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26 de dezembro de 2011

Prédio da Pozzani passa por desmonte para obras viárias

por: Jornal de Jundiaí - RAQUEL LOBODA BIONDI
12/11/2011
fonte: http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=1&int_id=163666

Um dos prédios da antiga fábrica de porcelana da Pozzani está em processo de desmonte. As obras foram iniciadas há cerca de 10 dias e já trazem outro cenário ao local - um guindaste de 60 metros retira diariamente parte das telhas do edifício e, em seguida, deverá separar paredes da estrutura pré-moldada.

Com previsão para que seja totalmente desmontado em 40 dias, o prédio da Pozzani dará espaço para a ligação entre a região Central e a Ponte São João por meio de um novo viaduto na Avenida Antônio Frederico Ozanam, sobre o Rio Jundiaí.

O acesso para a ponte que já apresenta algumas fundações instaladas nas margens do Rio Jundiaí acontecerá por dentro de onde, hoje, ainda se encontra o prédio.

19 de dezembro de 2011

jarra de vinho - Nadir Figueiredo S/A



jarra de vinho
Nadir Figueiredo S/A
Pedreira - São Paulo
louça de pó de pedra
20,5 (h) x 20 (c)
decoração com decalques e filetes em ouro
déc. 1950
coleção site Porcelana Brasil

Não sou fã de jarras de vinho e cerveja, mas esta não pude deixar de comprar, pois eu a havia visto pela primeira vez na feira da praça XV há uns 3ou 4 meses, e no sábado passado ela estava custando metade do que se pedia antes.

Além disso, eu gosto muito do motivo decorativo usado nesta talha, e tenho diversas peças, tanto da Nadir como de diversas outras marcas, com o mesmo decalque. Pelas minhas pesquisas, é provavelmente o segundo decalque mais usado na história da indústria de louças no Brasil.



Como mencionei em um post mais antigo, sobre uma talha Nadir Figueiredo com a mesma decoração, é quase certo que este decalque fosse (re)produzido pela Fábrica Fontana, de Curitiba, a primeira a produzir decalques para cerâmica no Brasil, lá em meados dos anos 1930.

Eu escrevi (re)produzido pois embora eu tenha depoimentos de que ao menos em uma fábrica brasileira este decalque fosse fornecido pela Fábrica Fontana, há diversas peças inglesas, alemães e portuguesas, e até mesmo norte-americanas com o mesmo motivo decorativo, igual em cada mínimo detalhe.

Há também a hipótese, totalmente criada pelos devaneios de minha mente, de que a Fábrica Fontana, além de imprimir decalques, talvez também revendesse decalques importados. Me parece meio sem sentido uma gráfica de decalques importar e revender decalques de outras nacionalidades, mas seria uma explicação para existir peças européias com este mesmíssimo decalque. E não há registros de que a Fábrica Fontana teria exportado seus decalques.

16 de dezembro de 2011

peças modernistas - Cerâmica Itaipava

por: Denise Tati

Há muitos anos um engenheiro brasileiro que morava na Inglaterra voltou ao Brasil para trabalhar na City, firma inglesa que era responsável pelas águas e esgotos da Cidade Maravilhosa naquela época . A história acabaria por aqui, quando mal começava, se o coração desse jovem engenheiro não tivesse dado sinais de cansaço e se ele não tivesse se mudado, a conselho médico, do Rio para a fazenda São José do Ribeirão e Magé, que pertencia à família da sua esposa e que ficava na ainda pouco conhecida região de Itaipava.

Enquanto isso, passeando pelo mesmo Rio de Janeiro de outros tempos, um ceramista francês, em visita ao museu de São Cristóvão, se encantou com as peças marajoaras e, tomado de entusiasmo pelas formas harmoniosas dos vasos, pelo ritmo das ornamentações e pela composição das cores, resolveu se estabelecer no Brasil para se dedicar mais profundamente à pesquisa dessa arte.


Como o destino, quando está de bom humor, sabe dar o seu jeitinho, esses dois cidadãos se encontraram e, juntos, deram início, no ano de 1926 à Cerâmica Itaipava. Eram eles, Alberto Augusto da Costa, paraense de nascença e, por gosto e força da raça, também apaixonado pela arte originária da Ilha de Marajó, e Henry Gonot, discípulo e colaborador do famoso ceramista Lachenal.

Mesmo modesta nas suas primeiras instalações - eram apenas dois fornos que serviam a olaria que já funcionava na fazenda a Cerâmica Itaipava logo se tornou conhecida.

