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26 de abril de 2011

teacup tuesday - Fábrica de Louças Santo Eugênio

Por causa de vários contratempos e compromissos, me encontro muito sem tempo para pensar um post elaborado para o evento "Teacup Tuesday", organizado pelas blogueiras Terri e Martha.

Mas não gostaria de ficar de fora esta semana, então como eu queria mostrar a xícara de chá abaixo, que gosto muito, há um tempo, decidi fazer um post com peças de jogo de chá da Fábrica de Louças Santo Eugênio.

O que eu mais gosto na louça fabricada pela Santo Eugênio é o seu caráter popular, com decorações quase sempre muito simples e singelas, muitas vezes pintadas à mão livre ou com uso de estanhola (estêncil ou molde vazado).



Eugenio Bonadio, ceramista italiano, nasceu na cidade de Gorgo al Monticano, na Província de Treviso, em 3 de abril de 1872. Casou-se com Anna Santorio em 1892, com quem teve oito filhos (Maria, Angela Aurora, Corado, Illa Theodolinda, Ines Maria Antonieta, Armida, Sergia e Mario Coriolano).

Eugenio veio para o Brasil em 1910, sem a família, para trabalhar na cidade de Pedreira, no estado de São Paulo, na primeira indústria de louças daquela cidade, de Angelo e Antonio Rizzi.

No fim daquele ano sua esposa e seus filhos vieram também para o Brasil. Anos mais tarde, Eugenio Bonadio resolveu abrir sua própria indústria, e começou a busca de um lugar ideal para a construção de sua fábrica.





A fábrica, que foi a primeira indústria da cidade de São José dos Campos, que começou a ser construída em 1920, empregava maquinário de origem paulista, para fabricação de artigos de mesa e azulejos. A fábrica produzia louça de faiança, do tipo “pó de pedra”. Seus produtos, como quase a totalidade das primeiras fábricas de louça brasileiras, eram destinados à faixa de mercado mais popular, uma vez que a classe média e classe alta consumiam apenas louça importada principalmente da Inglaterra, França e Alemanha.





Eugenio Bonadio faleceu em Jundiaí, em 01/06/1921, meses antes da abertura da fábrica, sendo então substituído no comando por sua esposa Anna Santorio Bonadio, e seu filho Conrado Bonadio. Logo após a sua morte, foi dado o nome Eugenio Bonadio à rua que passava em frente a Fábrica Santo Eugenio, prestando-se assim uma homenagem ao fundador da fábrica.



Depois de apenas seis meses em operação, a Santo Eugenio já apresentava uma produção bastante acentuada para a época, de cerca de 100 mil peças/mês. Seus produtos tiveram grande aceitação nos mercados do Rio de Janeiro e São Paulo.

22 de abril de 2011

vaso bibelô Vieira de Castro



pequeno vaso em forma de ovo
Porcelana Vieira de Castro
Rio de Janeiro - RJ
14,5cm (altura) x 7cm (diâmetro)
porcelana
decoração com decalques e detalhes à mão livre em ouro
déc. 1950

fotos cortesia P.A. Seco Antiguidades
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-181206975-vieira-de-castro-maravilhoso-vaso-em-forma-de-ovo-com-pes-_JM







18 de abril de 2011

teacup tuesday - mix-A-lot

Este post participa do do evento "Teacup Tuesday", organizado pelas blogueiras Terri e Martha.


xícara da chá Porcelana Mogy das Cruzes
Mogi das Cruzes - SP

travessa pequena Cerâmica Matarazzo - Louças Cláudia
São Caetano do Sul - SP

prato de sobremesa Fábrica de Louças Santo Eugenio
São José dos Campos - SP

cremeira Fábrica de Louças Zappi - São Paulo - SP
pires de xícara de chá Oxford - São Bento do Sul - SC

sopeira Fábrica de Louças Santo Eugenio
São José dos Campos - SP

bandeja de bolo Cerâmica Matarazzo - Louças Cláudia
São Caetano do Sul - SP

bule de chá Porcelana Real - Mauá - SP
fruteira Porcelanarte - Campo Largo - PR

Devido ao grande sucesso do bule de chá na foto acima, achei que seria interessante mostrar o jogo completo,
de onde o bule ele veio. É um jogo muito bonito, que eu gosto muito.
Fábrica "Porcelana Real", década de 1940, Mauá, São Paulo, SP.

