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30 de maio de 2012

Escavações revelam tesouros arqueológicos no Leblon

Num dos quarteirões do Leblon, onde o metro quadrado é um dos mais valorizados do Rio, a descoberta de um tesouro arqueológico promete trazer novas informações sobre a história da ocupação do bairro.

As arqueólogas Jackeline de Macedo e Ana Cristina Sampaio trabalham desde fevereiro na área, onde até o ano passado funcionava uma lavanderia. A pesquisa começou a pedido do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) e da prefeitura, no processo de licenciamento para a construção de um prédio no local. Como o Leblon é Área de Preservação do Ambiente Cultural e a General Urquiza fica próxima à Rua Dias Ferreira — que, segundo historiadores, seria o caminho do Quilombo do Leblon — a pesquisa foi solicitada antes do início das obras no terreno.





— Começamos as escavações em fevereiro e logo achamos fragmentos de louças finas produzidas fora do Brasil, no século XIX. Isso estava de acordo com a história de povoamento do Leblon no século XIX, quando esse terreno foi adquirido pelo francês Charles Leblon.

Logo depois começamos a achar objetos mais antigos, que indicavam uma ocupação anterior — explica Jackeline, coordenadora da pesquisa arqueológica.  Um dos exemplos que ilustra a ocupação anterior é uma moeda portuguesa datada de 1700.





foto:  Washington Fajardo

Após o término das pesquisas, a área será liberada para a nova construção. As peças estão sendo levadas para o Iphan e parte delas poderá ser exposta em museus.

Outro marco de ocupação no século XVIII são os vestígios de um muro no terreno — pelas características, grandes pedras e uma espécie de argamassa com areia e conchas, tudo indica que seja uma construção do século XVIII. Provavelmente é parte de uma estrutura maior.

Alguns objetos indicam ainda que um dos bairros mais valorizados do Rio era uma área de difícil acesso nos séculos XVIII e XIX, como ossos e pedaços de vidro, moldados em formato de ferramentas.

Francês deu nome ao bairro

Um dos bairros cariocas mais conhecidos do país, por já ter servido como cenário de diferentes produções da TV, o Leblon foi oficialmente fundado em julho de 1919, pelo então prefeito do Distrito Federal, Carlos Sampaio. Antes disso, o bairro já era chamado pelo nome que carrega até hoje, herança do francês Charles Leblon, dono de umq chácara cuja área se estendia da Rua Visconde de Albuquerque até a Rua General Urquiza ,e da praia até a Rua Dias Ferreira.

Após adquirir as terras, por volta de 1845, Leblon criou uma empresa que fazia a exploração da pesca de baleia. Na época, o óleo extraído do mamífero era utilizado como combustível no sistema de iluminação pública e na construção civil. Antes da chegada de Charles Leblon, a região abrigava chácaras e casas populares, sobretudo de pescadores.

Em 1857, Charles Leblon vendeu suas terras para Francisco José Fialho, que, por sua vez, distribuiu os terrenos entre alguns compradores.

30 de julho de 2011

Faianças Rafael Bordalo Pinheiro - Depósito de vendas


Caldas da Rainha [Visual grafico] : Faianças Rafael Bordalo Pinheiro / ed. de Jorge Garcia
Publicação: Santarem : Jorge Garcia, [a.c.a. 1954]
postal ilustrado : p&b ; 8,5x13,5 cm
Impressao fotografica. Postal nº 316. Bordo crenado

fonte: http://84.91.3.51/plinkres.asp?Base=BMCR&Form=COMP&SearchTxt=%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%22+%2B+%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%24%22&StartRec=0&RecPag=5

Caldas da Rainha Fabrica de Faianças



Caldas da Rainha Fabrica de Faianças / [ed. de Paulo Emilio Guedes e Saraiva]
Publicação: [Lisboa] : [Paulo Emilio Guedes e Saraiva], [a.c.a. 1904]
postal ilustrado : policromatico ; 9x14 cm
Impressao em fototipia.

fonte: http://84.91.3.51/plinkres.asp?Base=BMCR&Form=COMP&SearchTxt=%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%22+%2B+%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%24%22&StartRec=0&RecPag=5

Officina de Faianças de Bordallo Pinheiro


Officina de Faianças de Bordallo Pinheiro [Visual gráfico] : CALDAS DA RAINHA / Edição Costa
Publicação: [Lisboa] : Edição Costa, [a.c.a. 1903]
postal ilustrado : p&b ; 9x14 cm
Impressão em fototipia. Postal nº 363

fonte: http://84.91.3.51/plinkres.asp?Base=BMCR&Form=COMP&SearchTxt=%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%22+%2B+%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%24%22&StartRec=0&RecPag=5

Deposito de Vendas / Faianças Artisticas Bordallo Pinheiro

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Deposito de Vendas [Visual grafico] / ed. de Faianças Artisticas Bordalo Pinheiro, L.ª
Publicação: [Caldas da rainha] : Faianças Artisticas Bordalo Pinheiro, L.ª, [1924-1925]
postal ilustrado : p&b ; 9x14 cm
Impressao em fototipia

fonte: http://84.91.3.51/plinkres.asp?Base=BMCR&Form=COMP&SearchTxt=%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%22+%2B+%22DE+Faian%E7as+Artisticas+Bordalo+Pinheiro%2D%2DPostais+ilustrados%2D%2DCaldas+da+Rainha+%28Portugal%29%24%22&StartRec=0&RecPag=5

título de ações de 1884 da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha



Lisbon, 30 June 1884, Share certificate à 20$000 Reis, #498, 46.5 x 29 cm, multicoloured, light horizontal fold across, DB. The most beautiful share certificate in perfect condition! Condition: EF. Probably the most magnificent stock certificate! The company was founded already in the 15th century by the Portuguese queen Dona Lenor. Under the leadership of her husband Johann II Portugal became the leading sea and colonial power of Western Europe. Caldas da Rainha (= thermal springs of the queen), the place where the porcelain and faience manufactory was built, is a therapeutic bath and was the favoured summer residence of the Portuguese monarchs.

The Fabrica de Faiancas still exists nowadays and is a great object of interest. The share certificate was designed by Raphael Bordalho-Pinheiro (1847-1905) and shows many of his favoured animal motifs. The execution of the artwork is very complex, because 11 colours were necessary for the print of the picture, whereas each single share certificate had to be printed manually.

17 de janeiro de 2011

João Manso Pereira

João Manso Pereira (1750? – 1820), químico auto-didata e professor de humanidades (latim, grego e hebraico), descobriu na Ilha do Governador um tipo de argila branca, rica em caulim, e entre 1790 e 1797, produziu diversas peças de louça e porcelana.