Em uma matéria publicada em 1930 pela extinta revista O Cruzeiro, a Cerâmica ganha duas paginas, cheias de fotos, e é descrita como uma interessante e ousada empreitada no mundo das artes - A fábrica de S. José não produz apenas vasos e pratos no estilo de marajó, mas grande variedade de cerâmica de arte: fontes, bustos, painéis de azulejos, estatuetas. Em todos nota-se bom gosto, orientado no sentido da brasilidade, inspirando-se no que é caracteristicamente brasileiro: flora, fauna e humanidade.

Além das peças criadas por Gonot, a Cerâmica Itaipava teve a contribuição de outros artistas que, convidados por Alberto Costa a passar temporadas na fazenda, enriqueciam o trabalho de criação diversificando assim os produtos e reforçando a proposta de se fazer uma cerâmica artística. Entre os muitos que colaboraram estavam o russo, Albert Shilde, e o alemão Marx Grossman.

Novas técnicas também foram sendo testadas e algumas tornaram-se marca registrada de Gonot como, por exemplo, o coule, uma mistura de várias cores de verniz, derretido e escorrido. Outra grande novidade foi o aproveitamento do craquele, que é um defeito causado por uma diferença de contração entre o barro e o verniz, como motivo artístico. As rachaduras que apareciam no verniz eram preenchidas por uma massa preta, criando assim um efeito diferente, dando à peça uma aparência envelhecida.

O sucesso da pioneira Cerâmica Itaipava trouxe fama à região. Com o passar dos anos foram chegando outros ceramistas, como os portugues Luis Salvador, que aqui se instalou em 1952 trazendo na bagagem a arte da cerâmica de Alcobaça, sua cidade natal. A mão de obra especializada também foi crescendo e vários desses artesãos abriram suas próprias cerâmicas fazendo com que Itaipava, durante muitos anos, fosse uma referência importante dessa arte.

detalhe de uma foto do final de década de 1930.


foto cortesia coleção Lourival Franco

foto cortesia coleção Lourival Franco

foto cortesia coleção Lourival Franco

foto cortesia coleção Lourival Franco

foto cortesia coleção Lourival Franco

Leo Battistelli expõe em Niterói objetos marcados pela chuva

fonte: http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/o-flu-revista/criacoes-do-barro
por Maria Laura Machado 27/11/2011

Nas mãos do artista plástico e designer Leo Battistelli, o que viraria lixo se transformou na exposição “Memória de Água”, que pode ser vista no MAC até o dia 4 de dezembro.

Quando as águas devastadoras das chuvas de janeiro baixaram, a fábrica de cerâmicas Luiz Salvador, em Itaipava, Região Serrana, tinha em suas paredes e produtos a marca da tragédia. A lama cobriu peças inteiras, registrou a fúria com que a natureza pedia para reocupar seu lugar. O que viraria lixo, nas mãos do artista plástico e designer Leo Battistelli se transformou na exposição “Memória de Água”, que pode ser vista no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) até o dia 4 de dezembro.

As cerâmicas tingidas pelo barro vermelho ganharam o mesmo tratamento que as peças ditas “perfeitas” ganhariam. O que é defeito aos olhos da maioria, para Battistelli é o retrato mais fiel da natureza. Usufruir dos recursos naturais com responsabilidade é o mandamento que rege a vida e o trabalho do artista.

“No momento em que se joga algo fora, que algo passa a ser inútil, deixa de ser nobre. É um conceito muito absurdo. Para mim, continua sendo tão nobre quanto a cerâmica antes de ser jogada fora. É o que vivencio pessoalmente e tento que minha obra não contamine e não destrua. O material que uso na fábrica já é reciclado, utilizo a parte que a fábrica não usa dos fornos, preencho os buraquinhos com minhas peças para aproveitar ao máximo a queima. Eu sei que é um modo que pede mais tempo, mais dedicação, dá muito mais trabalho”, afirma.

A exposição faz parte do evento “Niterói Encontro com a América do Sul”. Battistelli nasceu em Rosário, na Argentina, a 300 quilômetros da capital Buenos Aires, e foi convidado pelos organizadores de sua cidade natal para integrar o grupo de artistas participantes do evento.

A lama produziu desenhos únicos. Muitas peças foram completamente encobertas, outras registraram a altura exata da inundação. “Memória de Água” começou a tomar forma em meados de fevereiro, quando a fábrica de cerâmicas pôde iniciar os trabalhos de limpeza e recuperação. O que seria levado para o descarte foi sendo separado pelo artista, que pretendia expor as peças o mais rápido possível. Expor em Niterói não poderia ser mais oportuno.

