinamente brasileiras:

Zappi – Portugal, Inglaterra e Itália

Adelinas - Portugal

Ars Bohemia - Boêmia (Polônia e República Checa)

Monte Alegre – Portugal

Luiz Salvador – Portugal

Vieira de Castro – Portugal

Porcelana Mauá (peças decoradas com motivos orientais por empresa decoradora) – Japão

Weiss – Alemanha

Santo Eugênio – Inglaterra

Nadir – Inglaterra, Holanda

Saler – Inglaterra, França e Portugal

Pátria (DP e PA) – Alemanha

Cerâmica Matarazzo (marca padrão) – Inglaterra e Alemanha

* A Cerâmica Matarazzo teve, além de suas marcas tradicionais, ao menos seis marcas fantasia, que parecem ter sido usadas para linhas diferenciadas de decoração:

Dresden (Cerâmica Matarazzo) – Alemanha;
Mod. Kanton (Cerâmica Matarazzo) – Inglaterra;
Mod. Oxford (Cerâmica Matarazzo) – Inglaterra;
Mod. Cambridge (Cerâmica Matarazzo) – Inglaterra;
London – (Cerâmica Matarazzo) Inglaterra

Cerâmica Tasca – Itália, Portugal

Schmidt – Inglaterra

Cerãmica Mauá – Inglaterra (jogo de toalete)

Rosicler – Portugal

Germer – Portugal

Oxford – Inglaterra

Fico me perguntando se algum dia abandonaremos esta vergonha local, como se tudo que é brasileiro não tivesse qualquer valor, que apenas o "gringo" é digno de reconhecimento e apreciação.

A coisa é tão séria, que como conto no artigo, até mesmo peças visivelmente marcadas como de produção brasileira precisam receber uma "capa" estrangeira, para poder ter valor, como no caso de uma loja de antiguidades de São Paulo, onde uma senhora, que atua no ramo há muito tempo, alegou que a Porcelana Real enviava suas peças por navio para serem vitrificadas na Alemanha!!

E ela falou isso em relação a um jogo da década de 1960 (que para ela era dos anos 1940, já havia aí um engano)!!

A história completa foi: “as peças de porcelana da Real passavam apenas pela primeira queima (biscuit) na fábrica, eram decoradas com os decalques, e seguiam de navio para a Alemanha, para sofrer glasura (vitrificação) e douração”, pois “o Brasil não possuía forno de alta temperatura adequado para a produção de porcelana fina até depois da Segunda Guerra Mundial”.

Acontece que o Brasil possui fornos para queima e vitrificação de porcelana em escala industrial pelo menos desde a década de 1920, e em menor escala já na década de 1900.

O que mais me irrita é quando mesmo depois de avisada que uma determinada peça não é estrangeira, mas sim brasileira, a pessoa nada faz a respeito, e continua a vendê-la como importada.

Aí já saiu do terreno da desinformação ou distração, para o da pura má fé. E infelizmente, a desinformação é ainda maior entre os compradores, que se deixam enganar facilmente.

Vejam o caso recente de um antiquário "sofisticado" de Copacabana, que vende um jogo da Cerâmica Matarazzo como sendo inglês, e que mesmo depois de provado que esta louça é brasileira, nada fez a respeitos, e ainda afirmou "Mas eu não vendo isso como porcelana brasileira!"

a ignorância é a mãe dos "bons negócios"?

ignorância - mãe dos "bons negócios"? - parte 2

Em resumo: quem compra é que tem que ter a informação e não se deixar enganar.

12 de julho de 2008

praça XV - 12/07/2008

Hoje encontrei na feira da praça XV algumas peças bastante simpáticas, e ao mesmo tempo bem interessantes em termos de pesquisa.

A primeira peça é uma travessa grande da Nadir, muito bonita (para os que gostam de decorações toscas de estanhola, e peças simples:



Achei muito importante encontrar uma peça Nadir com uma decoração tão simples e bem parecida com peças das antigas cerâmicas, como as da cidade de Mauá, por exemplo. Isso pois este tipo de decoração não é o mais corriqueiro em peças desta fábrica, que sempre usou muito decalque, ou peças com grandes áreas de cor sólida.