15 de abril de 2011

Sopeira - Porcelanas Pátria





sopeira
Porcelanas Pátria (marca "PA 541")
Guarulhos - SP
porcelana
decoração com decalques e detalhes em ouro, sobre porcelana branca Schmidt
déc. 1960

foto cortesia SOLD_ARTS - Mercado Livre

14 de abril de 2011

bandeja para bolo - Cerâmica Matarazzo - Mod. Norfolk



bandeja para bolo
Cerâmica Matarazzo (IRFM), marca fantasia Mod. Norfolk
faiança - louça de pó de pedra
decoração por estanhola e aerógrafo
déc. 1940/1950
coleção site Porcelana Brasil

13 de abril de 2011

bule, cremeira e açucareiro - Saler







bule (sem tampa), cremeira e açucareiro
Ernesto & Hugo Saler Ltda.
Guarulhos - SP
porcelana
decoração com decalques e detalhes em ouro
circa déc. 1960

12 de abril de 2011

teacup tuesday - Cerâmica Iracema

obs.: este post é bilingue para poder participar do evento "Teacup Tuesday", organizado pelas blogueiras Terri e Martha.

Desta vez resolvi seguir um caminho diferente, e apresenta um jogo de chá e bolo de faiança, com decoração geométrica art-déco.
This time I´ve decided to follow a different path: I´ll show you a faiance tea and cake set with a geometric art-déco decoration.



jogo de chá e bolo // tea and cake set
fábrica // manufacture: Cerâmica Iracema - Campo Largo - Paraná - Brasil
faiança // faiance
decoração art-déco geométrica feita com com verniz colorido, aerógrafo e estanhola // geometric art-déco decoration made with masks and airbrush
déc. 1930 // 1930s
coleção // collection site Porcelana Brasil


A Cerâmica Iracema foi uma das pioneiras na fabricação de louça branca de mesa no Brasil, criada na década de 1930, e que aparentemente pelo final da década de 1940 já não funcionava mais. A cerâmica era aparentemente uma manufatura de pequeno porte, ao invés de uma fábrica propriamente dita.
The Cerâmica Iracema pottery was one of the earliests tableware factories in Brazil, created in 1930. Apparently it was no longer working by the end of the 1940s. This pottery was apparently a small manufacture, rather than a proper factory.

O que mais gosto neste jogo é como uma decoração tão simples pode criar um efeito tão rico e encantador, algo típico do período art-déco.
What I like most about this set is how a simple decoration can create such a rich and enchanting effect, a thing that is very typical of the art-déco period.

10 de abril de 2011

Chintz, um padrão que veio da Índia

Chintz Indiano pintado à mão, séc 18.
autor: Fábio Carvalho
data: outubro/2006

Tal qual na moda, há padrões de decoração de louça que vêm e vão. Um dos casos mais interessantes é o padrão Chintz, que já teve várias “ondas” de popularidade pelo mundo.

A palavra inglesa chintz deriva do termo indiano “chint”, que significa um tecido de algodão mais barato, estampado em toda a sua superfície de forma vívida, com um brilho encerado devido ao uso de goma. Geralmente traz desenhos de flores, frutas e pássaros, sendo popular desde o século XVII . Com o tempo, o termo passou a definir todo tipo de tecido exportado da Índia colonial para a Inglaterra que apresentasse padronagem floral complexa. Foi usado não apenas em tecidos, como também em papel de parede.

A padronagem chegou ao Brasil através dos portugueses, que também mantinham negócios com a Índia. Com o tempo o Chintz Indiano foi sendo adaptado ao gosto local, com padrões mais simplificados com flores maiores, de cores contrastantes e intensas.

Estudos para padrão Chintz da Ratauds
- Stoke-On-Trent - Inglaterra (1938)
É o tecido que conhecemos como “Chita” ou “Chitão”, muito popular no interior e nas festas juninas, e que recentemente ganhou as passarelas da “alta moda”, e até mesmo empresta suas estampas para uma cadeira do badalado designer francês Philippe Starck.

