No dia 01 de julho passado, à convite do Presidente da Oxford, Volney Nercolini Domingues, fiz uma deliciosa visita à fábrica da Oxford, em São Bento do Sul, SC.
site da Oxford - conheça >>
Antes de mais nada, quero agradecer publicamente ao Volney pelo convite, e por ter financiado esta visita, de imensa importância para minha pesquisa. Sem a Oxford ter custeado as passagens e todas as demais despesas para esta viagem, eu jamais poderia ter conhecido a fábrica, tido acesso a um grande volume de documentação e catálogos antigos, e principalmente, ao incrível acervo do museu que a fábrica mantém desde 1983 em suas instalações.
Se não fosse pelo museu da Oxford, por exemplo, eu jamais teria tido acesso às quase 20 peças do acervo da Cerâmica Santa Terezinha, fábrica que antecedeu a Oxford, o que era uma lacuna em minha pesquisa.
peça da Cerâmica Santa Terezinha; conheça mais >>
Quero agradecer também à todos na Oxford que colaboraram para que esta visita acontecesse de forma tão agradável e perfeita em todos os detalhes:
- Lisandra Isabel Deoracki, por ter resolvido todas as questões práticas para a visita;
- Edenilson Zeitamer, motorista e ótimo papo durante os traslados Curitiba >> São Bento do Sul >> Curitiba;
- Dimas Moser, grande conhecedor dos processos cerâmicos, um verdadeiro EXPERT no assunto, há quase 40 anos na Oxford, meu valioso guia no museu e acervo de catálogos e demais material impresso, me ensinou muitas coisas sobre os processos e a história da Oxford, bem como dos processos cerâmicos em geral.
- Cleverson Tschoeke, meu guia no tour pelas unidades 4 e 5 da fábrica.
A visita começou pelo Museu, onde além das preciosas peças da Sta Terezinha, há muitas fotos ampliadas com imagens históricas da Oxford, maquetes mostrando como funcionam os processos de produção, fornos, etc, e dezenas de peças de todos os mais de 50 anos de história da Oxford.

peças dos primeiros anos da Oxford; conheça muitas outras peças antigas desta fábrica, no acervo do museu >>
O Museu atualmente fica em um setor anexo à enorme e bem montada loja da fábrica. Uma verdadeira tentação!!!
Em seguida, a visita continuou com a consulta de uma grande quantidade de catálogos antigos e outros materiais impressos históricos.
Daí, tive o prazer de um tour pelas unidades 4 e 5 da fábrica, onde fiquei de queixo caído com o alto grau de mecanização que a fábrica possui; diversos processos que em muitas fábricas ainda são manuais, na Oxford são totalmente automatizados, desde a moldagem das peças, até a decoração e queima final.
máquina modeladora de canecas; todas as sobras são reaproveitadas.

sistema automático de transporte das peças da produção para o forno contínuo, e daí para o controle de qualidade e decoração.
pratos recém saídos da máquina de prensagem automática à seco - prensagem isostática (é uma coisa incrível! as peças são prensadas a partir de um pó seco especial, com grânulos em forma de minúsculas esferas, produzido pela própria Oxford, que dispensa a fase de secagem! Em coisa de 1 minuto, o que era pó seco já é um prato pronto para seguir para o acabamento!), recebendo a primeira lixagem
terceira e última lixagem das peças, a única manual, para garantir que as peças estão perfeitas.
canecas sendo esmaltadas
máquina de decoração por tampografia, que permite a impressão em superfícies irregulares e curvas, e até mesmo no interior de peças, dispensando o uso de decalques, o que acelera imensamente o processo de decoração. Veja o vídeo abaixo da impressão por tampografia em xícaras
máquina de decoração de xícaras por tampografia. a deecoração é aplicada primeiro por serigrafia, em uma ou várias cores, em uma chapa plana, por uma máquina anterior automática. a placa é então encaminhada para a máquina de tampografia que se vê no vídeo acima, que transfere a decoração com a borracha maleável da placa para a xícara.
funcionários aplicando o verniz final sobre pratos recém saídos da máquina de decoração por tampografia.
controle de qualidade
setor de embalagem
painel com todas as decorações em produção atualmente, para consulta e controle interno da fábrica
Em seguida, conheci o belíssimo show-room da fábrica, onde além da elegante apresentação dos produtos em linha da fábrica, pude ver várias interpretações artísticas das peças da Oxford, como por exemplo, o incrível candelabro na foto mais abaixo!


Por fim, tive o prazer de uma ótima conversa com o presidente Volney, com quem aprendi ainda mais sobre a modernização que a fábrica vem passando nos últimos anos, e na saída, ainda tive a surpresa de ser presenteado com um belíssimo jogo de jantar/café/chá de 42 peças da linha Premium, a mais sofisticada do catálogo da Oxford!
Enfim, um dia absolutamente especial para mim e enriquecedor para minha pesquisa, do qual já estou com muitas saudades, e desejoso de voltar, pois muita coisa não tive tempo de ver/consultar.
12 de julho de 2009
visita à fábrica da Oxford - São Bento do Sul - SC
8 de julho de 2009
bule de café - Oxford