Além disso, a marca dela é bem mais "alta" do que as que mais se encontram por aí; o losango é bem aberto, e as letras são mais verticais, altas, o que a faz ser a mais próxima da marca registrada no INPI, que é um losango equilátero.

Esta "variação" da marca eu já vi algumas poucas vezes, sendo que a última foi um jarrão de vinho, idêntico a um jarrão da Santa Rita que eu possuo. Como sabemos, a Santa Rita foi uma das primeiras fábricas de louça de pó-de-pedra do Brasil, e foi absorvida pela Nadir em 1943, que revendia seus artigos.

Reparem como a marca mais comum da Nadir, abaixo, é mais horizontal, há menos espaço entre as letras e a moldura do losango, o desenho do "D" é mais aberto, mais arredondado (na marca acima parece com um arco de arco-e-flexa):



Isso me faz acreditar cada dia mais que esta "variação" da marca, mais alta, mais aberta, com letras mais altas e mais grossas, seja a primeira marca usada pela Nadir ao inaugurar sua fábrica em 1948.

Junto com esta travessa eu comprei esta outra da Cerâmica Matarazzo, fábrica de São Caetano:



Em outra pessoa comprei este prato de sobremesa da Adelinas, com a marca de 1933:



Gostaria de saber de onde foi "inspirada" esta estanhola de peras, pois eu possuo uma peça da Cerâmica Mauá com um desenho parecido, o que sugere haver um "acestral" comum para esta decoração.

Há tempos que já conheço esta decoração da Adelinas, e já gostava muito, mas ainda não havia encontrado um exemplar para mim. Menos uma "pendência" em minha coleção! ;-)

Já na saída da feira, encontrei esta última peça, uma legumeira da Santo Eugênio:



Voltei para casa ainda mais satisfeito do que já estava, pois ainda não havia conseguido comprar uma peça Santo Eugênio deste modelo, que tem este baixo relevo com incisões formando um canelado apenas na faixa colorida próxima da borda da peça.

Acredito que esta peça se localize pelo início dos anos 1950, pois este decalque foi MUITO usado por várias fábricas por esta época (houve até mesmo uma fábrica de bibelôs aqui no Rio, a marca "L", que começou a produzir em 1952, que talvez tenha usado este decalque mais do que qualquer outro em suas peças).

5 de julho de 2008

Feira do Lavradio - 05/07/2008

Hoje a Feira do Lavradio estava muito fraca, como tem sido sempre; a cada edição a invasão do artesanato ruim, sem criatividade toma conta de uma feira que um dia já foi principalmente de antiguidades e colecionismo.

Mesmo assim, comprei com um vendedor que quase sempre eu encontro alguma coisa interessante esta travessa média Zappi, com aspecto de novinha em folha, com uma estanholas super complexa e bonita, e ao mesmo tempo muito bem executada:





A rua do Lavradio é cheia de lojas de usados, especialmente móveis, e numa delas, exposta na rua, sobre uma cômoda, com um monte de penas coloridas enfiadas, encontrei essa jarra de gomil Santa Catharina:





Tive que negociar MUITO para comprá-la por um preço razoável, pois uma coisa que estas lojas do Lavradio são é MUITO CAREIRAS! E olha que a peça estava imunda, quase preta de tanta sujeira, era de uma loja que é um mafuá (um ferro-velho é mais arrumado), e mesmo assim os preços...

Achei curioso o segundo carimbo abaixo do carimbo da fábrica, onde está escrito "COMMERCIAL":



Fico aqui me perguntando o que isso significa... Seria uma peça de mostruário?

3 de julho de 2008

Cerâmica Rio Branco

Hoje chegou pelo correio a pequena travessa da Cerâmica Rio Branco que comprei no Mercado Livre, e estou muito feliz de finalmente ter em minha coleção um representante desta fábrica de Campo Largo:







É uma peça bem pequena, 19,8 C x 14 L x 3,5 H cm.

Achei muito legal ela ter na aba moldada, além do relevo das espigas de trigo, os ramos de lúpulo.

Um detalhe engraçado é ela não ter o relevo em curvas na parece da caldeira, típico do padrão trigal, mas apenas uns traços em baixo relevo, simulando aquele relevo padrão. Comparem com a foto abaixo para ver esta diferença:

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