O que hoje se considera a primeira indústria brasileira foi exatamente uma estamparia de chitas, a “Fábrica de Chitas”, aberta em 1820. Ela se localizava no Rio de Janeiro, no recém criado bairro do Andaraí Pequeno, no “Largo da Fábrica das Chitas” (atual Praça Saens Peña), e funcionou por apenas 20 anos, mas mesmo assim a região continuou a ser conhecida como “bairro das chitas” por quase um século.

No que diz respeito à louça de mesa, a palavra chintz passou a ser usada pelos ingleses, e depois internacionalmente, para definir peças decoradas com padrões florais intrincados e vistosos, que geralmente recobrem a maior parte da louça.

jogo da marca inglesa Royal Albert,
padrão "Old Country Roses".
Inicialmente, a aplicação de padrões chintz em louça era um processo decorativo feito através de pintura à mão, o que naturalmente era muito complicado, lento e de alto custo.

Quando a companhia inglesa Grimwades (através de sua marca comercial Royal Wades) conseguiu desenvolver no início do século XX um processo industrial que tornou economicamente viável a fabricação em massa de louça com este tipo de decoração, a popularidade dos padrões chintz decolou.

Eles desenvolveram um processo em que os complexos padrões florais eram impressos por litografia em papel ou tecido duplo muito fino, que possuía uma camada removível. A parte impressa era aderida à louça, sendo então retirada a parte removível, exatamente como os decalques atuais. Uma vez queimada a louça nos fornos, permanecia apenas a tinta da impressão, que depois era protegida por uma camada de verniz.

Em meados dos anos 1930, no Reino Unido, era comum se dizer que a decoração chintz era “a expressão máxima do requinte e elegância da mesa Inglesa”. Esta decoração continuou muito popular até o início dos anos 1960, quando começou a ser vista como ultrapassada. Eram os novos tempos, de grandes mudanças no cenário cultural mundial. Nesta época começam também a surgir outros materiais no fabrico de serviço de mesa, o que fez declinar a popularidade da porcelana e faiança em geral, e em particular com a decoração chintz.

Bandeja Royal Winton (Grimwade)
padrão Chintz 'Beeston' - Inglaterra - 1934-50.
Na década de 1990 a louça chintz recuperou sua popularidade, não mais junto ao consumidor de massa, e sim no setor de antigüidades e peças de coleção.

Há no exterior uma extensa bibliografia e muitos websites sobre o assunto, e o interesse pela louça chintz cresceu tanto que até mesmo a marca Royal Wades voltou a fabricar louça chintz, devido principalmente à enorme demanda norte-americana por estas peças.

O irônico é justamente o sucesso atual do padrão chintz nas fábricas inglesas num momento em que a maioria delas enfrenta problemas financeiros, pois foi justamente o padrão chintz que, como agora, salvou várias fábricas do Reino Unido durante a depressão da década de 1930.

A própria Royal Wades recontratou recentemente várias operárias que foram demitidas ao longo dos anos 1960, quando as linhas de produtos chintz começaram a deixar de ser produzidas.


Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá),
data provável déc. 1950/60. Coleção do autor.
E no Brasil...

No Brasil tivemos diversas fábricas que usaram padrões chintz na decoração de suas peças de louça. Os exemplos mais antigos talvez sejam da Fábrica de Louça Paulistana (Mauá – SP), em peças de mesa e decorativas, produzidos provavelmente entre a década de 1950 e 1965. Há também exemplos de louça de mesa da década de 1950 das fábricas Barão do Rio Branco (Rio de Janeiro - RJ) e da Porcelana Schmidt (Pomerode – SC)..

Os exemplares de louça chintz brasileira que podemos encontrar com maior facilidade e em maior quantidade em nosso mercado de antiguidades e colecionismo são os produzidos pelas marcas de decoração Ars Bohemia, Pátria (DP, PA), Porcelanarte/Polovi e Luiz XV.

As peças destas marcas, que utilizavam a louça branca das grandes fábricas em seus produtos, apenas aplicando a decoração, foram produzidas pelas décadas de 1960 e 1970, e possuem motivos muito ricos e vistosos. Também encontramos exemplos de decoração chintz das fábricas maiores e mais tradicionais, como a Porcelana Real (Mauá – SP) e a Porcelana Schmidt (Pomerode - SC), mas não na mesma quantidade e diversidade que as empresas de decoração anteriormente citadas.