Pouco se sabe a respeito de sua origem e de sua família, senão que nasceu no Rio de Janeiro (segundo J. M. de Macedo), que estudou latim e mais disciplinas no Seminário da Lapa, que foi um grande estudioso das ciências naturais, e se dedicou especialmente à mineralogia e à química, de onde lhe veio o apelido de o "Químico".

Deve ter sido o período que decorre de 1790 a 1797 o mais ativo do ilustre químico, porque são então frequentes as consultas à Junta de Comércio sobre o resultado de suas investigações, sendo a pedido da mesma dispensado do cargo de professor, enquanto durassem as suas experiências. Estas dizem respeito á fabricação de aguardente (semelhante à da Jamaica: "rhum"), vinho de açúcar, álcalis extraídos da bananeira, e cerâmica.

Descobriu em certa argila branca, na Ilha Grande (atual Ilha do Governador), que os índígenas chamavam tabatinga o legítimo caolim e, entre as suas variedades, encontrou uma que os chineses chamam ho ache, muito preciosa e própria para obras de relevo, com a qual fabricou alguns camafeus, que diz ele, "alguma aceitação teem merecido ao público".

Diz J.M. de Macedo que "... alguns dos mais considerados habitantes do Rio de Janeiro se desvaneciam de possuir louça do país fabricada pelo celebre João Manso". E Moreira de Azevedo afirma que "... ao rei D. João VI ofertou (João Manso) um aparelho de porcelana e uma caixinha de sabão de barba que fabricara com a argila encontrada na ilha do Governador".

Nas consultas á Junta de Comércio, há referência somente aos camafeus, cadinhos e outros vasos "... fabricados com diferentes caolins e argilas transparentes e opacos...".

Segundo Yolanda Marcondes Portugal, muito certamente João Manso fabricou também aparelhos de mesa. Porém uma grande dificuldade se encontra na identificação dessa louça, porque até hoje não se conhece alguma que tenha marca. Já o mesmo não acontece com as medalhas e camafeus. A identificação destes é muito simples pelo nome de seu fabricante gravado no verso.



Camafeus em biscuit (ao estilo Wedgwood) produzidos por João Manso Pereira, no Rio de Janeiro, com perfil de D. João VI (Esq.) e D. Carlota Joaquina (dir.). Ambos medem 3,5 x 3 cm. Biscuit branco sobre fundo azul. Acervo do Museu do Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro.[Fonte: BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. Cia Lithografica Ypiranga, São Paulo, 1981.]


As medalhas de João Manso Pereira são raríssímas e se encontram em coleçôes portuguesas, com exceção dos 2 exemplares atualmente no acervo do Museu do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, um de D. João VI, e outro de D. Carlota Joaquina.

Segundo Moreira de Azevedo, Mestre Valentim foi o responsável pelo design de dois aparelhos de porcelana fabricados por João Manso, os quais foram muito admirados em Lisboa. É, pois provável, seja o mesmo artista autor dos cunhos das peças de numismáticas fabricadas com a primeira porcelana brasileira.



Marcas de João Manso Pereira (Rio de Janeiro, RJ) de 1793, catalogadas no guia francês “Guide de l’Amateur de Porcelaines et de Fayences”, de E. Zimmerman, já na 13ª edição em 1910, o que comprova seu sucesso no fabrico de porcelana e biscuit já no século 18.


Há ainda um documento manuscrito de 1808, assinado pelo presidente do Real Erário, autorizando a fabricação de cadinhos de louça no Brasil, por João Manso Pereira:

"[...] por constar a boa qualidade dos cadinhos feitos por João Manso Pereira, e convir muito, que deles se use nas Casas de Fundição dessa capitania. Se ordena a essa Junta que haja de prestar todo o auxílio necessário à Fábrica dos mesmos cadinhos por conta da Real Fazenda, debaixo da direção de Dº João Manço Pereira (sic) de maneira que se aprontem em suficiente quantidade para o uso das Casas de Fundição."

14 de janeiro de 2011

Primórdios

Estimulado por uma postagem no blog "Velharias", sobre as antigas faianças portuguesas da Fábrica de Sto. Antônio do Vale da Piedade, na coleção do Museu do Açude, aqui no Rio de Janeiro, fiquei com vontade de publicar algumas fotos e ilustrações da produção cerâmica brasileira em seus primórdios.

Boa parte desta produção era em terracota, muitas vezes engobadas em branco, ou pintadas em cores variadas. O material documental infelizmente é muito escasso, e mais escassas ainda as informações sobre as peças, quem as fabricou, em que estado, etc.

No Brasil, a produção de olaria começou a ser uma indústria efetivamente, seja pela escala de produção, seja pela regularidade e continuidade do fornecimento, no início do século XIX, embora a produção artesanal para atender o consumo em pequena escala já ter começado muito antes.

A indústria cerâmica, liderada por portugueses, surgiu principalmente para a fabricação de material de construção: tijolos, telhas, tubos e sifões de esgoto, nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Entretanto, várias destas olarias também já produziam alguns artigos utilitários simples. Nesta mesma época, há também um aumento da produção artesanal, em quase todos o país, na qual a mão de obra indígena, já experiente, foi de relevante contribuição.

Com o tempo, começam a surgir peças de louça vidrada, bem como artigos imitando a faiança com engobes (revestia-se a louça de barro vermelho com uma camada de argila mais clara) claros e amarelados. Estas peças, conhecidas como “meia-faiança”, eram produzidas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.




Ilustrações de peças de terra cota fabricadas no Brasil, em livro do francês Thierry Frères - 1835.


Edino Brancante em seu livro “O Brasil e a Cerâmica Antiga”, de 1981, afirma que embora os primeiros documentos encontrados comprovando a fabricação de louça vidrada no Brasil sejam do início de século XIX, provavelmente esta já seria produzida em nosso país na primeira metade do século XVIII, na Bahia, e pelo final da segunda metade do mesmo século em Caeté, Minas Gerais.

Esta indústria se expande acentuadamente após a chegada da Família Real no Brasil. A partir deste momento, começa uma grande diversificação dos artigos utilitários fabricados (talhas, canecas, pratos, sopeiras, garrafas, moringas, potes, urinóis, escarradeiras, medalhões decorativos, ornamentos para fachadas e jardins, vasos, etc) e um grande esforço para a melhoria técnica destes artigos.





Apenas na segunda metade do século XIX que as cerâmicas brasileiras começaram a produzir, além dos vasilhames e outras peças utilitárias simples, objetos de um certo requinte, mercadorias especialmente destinadas à burguesia emergente, como pratos figurados com personagens ilustres, taças-lembrança de visitas a santuários, bibelôs, porém pouca coisa em comparação com as que eram importadas.