“A cidade também tem uma história terrível ligada às chuvas. Pensei que seria um bom lugar, fechar o ano mostrando a obra, aproveitar que essa lembrança ainda está viva”, conta.

A cerâmica, para Leo Battistelli, é tão natural e essencial como qualquer outra parte de seu corpo. Nessa busca por fazer de sua obra uma extensão do mundo, o argentino se aprofunda em diversos aspectos da cultura brasileira, desde a origem tupi das palavras às manifestações religiosas.

Atualmente, busca nos elementos de candomblé as inspirações. Nossas raízes indígenas também despertam a curiosidade do artista que, a partir de 1º de dezembro, fará um open house de arte e design em seu apartamento em Ipanema. No evento “Oca” (que significa casa em tupi), os  visitantes poderão comprar suas obras

15 de dezembro de 2011

peças modernistas - Porcelana Real

Fritz Schmidt, fundador em 1937 da Porcellana Mauá, após desentendimentos com os demais sócios, em 28/05/1942 deixou aquela fábrica. Em seguida fez um estágio de 3 meses como técnico na Cerâmica Matarazzo, de junho a agosto de 1942, em São Caetano do Sul, SP. Depois da Cerâmica Matarazzo, trabalhou na Fábrica Céramus de 01/09/1942 a 12/1943, em São Paulo, capital.

Finalmente, em 22/09/1943 Fritz Schmidt se uniu a um grupo de empresários, e de volta à cidade de Mauá, fundou a Porcelana Real Ltda. No ano seguinte a Real produziu seu primeiro serviço de mesa, pelo qual recebeu uma medalha de ouro na Exposição Industrial do Parque Antártica.


Em 1948 a Porcelana Schmidt, de Pomerode, que havia sido aberta em 1945 pela família de Fritz, assumiu o controle acionário da Porcelana Real, ficando ambas sob a mesma direção, mudando-se a razão social para Porcelana Real S/A.


Em 1972 a Schmidt fez a fusão do grupo, e a razão social Porcelana Real S/A deixou de existir, mantendo-se porém o nome comercial REAL até 1994.

Com a abertura da economia em 1990, junto com as crises mexicana, asiática, argentina, energética e cambial brasileira, e a situação política no Brasil, a Schmidt não teve mais condições de manter três fábricas autônomas. Para reverter a situação, em 1994 o grupo voltou-se para a especialização. A marca Real é extinta de vez, e a fábrica de Mauá é destinada à decoração da porcelana, abrigando também a produção de decalques, todo o estoque e distribuição de mercadoria, além do escritório central.

Como já foi dito nos posts anteriores sobre louça modernista no Brasil, a produção de peças com este caráter foi muito inferior do que a produção de peças tradicionais. E no caso particular da Porcelana Real, podemos perceber que esta produção era quase inteiramente de peças decorativas, com poucas excessões no terreno das peças utilitárias. Até mesmo o modelo de jogo de café que vemos abaixo, um pouco mais moderno do que os outros usados pela fábrica, recebeu muito mais decorações tradicionais do que modernas.

E como no caso da Schmidt, eu jamais observei uma só peça destas em feiras de usados, sites de leilão, brechós e bazares. Não se sabe sequer se as peças e decorações apresentadas abaixo realmente chegaram a ser produzidas, uma vez que estas imagens são de páginas de um catálogo de vendedor de 1961 (ano em que foi inaugurada a nova capital federal, Brasília), e como explicado no post de ontem, naquela época o catálogo apresentava todas as ideais da fábrica para aquele ano, mas apenas os jogos que recebessem encomendas é que eram efetivamente produzidos.
















14 de dezembro de 2011

peças modernistas - Porcelana Schmidt

Eu havia dito que com o post anterior eu encerrava o assunto sobre produção modernista nas fábricas de louças brasileiras, mas acabei por me lembrar que eu tinha cópia de um catálogo da Porcelana Schmidt, provavelmente de 1960 ou 1961, no qual constam algumas poucas peças cuja modelagem/decoração podem ser classificadas como modernistas. Estas peças foram todas criadas por Erwin Curt Teichmann, um escultor em madeira, nascido na Alemanha que veio para o Brasil ainda no início do séc. XX, que começou a criar peças e decorações para a Porcelana Schmidt em 1956.