Bule de café, da Oxford, de São Bento do Sul (SC)
Provavelmente dos anos 1960, decorado com decalques da Fábrica Fontana, de Curitiba (PR) e filetes de ouro. A peça também apresenta relevo decorativo na tampa e em torno da abertura superior.
Cortesia: Museu da Oxford.
15 de abril de 2009
linha Brasil para a Oxford
fonte:http://rosenbaumdesign.wordpress.com/2008/08/25/81/
design de Marcelo Rosenbaum para decoração de louça da Oxford (coleção 2007/2008, já esgotada e fora de catálogo)
textos de Jackson Araujo
MARACATU
“Com seu rico manto bordado, o Caboclo-de-Lança é a figura mais emblemática do Maracatu Rural ou de Baque Solto, da Zona da Mata pernambucana. Encanta pela beleza colorida, óculos escuros, flor entre os dentes. Seu transe é alimentado por quinze dias de abstinência sexual e doses de cachaça com pólvora. É o Guerreiro de Ogum e carrega nas costas, sob a vestimenta sagrada, os chocalhos que marcam o ritmo eufórico da dança entre os versos entoados pelo Mestre.”


IEMANJÁ
“Sereia, Princesa do Mar, Janaína, Inaê, Dandalunda, Nossa Senhora das Candeias… É a protetora das viagens e dos amores. O mar é sua eterna morada e para onde leva os amantes. Ela gosta de perfumes, rosas, colares, pentes e tudo o que é elegante e feminino. Sábado é seu dia. Azul e branco, suas cores. Deusa marinha como Afrodite, deu à luz as estrelas, as nuvens e os orixás. De seu ventre nasceram Xangô, Oiá, Ogum, Ossaim, Obaluê e os Ibejis. Ela é mãe. A Mãe D’Água.”


CARROCERIA DE CAMINHÃO
“Com as carrocerias pintadas de motivos que lembram grafismos indígenas, os caminhões cruzam o Brasil transportando, além de cargas pesadas, vidas cheias de sonhos. São as moradias de homens que, cansados de um amor em cada porto, ao contrário dos marinheiros dos romances e folhetins, agora viajam com toda a família a bordo.Transitam pelas BRs sem endereço fixo e transformam os postos de gasolina em hotéis. Seu verdadeiro luxo: poder amar sobre quatro rodas.”


CHITA
“Se a cultura popular tivesse um sudário, seria a chita. Tecido ordinário, de algodão, estampado, colorido, traz impresso o jeito simples de viver do Brasil. Veste as donzelas nas festas juninas, alegra os bonecos de Olinda, dá vida à saia do Bumba-Meu-Boi, adocica a virilidade dos cavaleiros do Divino, decora a toalha de mesa, envolve a almofada da renda de bilro, deixa mais feliz o colchão e a colcha da cama do sertão. Diz que veio das Índias, mas seu RG é bem brasileiro.”


RENDA
“Olê muié rendera, olé muié rendá, tu me ensina a fazê renda, que eu te ensino a namorá…” Os versos que já embalaram tantos amores traduzem a poesia das mãos que fazem a renda Renascença. Tudo começa com o risco dos arabescos. Depois, a trama de linha, como galhos e espinhos da caatinga, une tudo em pontos chamados de abacaxi, besouro, flor,caramujo, arroz, pipoca, balaio, amor… E assim são tecidos os romances sob o ouro da luz da lamparina.”

Louças ganham personalidade com assinatura de designers, estilistas e arquitetos
04/08/2008 - 13h42
por CHRIS CAMPOS
Colaboração para o UOL
fonte: http://estilo.uol.com.br/ultnot/2008/08/04/ult3617u5927.jhtm
obs: As peças desta matéria são de 2007 e 2008, e não estão mais nos catálogos atuais dos respectivos fabricantes e/ou distribuidores.
No tempo das nossas avós, louça de grife era louça cara. Jogos com muito mais do que 30 peças, certificado de procedência (de preferência europeu), com bordas douradas, relevos e outras firulas do gênero. Tudo muito chique, de fato. Mas os anos se passaram e louça de grife, hoje, implica em peças assinadas por grandes estilistas, arquitetos e designers renomados. Afinal, ser fino hoje em dia tem muito mais a ver com peças que representem seu estilo (ou do seu estilista ou designer favorito) do que com ostentação ou conservadorismos que faziam mais sentido antigamente.
O que estimula fabricantes de porcelana e consumidores a investir na louça da casa diferenciada pela assinatura famosa é justamente a busca por um estilo. Aqui no Brasil, uma cadeia loja de móveis e objetos e a Oxford são duas das empresas que seguem essa trilha. A primeira elegeu Alexandre Herchcovitch para batizar uma linha de canecas com desenho de caveira (marca registrada do estilista) e também uma outra de utilitários - que esteve à venda por tempo limitado. Já a Oxford apostou no talento do arquiteto Marcelo Rosenbaum - que colocou seu nome em pelo menos cinco linhas da marca.
Marcelo Rosenbaum
(...)
São peças diferenciadas, para um público diferenciado - que entende o luxo como algo que vai além do preço ou do design tradicional. O conceito e o ar contemporâneo é o que valem. Não que as peças sejam baratas... Assinatura, seja ela qual for, sempre tem seu preço. 
Alexandre Herchcovitch
Chris Campos é jornalista, editora do site Casa da Chris
www.casadachris.com.br