Começou pela década de 1850, no Rio de Janeiro, à rua do Espírito Santo 45, a Fábrica Nacional de louça branca vidrada, de José Gory. Fabricavam figuras para jardim, ornatos, vasos, globos, pinhas, repuxos, bustos, leões, colunas, balaústres, capitéis, baixos-relevos.



Peças de fabricação de Francisco Antônio Maria Esberard, apresentadas na Primeira Exposição Nacional de 1861. Litografia do livro "Recordações da Exposição Nacional", de 1861.


Talha "Maricá" em cerâmica; século XIX (1866); fabricada em Maricá, RJ; pertenceu à Casa Imperial; 950 x 630mm. Até o século XIX muitas louças fabricadas no Brasil eram de barro vermelho, branco ou escuro. Para enriquecer as de barro vermelho os artífices davam-lhe decoração de ouro. Deste modo foram feitas as antigas talhes de água, que nas copas ocupavam lugar de destaque. Foto : Rômulo Fialdini - Livro MHN - Banco Safra


Moringa de cerâmica; século XIX; Brasil; pertenceu ao Paço Imperial de Valença, Rio de Janeiro; 313 x 204 mm. Com as Armas Imperiais do Brasil acompanhando decoração típica da época.



Foto de exemplares da produção cerâmica brasileira no álbum "Recordação da Exposição Nacional de 1866". Quem quiser ver outras fotos desta exposição, pode seguir este link.




Dois momentos da "Exposição Continental" de Buenos Aires, em 1882, mostrando a produção cerâmica brasileira. É curioso notar no estande da foto inferior que em meio aos artigos para decoração de fachadas e muradas estão também tijolos, telhas e canos.
Na foto superior o que mais se vê são moringas, e em seguidas vasos, urnas, pinhas, potes, entre outras peças. Cabe notar que não se vê qualquer tipo de cerâmica de mesa, como sopeiras, pratos, travessas, etc, o que só iria aparecer mais tarde, na virada do séc. XIX para o XX, quando surgem as primeiras fábricas de louça branca autêntica no Brasil.




Anúncio de 1884.





Pratos engobados, de inspiração portuguesa, provavelmente produzidos em Caeté - coleção Paulo Vasconcelos, SP - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981.



Pinha e ânfora em louça vidrada, manufatura A. Ferreira & Irmão - SP - coleção Issac Alex Catap - SP - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981



Talha fabricada no Rio de Janeiro - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981.



Moringa, Brasil, séc. XIX, coleção Clotilde de Carvalho Machado, Rio de Janeiro - livro 'Arte Cerâmica no Brasil', de Pietro Maria Bardi, Ed.Banco Sudameris Brasil S.A., 1980.



Jarras e ânforas - MG, séc XIX - Col. Paulo Vasconcellos - site www.eba.ufmg.br.


exemplo de cerâmica em estilo Saramenha produzida atualmente, com as mesmas técnicas de mais de 150 anos.



Bule verde esponjado fabricado pela Cerâmica Santa Cruz, de Piracicaba, SP (séc. XIX). Coleção Maria Elisa Pereira Bueno e Paulo Vasconcellos (SP) - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981.



Produtos da Ceramica Nacional (1898) - site www.israelpinheiro.org.br

7 de abril de 2010

Surgida na China e "recriada" na Europa, porcelana é sinônimo de sofisticação à mesa


fonte: http://casaeimoveis.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2010/04/05/surgida-na-china-e-recriada-na-europa-porcelana-e-sinonimo-de-sofisticacao-a-mesa.jhtm?action=print
05/04/2010 - 07h00
por ANTÔNIO SAMPAIO
Colaboração para o UOL


Porcelana Schmidt, tradicional marca brasileira, modelo Renda Branca


Surgida na China entre os séculos 6 e 7, a porcelana é um material feito a partir de uma espécie de argila branca (caulim) queimada a altas temperaturas (mais de 1.200ºC). A delicadeza das porcelanas chinesas atraiu a atenção dos portugueses, que, no início do século 16, foram os primeiros a comercializar vasos, pratos e outros objetos decorativos para a Europa. Lá, eram vistas como símbolo de requinte e preciosidade desde o século 13, quando haviam sido levadas ao continente pela primeira vez por Marco Polo.

Depois dos portugueses, foi a vez dos ingleses se firmarem como os maiores comerciantes de porcelana chinesa na Europa, e logo se iniciou uma corrida para descobrir a "receita" daquele material cuja pureza e resistência o aproximavam do vidro e dos minerais puros. Sua história no Ocidente traz ingredientes romanescos, que envolvem cientistas, charlatães, nobres, piratas e industriais em episódios de espionagem e intriga internacional.

Os ingleses chamaram-na pelo nome de seu local de origem, "china". Já os italianos acharam que suas características eram tão parecidas às de uma concha, que se basearam no nome de um molusco, "porcella" ("porquinha" em português), para criar "porcellana", palavra que passou à maioria das línguas latinas. O molusco que inspirou a analogia, por sua vez, deve seu nome a uma suposta semelhança com a vagina de uma leitoa --dado que acrescenta ainda um toque "lúbrico" à história da porcelana.

A primeira fórmula européia é atribuída aos alemães Ehrenfried Walther von Tschirnhaus, cientista, e a Johann Friedrich Boettger, alquimista que alegava ser capaz de curar qualquer doença e de transformar pó em ouro. Tschirnhaus fundou a Meissen, primeira fábrica de porcelana europeia, em atividade até hoje. Há relatos de que a porcelana criada por Boettinger era tão resistente a choques térmicos, que podia ser tirada diretamente do forno e lançada na água fria.

Outras receitas de porcelana surgiram na Europa, gerando produtos com qualidades e características diferenciadas. A França se notabilizou na produção de uma porcelana muito branca e pura, na cidade de Sèvres, cujo nome logo se tornou sinônimo das delicadas peças ali produzidas.

Os ingleses detêm o crédito de terem inventado uma porcelana de grande dureza e muito translúcida, conhecida como "fine bone", feita a partir das cinzas de ossos. A invenção inglesa, que a princípio tinha o intuito de competir com a porcelana importada, foi tão bem sucedida que passou a ser fabricada em outros países, inclusive na China. Na Inglaterra, a história da porcelana tem ainda como um de seus personagens o cientista Charles Darwin, pois foi graças ao dinheiro que ele herdou das porcelanas Wedgwood, fundada por seu avô, Josiah Wedgwood, que ele pode dedicar toda sua vida aos estudos que o levaram à teoria da evolução das espécies.

Hoje, a porcelana ainda é tida como o material por excelência na fabricação de aparelhos de jantar, serviços de chá e baixelas em geral. Os desenhos e formato das peças mudaram com o tempo, mas as características que a consagraram continuam inalteradas, seja em peças de antiquário ou em criações de novos designers.