Alguns dos padrões chintz “tardios” que encontramos em louça nacional apresentam adaptações ao gosto “psicodélico” da época, também conhecido como "Paisley" (outro padrão importado da Índia).

Licoreiro da Cerâmica São José, decorado
com um chintz psicodélico (Paisley).
Recentemente, para minha surpresa, encontrei um licoreiro da marca Cerâmica São José (Pedreira – SP) com aplicação de um chintz psicodélico. Até então só conhecia os tradicionais bibelôs e vasos com adornos em relevo de flores desta marca.

Mesmo a fábrica carioca Porcelana D. Pedro II, mais conhecida por sua porcelana para restaurantes e hotéis (foi a primeira fábrica brasileira a se dedicar a este tipo de produção, e ao longo de muitos anos foi o principal fornecedor de louça comercial no país) também produziu peças com decoração chintz.

Atualmente a Vista Alegre do Brasil (empresa portuguesa que comprou a Porcelana Renner em 1998 para produzir no Brasil, visando o Mercosul) possui em seu catálogo atual um padrão de decoração chamado “Chintz Azul”, mas que foge um pouco ao conceito do Chintz tradicional, pois a decoração não cobre a maior parte da louça, deixando muita área branca.

Naturalmente esta não é uma lista definitiva, pois quem lida com antiguidades e colecionismo sabe que todo dia uma novidade pode surgir, e deve-se sempre estar aberto a rever conceitos e paradigmas.

Xícara de chá da porcelana D. Pedro II - déc. 1960.
Coleção do autor.
É curioso que o grande “boom” da louça chintz no Brasil deu-se justamente quando no exterior este tipo de decoração já era considerado ultrapassado.

Teria sido porque foi nestas décadas que a produção local de decalques para a decoração de louça se difundiu, não sendo mais obrigatória a importação dos decalques, o que barateou o processo decorativo?

Talvez, mas o estranho é que os desenhos encontrados em nossas louças chintz são basicamente estrangeiros.

Xícara de café, decoração Emano sobre
porcelana Real, déc. 1970. Coleção do autor.

Vários exemplos do chitão brasileiro.

É uma pena que jamais tenha sido criada por aqui uma decoração de louça chintz com desenhos tipicamente brasileiros, como aconteceu na estamparia.

Fica aqui a minha sugestão para que a nossa indústria aproveite a atual valorização do “Chitão” na moda e no design, e crie jogos de porcelana com padrões tipicamente brasileiros.


Este artigo foi originalmente publicado na revista Retrô, de abril/2007 - Ano 3 - Edição nº. 18.



Decoração "Chita", criação de Marcelo Rosenbaum
Atualização de 10 de abril de 2011

Curiosamente, por volta de 1 ano após a publicação deste meu artigo na revista Retrô, foi lançada pela loja Tok Stok uma coleção de louça com decorações criadas pelo renomado designer brasileiro Marcelo Rosenbaum, e fabricada pela Oxford, chamada "Linha Brasil", que dentre as várias decorações, possuia uma chamada "Chita", que é justamente baseada no Chitão brasileiro.

Se você quiser conhecer as outras decorações criadas por Marcelo Rosenbaum para a Tok & Stok/Oxford (são todas muito bonitas e criativas), acesse este link.


Abaixo você pode conhecer mais exemplos de louça Chintz fabricada no Brasil:

Prato de sobremesa, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

Xícara de café, decoração Emano sobre porcelana Real, déc. 1970.

Decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960/70.

Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

Jarro (1 litro) e xícara de chá, Porcelana Rio Branco, déc. 1950.
Jogo para bolo, Porcelana real, dec. 1960.

decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960.

Trio de lanche, decoração PA sobre porcelana Real déc. 1960.

Xícara de café, decoração Ars Bohemia sobre porcelana Steatita, déc. 1960.

Decoração Porcelanarte em porcelana Steatita - chintz psicodélico - final déc. 1960.

Xícara de café, porcelana Schmidt produzida entre 1946 e 1958.

Trio de lanche, decoração Emano sobre porcelana Real, déc. 1970.

Porta jóias, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

Petisqueira, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

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