Antes disto, em 1955, Teichmann passou cinco meses na Alemanha e três na Itália, visitando fábricas para se aprimorar no processo de fabricação da porcelana. Na volta ao Brasil, criou vários modelos de utilitários e de peças decorativas para a Schmidt, onde permaneceu até 1971.

Esta produção, como nas demais fábricas, foi muito inferior do que a produção de peças tradicionais. Neste catálogo, as páginas com peças modernistas não chega sequer a 5% do total do catálogo. E até hoje, após mais de 6 anos de pesquisa, eu jamais observei uma só peça destas em feiras de usados, sites de leilão, brechós e bazares. Não se sabe sequer se todas as apresentadas abaixo realmente chegaram a ser produzidas, pois naquela época a prática era montar o catálogo, que era entregue aos vendedores da fábrica, que saiam em busca de encomendas junto aos seus clientes. E com isso, uma boa parte dos catálogos de cada ano sequer era produzida, caso não houvesse encomenda do modelo/decoração proposto nos catálogos.

Amanhã, publicarei imagens do catálogo da fábrica-irmã da Schmidt, a Porcelana Real.

modelo Gracioso, decoração Belinde



jogo de fumar, decoração baralho

Jogo para confeito, modelo Elegância

jogos para refresco

modelo Beduíno

13 de dezembro de 2011

peças modernistas - fábricas diversas

Para terminar a "onda" dos dois posts anteriores, agora apresento alguns exemplos variados de louça brasileira de caráter modernistas. Cabe lembrar que enquanto algumas fábricas investiam pesado neste tipo de modelagem e decoração, como a ADA, em outras este tipo de peça era praticamente uma exceção, ao menos pelo o que se pode observar em nossos dias, pelas peças que sobreviveram e agora podemos encontrar em feiras de usados e velharias, e sites de leilão.

A qualidade e beleza das peças, como era de se esperar, é muito irregular. Em alguns casos, chegam a ser questionáveis. E eu garanto! As mais grotescas e mal feitas eu sequer selecionei. Pois é, tem algumas ainda piores do que o apresentado abaixo.


CERÂMICA ADA

21(h) cm foto: cortesia Giovanni Archanjo
a mesma peça anterior, curiosamente com uma decoração
que mistura elementos tradicionais com modernistas

foto cortesia Fabiano Fernandes


FÁBRICA DE LOUÇAS ADELINAS



acervo Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, SP
acervo Jandira Antonieta da Silva
acervo Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, SP
acervo Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, SP


CERÃMICA BOZZETTI 



CERÂMICA CELITE
A Celite foi uma fábrica de artigos sanitários, mas que produziu também algumas peças utilitárias, principalmente jarras e tigelas.




FÁBRICA DE LOUÇAS CÉRAMUS



CERÂMICA CONRADO BONÁDIO
A Conrado Bonádio, a partir de meados de década de 1950, com a entrada de uma nova diretora artística, Lucia Bonadio Bacchiocchi, e do diretor técnico Carlo Bacchiocchi, muda radicalmente sua produção, anteriormente totalmente tradicional na modelagem e decoração, e passa a produzir apenas peças com modelagem e decoração modernista, que acabaria sendo copiada por outras cerâmicas na mesma cidade (São José dos Campos), e mesmo por cerâmicas de outras cidades.





CERÂMICA FORJAZ




foto cortesia Luiz Sá

foto cortesia Luiz Sá


 CERÂMICA INCA



CERÂMICA IRACEMA

apesar de a modelagem deste conjunto ser totalmente tradicional, este foi incluído
por ser um dos exemplos  mais antigos conhecidos de decoração de influência art decó no Brasil.


CERÂMICA MAGNUSSON



PORCELANA SALER


esta peça, que fazia parte de um serviço de café, é uma exceção
na produção conhecida da Saler, sempre bastante tradicional.


FÁBRICA DE LOUÇAS SANTO EUGÊNIO



foto cortesia Washington Marcondes




PORCELANA SÃO PAULO
A Porcelana São Paulo, que depois passou a se chamar Porcelana Teixeira, é uma fábrica que se consagrou por produzir louça reforçada para bares, hotéis e restaurantes, bem como peças especiais utilitárias e decorativas vendidas brancas, sem decoração. Estas peças eram usadas tanto por empresas e ateliers profissionais, bem como por artistas amadores, os quais faziam suas próprias decorações nas peças brancas, como é o caso abaixo.


modelo modernista, mas que
recebeu decoração tradicional.

modelo modernista, mas que
recebeu decoração tradicional.


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