24 de fevereiro de 2010

Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro, em 1879


fonte: http://mfls.blogs.sapo.pt/20086.html
agradecimentos ao amigo LUIZY, do ótimo blog "Velharias", pela dica deste ótimo blog: Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém



Pormenor da página 156 da revista O Occidente, número 44, de 15 de Outubro de 1879, com três gravuras cujas respectivas legendas são: "Luciano Cordeiro – Marcellino Ribeiro Barboza – A exposição de crystaes e ceramica na Sala de D. Manuel".

Na página anterior encontra-se o seguinte texto sobre as obras expostas e as fábricas representadas neste espaço:

" Sala de D. Manuel. – N'esta sala, a primeira com que se depara ao entrar na exposição, estão dipostas as louças, cristaes [sic] e obras de ceramica.

A fabrica da Marinha Grande, da Vista Alegre, de Sacavem e algumas outras, expõem variados typos de louça de todas as qualidades, competindo com os productos com que o estrangeiro habitualmente surte os mercados.

A louça das Caldas destaca-se, como em todas as exposições antecedentes a que tem concorrido, pelo seu typo especial e cheio de originalidade, que lhe dá um lugar á parte na ceramica moderna, e a faz apetecida de toda a gente dotada de bom gosto. A louça, imitação do antigo, exposta pelo sr. Cifka, chama as atenções geraes pela magnificencia, que a torna apta para ser collocada a par das melhores peças artisticas.

28 de janeiro de 2010

The Willow Pattern


fonte: http://www.gutenberg-e.org/haj01/frames/fhaj03.html

Earle was not the first to create a fabulous oriental tale to accompany a picture fired onto a piece of porcelain. At some point around the dawn of the nineteenth century, a spurious Chinese story developed around the famous willow pattern, even though the only porcelain bearing this exact design had its origin in England, not China. After many years and numerous mishaps, British potters in the 1780s finally produced porcelain that had the same physical properties as did the Chinese varieties. Having met Chinese standards, manufacturers next faced the challenge of crafting the appearance of their wares so that these could not only survive but ultimately flourish in a marketplace that continued to embrace Canton china. Using the popular shan shui designs as models, English porcelain designers executed landscape scenes in the Chinese style and placed these patterns on bowls, plates, and cups through a mechanical process called transfer printing. 11

Thomas Turner, working for the Caughley establishment in Shropshire in the 1780s, designed a precursor to willowware. 12 Though his creation resembled the pattern that would eventually conquer the Western world, it could not be strictly classified as authentic willow because it did not possess all of the four elements that would come to define willowware: a willow tree in the central position, three figures crossing a bridge away from the main building, a fence stretching across the foreground, and two birds hovering in the top center (fig. 2.3). 13 Thomas Minton, working for Josiah Spode’s pottery manufactory, designed the actual prototype at some later point in the same decade. 14 Despite being the first to sell willowware, Spode did not remain the sole producer for long because, shortly after the pattern’s inception, several other porcelain manufacturers obtained copies of it. 15 By the end of the 1780s, numerous porcelain factories were churning out willowware, much of it intended for the American market. 16




The British-designed willow pattern pleased American consumers for mostly the same reason as the Chinese shan shui patterns. Still, with its production in England, willowware lacked one critical attribute that had contributed heavily to the success of its Chinese competitor: the mystique and romance that origin in a distant Far Eastern country could lend to an object? Compensating for this shortcoming, a pseudo-Chinese tale evolved around the non-Chinese willow pattern. This willow legend, like the pattern that inspired it, emerged as a Western attempt to capture a Chinese essence. Whether the legend arose on its own out of the popular imagination or was the result of an ingenious marketing scheme by a British potter, one cannot say for certain. Regardless, the story proved enormously popular in England and soon migrated across the Atlantic to the United States.

The most important feature of this legend, and what contributed to its contagious appeal, was that any piece of porcelain bearing the willow pattern provided the illustrations for the narrative. In an era in which illustrated storybooks were both expensive and rare, the willow legend allowed mothers of modest means to tell a story to their children at bedtime or during meals and even show illustrations. Since the legend mutated as it moved from person to person and from one culture to the next, several versions of the legend eventually came into existence. However, all tell a romantic tale of two star-crossed Chinese lovers—a mandarin’s daughter and his lowly bookkeeper.

As the story goes, a powerful mandarin serves the emperor as the customs officer of a great seaport. His position allows him to acquire great wealth because smugglers repeatedly offer him bribes in order to avoid paying customs fees. When word of the mandarin’s corruption begins to circulate, he removes himself from his post and retires to his mansion in the countryside, taking only his accumulated wealth, a bookkeeper named Chang, and his daughter, Koong-se. Fearing an official investigation, the mandarin orders Chang to square away his books so that they can bear scrutiny. Chang loyally executes this task, only to find himself summarily discharged by the mandarin upon its completion. However, prior to his dismissal, Chang and Koong-se fall in love.

Knowing that the mandarin would never approve of the union of his daughter with a lowly bookkeeper, the two young lovers meet surreptitiously every night beneath the fruit trees, which are included in the pattern. When the mandarin learns of these clandestine trysts, he confines Koong-se to a room overlooking the river and demands that a strong palisade (pictured on all specimens of willowware) be built all around the mansion grounds to keep Chang away from his daughter. Worst of all, he also makes arrangements for her to wed Ta-jin, a wealthy duke who is her equal in status but far more advanced in age. The wedding is to take place when the peach tree blossoms (pictured). Upon hearing the news of Koong-se’s engagement, a despairing Chang realizes that he prefers death to a life without his beloved. To his lover across the river he floats a hollow coconut containing a note in which he vows to commit suicide when the buds on the peach tree open. Though greatly depressed, Chang also formulates a plan to steal Koong-se away.

One evening, Ta-jin arrives at the mansion bearing a box of jewels that he intends as a gift for his fiancée. That same night, Chang appears at the mandarin’s doorstep disguised as a beggar seeking alms. Since Chinese custom requires the wealthy to treat the poor charitably, Chang gains entrance into the house and soon finds Koong-se in her room. Down in the main hall, the mandarin and Ta-jin enjoy an evening of entertainment, food, and wine. When the latter induces sleep, Chang seizes the box of jewels and quietly leads Koong-se out of the mansion. Unfortunately, as the lovers attempt to sneak past the mandarin, he awakens, raises the hue and cry, and proceeds to pursue them himself. The two lovers flee cross the bridge as the mandarin, holding a whip, follows closely behind (pictured). It must have been one of the earliest instances of what later became known as a chase scene. 20

The lovers find a fisherman with a junk (pictured) who is willing to convey them to a nearby island, where they promptly hide in a gardener’s hut. The enraged duke, hoping to have Chang put to death for stealing both his fiancée and his jewels, deploys his spies to search the area. When the duke’s soldiers arrive on the island, Chang and Koong-se escape onto a boat and sail to another island. To support themselves, they begin to sell off the jewels one by one. But as time passes, the two realize they are safe and begin to build a new life. Chang constructs a house (pictured) and brings the land to a profitable state of cultivation. He also writes a book on gardening, and it brings him a degree of fame. As for the duke, his desire for revenge continues to smolder in his heart. And so, when the literary reputation of Chang reveals his whereabouts, the duke dispatches his soldiers to the island. Chang valiantly resists their advances but is mortally wounded in the process. Greatly distraught, Koong-se flees into the house and lights it on fire with herself inside. At this point, the Chinese gods, who are watching the tragedy unfold from on high, decide to intervene; they place a curse on the vengeful duke and take pity on the unfortunate lovers. As is pictured in the pattern, they turn Chang and Koong-se into kissing doves just before they perish. 17

With the willow legend, mothers captivated their juvenile audiences by projecting a narrative of love, danger, and adventure onto a make-believe Chinese landscape. And the tremendous popularity of this legend had the effect of creating a vogue for willowware. Since supply in England was able to keep pace with demand in the United States, cups, bowls, plates, and saucers bearing the design soon flooded American society. Ada Walker Camehl, who collected china around the dawn of the twentieth century, found plenty of willowware even out in rural areas of the United States. 18 To the porcelain connoisseur Warren Cox, the proliferation of willowware occurred to the detriment of good taste: “Nothing could better exemplify the utter dearth of aesthetic consciousness than the stupid copying of this design which lacks every element of true Chinese painting and any real claim to beauty whatsoever, and the maudlin stories wrought about it to please the sentimental old ladies of the late eighteenth century.” 19

The “maudlin stories” to which Cox referred are of course the willow legend in its myriad permutations. The story became such an integral part of American folklore that it even found its way into verse. In fact, along with the usual nursery rhymes, a poetical version of the story was commonly recited to children by their mothers:

So she tells me a legend centuries old
Of a Mandarin rich in lands of gold,
Of Koong-Shee fair and Chang the good,
Who loved each other as lovers should.
How they hid in the gardener’s hut a while,
Then fled away to the beautiful isle.
Though a cruel father pursued them there,
And would have killed the hopeless pair,
But kindly power, by pity stirred,
Changed each into a beautiful bird.

Like any retelling of the willow legend, this poem was clearly designed to be repeated in the presence of a piece of willowware, because it points out the various elements in the pattern that correspond to specific moments in the story: “Here is the orange tree where they talked, / Here they are running away, / And over all at the top you see / The birds making love always.” 20 25

Henry Wadsworth Longfellow also fell under the magical spell of the willow pattern in his childhood years. However, he did not require the legend to fire his imagination, because the image by itself was sufficient to transport him to an imaginary world. The willow pattern that “we knew / In childhood,” he wrote, enabled these “coarser household wares” to transcend their purely utilitarian function. With “its bridge of blue / Leading to unknown thoroughfares,” the willow pattern offered a portal to an enchanted world where one could observe the “solitary man,” the “white river,” the “arches,” and the “fantastic trees.” So different, novel, and powerful, the willow pattern made an unmistakable impression on the imaginative Longfellow and others like him; it either “filled us with wonder and delight” or “haunted us in dreams at night.” 21

Another poem on the subject suggests that many people actually believed that both willowware and the romantic willow legend came from China, not England. And as the poem indicates, these mistaken origins played an integral role in transforming the dining experience in nineteenth-century America:

My Willow ware plate has a story,
Pictorial, painted in blue,
From the land of the tea and the tea plant
And the little brown man with a queue.
Whatever the food you serve, daughter,
Romance enters into the feast,
If you only pay heed to the legend,
Of the old chinaware plate from the East. 22

Since the story sounded Chinese and the design looked Chinese, the willow pattern and the accompanying legend had the combined effect of masking the true origin of the porcelain—just as the English producers had hoped it would. Many Americans who believed that this spurious Chinese legend was authentic told it at the dinner table to imbue an otherwise quotidian meal with the romance and exoticism associated with China. 23 In this way, an ordinary meal could take on an ersatz Far Eastern splendor: “Romance enters into the feast.” Since any revelation of willowware’s true origin threatened to spoil the enjoyment, Americans tended to consider all blue-and-white porcelain as Chinese and could become testy when apprised of a piece’s true English roots. 24 The willow pattern and the accompanying legend achieved such ubiquity in American life that one must consider their pervasive influence if seeking to understand how an idealized vision of China of permeated Americans’ thinking in the early nineteenth century.



Note 11: Whereas all Chinese ceramics were hand-painted, the British employed this mechanical technique. A design engraved on copper was printed onto a piece of tissue paper, which was then transferred onto the ceramic object. Crosby Forbes, preface; Davis, 119.

Note 12: Copeland, 4.

Note 13: Geoffrey Godden, “The Willow Pattern,” Antiques Collector (June 1972): 148–50.

Note 14: Copeland, 33.

Note 15: It was a common practice both for potters to lend engravings to one another and for successful factories to purchase the master patterns belonging to potters who were selling their businesses. Copeland, 4.

Note 16: As a sign of the increasing success of the British industry, Charles Tyng reported that in 1821 his ship used stones for ballast, whereas in 1815 the practice had been to use Chinese porcelain: “China ware was no longer shipped, the English ware having taken its place.” Fels, 75.

Note 17: Harry Barnard, The Story of the Wedgwood Willow Pattern Plate (Hanley, England: Catalogue Printers), 2–7. Josiah Wedgwood and Sons published this guide book to Wedgwood porcelain.

Note 18: Ada Walker Camehl, The Blue-China Book: Early American Scenes and History Pictured in the Pottery of the Time (1916; reprint, New York: Dover, 1971), xxvii.

Note 19: Cox, 768–69.

Note 20: In this version of the story, the father, not the duke, finds the lovers on the island. Camehl, 287.

Note 21: Longfellow composed “Kèramos” in 1877 and first published it in Harper’s. The Works of Henry Wadsworth Longfellow, ed. Samuel Longfellow (Boston: Houghton, Mifflin, 1886), 3:231–32. Another American author, Nathaniel Hawthorne, viewed a porcelain “China tea-set” as strange but intriguing. In The House of Seven Gables (1851), he described it as “painted over with grotesque figures of man, bird, and beast, in as grotesque a landscape . . . a world of vivid brilliancy” ([Oxford: Oxford University Press, 1991], 76–77).

Note 22: Quintner, 152.

Note 23: Perhaps realizing that Americans preferred to think of the willow legend as of Chinese origin, the Buffalo China Company, the first American pottery company to produce willowware, misinformed potential customers in its 1905 catalog: “The legend illustrated by the Blue Willow ware decoration is centuries old. It originated in China and forms a love story so alive with human interest that it never grows old.” Quintner, 128. Similarly, Ada Walker Camehl wrote that what she believed was a Chinese story had inspired Thomas Minton to make the original willow pattern. Camehl, 287. Finally, Amy Carol Rand, in an article instructing women how to design table linen using the willow pattern, also wrote under the misconception that the pattern was Chinese in origin (The Modern Priscilla [July 1910], 4).

Note 24: Earle, 181–82.

26 de janeiro de 2010

Porcelana européia completa 300 anos


fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3060157,00.html
15.01.2008

Fórmula de fabricação do "ouro branco" foi anotada pela primeira vez por Johann Friedrich Böttger no dia 15 de janeiro de 1708. O alquimista trabalhava para o príncipe saxão Augusto o Forte, ávido de bens materiais.

"Idealmente branca e translúcida": foi com esses parcos adjetivos que Johann Friedrich Böttger, então com 26 anos, se referiu à massa que conseguira produzir nas casamatas de Dresden, onde experimentava como prisioneiro do príncipe saxão Augusto, o Forte, na busca de uma solução para o fabrico da porcelana.

A anotação, datada de 15 de janeiro de 1708, contém também a fórmula utilizada pelo alquimista naquele determinado experimento e é considerada por isso a "certidão de nascimento" da porcelana européia. Fazia 200 anos que se tentava em diferentes cortes da Europa encontrar a receita para fabricar o bem precioso, importado até então da China a altos preços.

Busca do ouro levou ao "ouro branco"

Böttger (1682-1719) afirmava em Berlim, depois de concluir o aprendizado de farmacêutico em 1701, ter encontrado a fórmula do ouro. Tendo despertado a cobiça do rei da Prússia, decidiu fugir para Wittenberg, onde chamou a atenção do não menos ambicioso rei da Saxônia, Augusto, o Forte. Tratado desde então como segredo de Estado, foi levado para as casamatas de Dresden, para continuar experimentando às escondidas, na busca da fórmula do precioso metal.

A partir de 1704, o erudito Walther von Tschirnhaus colocou o jovem alquimista a par de seus escritos teóricos sobre a fabricação da porcelana. Juntos, recorreram aos conhecimentos de especialistas em minas, com destaque para Gottfried Pabst von Ohain.

A descoberta da fórmula do "ouro branco" foi, portanto um trabalho de equipe, tendo cabido a Böttger grande parte do sucesso na prática. Já em 1707 ele conseguiu confeccionar uma faiança que ainda não tinha o grau de pureza da porcelana e era de uma cor mais escura.

A Manufatura de Meissen



Em 1710, Augusto, o Forte, que tinha fascinação pela porcelana, mandou fundar uma manufatura em Meissen. Aperfeiçoando passo a passo a receita da massa, Böttger, que dirigia a manufatura, pôde levar a porcelana de Meissen pela primeira vez à Feira de Leipzig em 1713.

No começo, a manufatura produzia vasos e figuras segundo o modelo chinês, mas logo desenvolveu um estilo próprio, que se orientava pelo barroco europeu. As espadas azuis cruzadas, que se tornaram símbolo da marca que representa por excelência luxo e tradição, foram introduzidas em 1722.

Invenção, não imitação

O diretor-gerente da Manufatura de Meissen, Hannes Walther, salienta que Böttger e seus auxiliares não copiaram meramente os chineses. Na China, o material bruto era encontrado em minas na composição correta. Já a porcelana branca européia – que é queimada a temperaturas bem mais altas que a chinesa, sendo, portanto, também mais dura – foi resultado de uma longa busca e de inúmeras tentativas, até que fosse encontrada a fórmula adequada. (lk)

Porcelana e China


fonte: http://portuguese.cri.cn/chinaabc/chapter20/chapter200313.htm

Os objetos de porcelana surgiram na China há mais de 1700 anos. A partir daquele momento, as porcelanas chinesas foram levadas para todo o mundo e muitas de suas preciosidades estão conservadas em museus de muitos países.

Segundo os registros históricos, a porcelana chinesa é exportada desde século 8 ao Oriente Médio para atender às necessidades dos reis e da nobreza. No século 9, em Bagdá, então centro comercial do mundo islâmico, a seda e a porcelana chinesas eram as principais mercadorias. O destaque vai para a porcelana branca, tricolor e azul, introduzida no Ocidente por intermédio desta cidade.

O navegador chinês da dinastia Ming, Zheng He, merece uma especial menção. Ele fez sete viagens marítimas durante 29 anos (1405 - 1433), levando aos países pelos quais passou as porcelanas chinesas, incluindo objetos produzidos na vila de Jingdezhen, conhecida como “capital de porcelana da China”.

No museu de Topkapi em Istambul, estão conservadas 13.058 peças de porcelana chinesa. São todas peças de qualidade produzidas nos fornos imperiais. Os objetos em porcelana azul foram produzidos durante a dinastia Yuan (1206 - 1368) e se caracterizam por seu forte estilo islâmico e pela ótima qualidade de produção, fazendo com que a maioria das peças dos museus chineses produzidas na mesma época sejam muito inferiores a elas. O fato demonstra que esse lote de porcelanas foi produzido sob encomenda.

A porcelana chinesa foi levada à Europa no século 16, desembarcando inicialmente em Portugal. Após uma guerra marítima comercial que durou vários anos, os holandeses obtiveram o controle sobre o Pacífico Ocidental e tornaram-se os maiores comerciantes de porcelana de Jingdezhen. Em 1636, 1837 e 1639, a Holanda comprou vários lotes com centenas de milhares de peças de Jingdezhen. Ao longo do século 18, mais de 60 milhões de objetos de porcelana chinesa foram exportados para a Europa.

Atendendo ao valor estético do Ocidente, as porcelanas de Jingdezhen produzidas para a exportação se diferenciavam no design dos produtos vendidos no mercado nacional. Os motivos variam de estilos chineses com flores, pássaros e figuras humanas aos estilos mais exóticos.

Mas, ao mesmo tempo em que importavam as peças em porcelana chinesas, vários países iniciaram sua própria produção por intermédio da imitação. Iznik, cidade situada no Sudeste de Istambul, é considerada como a “Jingdezhen” da Turquia. Em 1755, os europeus descobriram argila Caulim, excelente matéria-prima de porcelana de Jingdezhen, e conseguiram produzir pela primeira vez em 1768 uma porcelana semelhante à de Jingdezhen. O historiador americano Atherton assim afirma no livro China na História Mundial: “as técnicas trazidas da China pelos jesuítas foram incorporadas e a Europa passou a produzir uma verdadeira porcelana”.

Barro de Gaoling, base da porcelana


fonte: http://portuguese.cri.cn/1/2005/01/07/1@21796.htm
2005-01-07

A porcelana chinesa é mundialmente conhecida. Historicamente, muitos países importaram a porcelana da China, assim como tentavam adquirir a tecnologia de produzir a porcelana. Finalmente, eles descobriram o segredo da fabricação da porcelana chinesa de Jingdezhen, mundialmente conhecida. Eis o barro de Gaoling.

O barro de Gaoling é uma matéria-prima de boa qualidade para a fabricação da porcelana, cuja base de produção fica em Jingdezhen, capital da porcelana, situada na província de Jiangxi, sul da China. Antes deste barro, a porcelana foi fabricada unicamente com pedras. Em princípios do século XIII, surgiu uma crise da matéria- prima na indústria de porcelana. Naquele então, artesãos localizaram um tipo de barro de boa qualidade, na aldeia de Gaoling, situada aos 45 quilómetros da vila de Jingdezhen. É o barro de Gaoling. Ao fabricar a porcelana, eles misturaram aquelas duas espécies de matéria-prima, de maneira que a tecnologia de fabricação registrou um grande salto.

O barro de Gaoling é de cor branca, podendo resistir a 1735 graus de temperatura. Portanto, a matéria-prima extraída de pedras só pode resistir a 1150 graus de temperatura, com índice de deformação relativamente elevado entre os produtos. Com a forte resistência à alta temperatura, a matéria-prima misturada diminuiu o índice de deformação entre os produtos, assim como melhorou as funções físicas, fazendo com que a porcelana de Jingdezhen tenha uma base branca e sólida. Devido ao uso do barro de Gaoling e ao grande desenvolvimento da indústria de porcelana entre os séculos XIII e XIX, a tecnologia de fabricação chegou a seu ponto culminante. Desta maneira, Jingdezhen foi designada, indubitavelemente, como a capital de porcelana da China.

A porcelana de Jingdezhen é exportada a todo o mundo, sendo a preciosidade procurada pelos nobres em outros países. Boa qualidade e alto valor fazem outros países imitar a produção da porcelana chinesa. No século XIII, um rei da região pérsica ordenou construir fornos para fabricar a porcelana, mas não conseguiram fabricar produtos tão bons como a porcelana chinesa. Entre os séculos XVII e XVIII, com muito paixão pela porcelana chinesa, o rei da Polônia e dominante da região Saxony, Augustus decidiu descobrir o segredo da fabricação da porcelana chinesa. Após prolongadas experimentações, dois químicos alemãos conseguiram descobrir que o segredo consiste na matéria-prima.

Por milénios, personalidades de diversos países tentavam descobrir tal segredo. A figura chave que transmitiu a tecnologia ao Ocidente foi o missionário francês Francois Xaviercl Entreclles, que viveu entre os séculos XVII e XVIII. Ele fez a missão em Jingdezhen, durante 20 anos. Em 1712, ele mandou uma carta para a Europa, na qual descreveu o processo de fabricação da porcelana de Jingdezhen, com o que na Europa, surgiu lá uma febre pela fabricação da porcelana, mas ninguém conseguiu ter êxito. Posteriormente, este missionário francês voltou a Jingdezhen, onde fez uma investigação especial. Finalmente, ele mandou uma carta, junto com amostra do barro de Gaoling, para a Europa.

Em 1755, europeus descobriram o barro de Gaoling em seu território e em 1768, conseguiram fabricar a porcelana semelhante à de Jingdezhen.

Por isso, o uso do barro de Gaoling foi um acontecimento transcendental para a história da porcelana chinesa, mas também foi uma importante revolução na história mundial de fabricação da porcelana.

22 de fevereiro de 2007

Os Primórdios da Indústria de Louças no Brasil

por Fábio Carvalho
maio/2007


A cerâmica é a mais antiga de todas as indústrias, uma vez que desde os mais remotos tempos o homem utiliza o barro para produzir utilitários domésticos. A cerâmica substituiu a pedra trabalhada, a madeira, as vasilhas feitas de frutos ou de cascas.

Aqui mesmo no Brasil, as peças de cerâmica mais antigas encontradas em escavações arqueológicas remontam do séc. X ao VII a.C., e é originária dos povos que habitavam a região de Marajó.

Alguns pesquisadores indicam que as primeiras peças de porcelana, de origem chinesa, desembarcaram no Brasil na década de 1580. Já o surgimento de uma louça de mesa fina brasileira, de produção industrial, teve que esperar alguns séculos para acontecer. Tudo começa na antiga tradição portuguesa da olaria, com o fabrico de peças utilitárias de barro vermelho cozido.

No Brasil, a produção de olaria, liderada por portugueses, começou a ser uma indústria efetivamente, seja pela escala de produção, seja pela regularidade e continuidade do fornecimento, no início do século XIX, embora a produção artesanal para atender o consumo em pequena escala existisse já muito antes.


Moringa, Brasil, séc. XIX, coleção Clotilde de Carvalho Machado, Rio de Janeiro. Fonte: 'Arte Cerâmica no Brasil', de Pietro Maria Bardi, Ed. Banco Sudameris Brasil S.A., 1980.


Esta indústria surgiu para a fabricação de material de construção: tijolos, telhas, tubos e sifões de esgoto, basicamente nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Entretanto, várias destas olarias também produziam alguns artigos utilitários. Nesta mesma época há também um aumento da produção artesanal, em quase todos o país.

A indústria de olaria se expande acentuadamente após a chegada da Família Real. Começa então uma grande diversificação dos artigos fabricados (talhas, canecas, pratos, boiões, sopeiras, garrafas, moringas, urinóis, escarradeiras, medalhões decorativos, ornamentos para fachadas e jardins, vasos, etc) e um grande esforço para a melhoria técnica destes artigos.


Poncheira fabricado no Rio. Fonte: 'O Brasil e a Cerâmica Antiga', de Eldino Brancante. S.C.P., São Paulo, 1981.


Começam a surgir peças de louça vidrada, bem como artigos com engobes claros e amarelados para imitar a faiança (revestia-se a louça de barro vermelho com uma camada de argila mais clara). Estas peças, conhecidas como “meia-faiança”, eram produzidas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

Edino Brancante em “O Brasil e a Cerâmica Antiga”, de 1981, afirma que embora os primeiros documentos encontrados comprovando a fabricação de louça vidrada no Brasil sejam do início de século XIX, provavelmente esta já seria produzida em nosso país na primeira metade do século XVIII, na Bahia, e pelo final da segunda metade do mesmo século em Caeté, Minas Gerais.


Minas Gerais


Jarras e ânforas - MG, séc19 - Col. Paulo Vasconcellos. Fonte: site www.eba.ufmg.br.


No século XVIII, durante o ciclo do ouro, a vinda de portugueses para o Brasil, em especial para Minas Gerais, foi tão grande que vários decretos foram baixados tentando regulamentar esta verdadeira evasão: Portugal tinha nesta época uma população de 2 milhões de habitantes, e apenas naquele século mais de 800 mil portugueses vieram para o Brasil.

E vários destes tinham conhecimento cerâmico, e passaram a produzir artigos artesanais rudimentares nas cidades onde se instalaram, para uso diário.

Com a descoberta de argilas de boa qualidade em Minas Gerais, nos séculos XVIII em Caeté (1777-1786) e XIX em Congonhas do Campo (1809 -1812), imediações de Vila Rica (Ouro Preto - 1816-1822), e São Caetano (atual Brasópolis; teve sua argila analisada em Sèvres, sendo considerada um caulim de boa qualidade ― 1855), várias fábricas artesanais de louça vão surgindo nas imediações da capital da província: São Caetano, Caeté (que em 1858 recebeu a então significativa quantia de cinco contos de réis do Governo Provincial, para ampliação e melhorias na produção cerâmica, aparentemente sem sucesso), Passos, Taquaruçu, Ouro Branco, Prados e Chácara Saramenha (próxima à Vila Rica).


Tigela (malga) Saramenha, MG, séc. XIX - coleção Paulo Vasconcelos, SP. Fonte: ''Arte Cerâmica no Brasil', de Pietro Maria Bardi, Ed. Banco Sudameris Brasil S.A., 1980.


Esta última, a Cerâmica Saramenha, criada entre 1802 e 1808 pelo padre Viegas de Meneses (detentor da técnica de produção) e Antônio José Vieira de Carvalho (proprietário da Chácara Saramenha), foi a que melhor venceu as dificuldades de se manter uma manufatura naqueles tempos, e por isso mesmo, a que mais prosperou.

A técnica característica desta fábrica consistia no uso de uma argila quase negra, que depois de queimada fica cinza, sendo vidrada com óxido de ferro e pedra moída derretidos em panelas de ferro adaptadas aos rústicos fornos da época.

Era uma cerâmica grosseira e pesada, e muito conhecida entre os viajantes estrangeiros, que registraram em seus diários as peculiaridades de um artefato que só seria valorizado mais de um século depois, por conta de estudiosos e colecionadores.

A maior contribuição da Cerâmica Saramenha foi ter sido responsável pela formação de vários artesãos que posteriormente disseminaram a técnica por outras cidades, ao longo do caminho da Estrada Real. A tradição da cerâmica Saramenha é mantida ainda em nossos dias. A Fazenda Saramenha encerrou suas atividades antes de 1851, segundo relato de Augusto de Menezes, no Correio Oficial de Minas, de 13/01/1859.


Cerâmica Nacional


Paliteiro - Cerâmica Nacional - coleção Fabiano Lopes de Paula - BH.


Aproveitando a disponibilidade de caulim em Caeté, e seguindo a tradição desta indústria na cidade, em 13 de julho de 1893, é fundada por João Pinheiro da Silva aquela que podemos considerar a mais importante das fábricas deste período pioneiro da indústria de louças no Brasil: A Cerâmica Nacional.

Ela foi implantada na Chácara do Tinoco, recém comprada por João Pinheiro, onde havia uma mina de caulim (argila branca, matéria-prima base da faiança e da porcelana), e já funcionava uma cerâmica rudimentar.

A nova fábrica tinha como objetivo maior, declarado em sua ata de fundação, o aprimoramento da qualidade técnica da fabricação de louça, para se obter artigos finos, visando alcançar a produção de porcelana.

A Cerâmica Nacional entrou efetivamente em operação em 1894. Por esta época já existiam na cidade do Rio de Janeiro algumas manufaturas cerâmicas de certa importância, produzindo louça branca, e João Pinheiro entrou em contato com o proprietário de uma delas, que já apresentava um certo porte industrial, para trocar idéias sobre os processos tecnológicos que ele pretendia adotar em Caeté.


Bule da Cerâmica Nacional, de 1903, alegadamente em porcelana. Fonte: 'O Brasil e a Cerâmica Antiga', de Eldino Brancante. S.C.P., São Paulo, 1981.


A grande e fundamental diferença trazida para o país pela Cerâmica Nacional foi o seu caráter de indústria capitalista, com o uso de máquinas para a produção, deixando de lado o trabalho artesanal, típico das manufaturas já existentes. João Pinheiro, pela primeira vez na história de nossa indústria de louças, importou máquinas e tecnologia moderna. Também foi de primordial importância o auxílio técnico de Carlos Thomaz de Magalhães Gomes e Saturnino de Oliveira, químicos da Escola de Minas, em Vila Rica, responsáveis pelo estudo e aprimoramento e purificação da matéria-prima de Caeté.

Já no final de 1894 toda a linha de produtos planejada por João Pinheiro, que ia desde a louça mais simples e barata, até a porcelana, passando pela faiança e pelo grés, se encontrava pronta para iniciar produção. Entre 1903 e 1921 esta fábrica produziu porcelana de forma industrial. João Pinheiro desenvolveu peças de porcelana, decoradas em ouro, que causaram admiração em especialistas franceses.

Uma outra inovação trazida por João Pinheiro foi a produção de catálogos das linhas de produtos da fábrica, já em 1895, como atesta documentação existente no Arquivo Público Mineiro. Em 1899 lança um catálogo artístico, com fotografias de peças decoradas, principalmente das linhas de porcelana.

A Cerâmica Nacional comercializou seus produtos não apenas em Minas Gerais, mas também no Rio de Janeiro, São Paulo e cidades do sul.

Esta fábrica marcou a principal atividade econômica de Caeté por dezenas de anos. Esta fábrica também forneceu tijolos, telhas, manilhas e lajotas para pavimentação, entre outros artigos cerâmicos, para a construção de Belo Horizonte, a nova capital de Minas Gerais, que teve João Pinheiro como um dos seus principais idealizadores.

Uma curiosidade: o primeiro carro a circular em Minas Gerais pertenceu a João Pinheiro, adquirido entre 1902 e 1905, mas que não era usado para seu prazer, e sim para transportar produtos de Caeté até Sabará, através da primeira estrada do estado, construída também por João Pinheiro, exclusivamente para passar o seu veículo, que puxava o carro transportador de mercadorias em um monorail de trilhos de madeira. A pequena distância de 20 quilômetros era percorrida em quatro horas, na “incrível” velocidade de 5 Km/h! De Sabará a produção seguia de trem para Belo Horizonte e de lá para outras cidades do país.


Carro de João Pinheiro usado para transportar a produção. Fonte: site www.carroantigo.com


João Pinheiro morreu precocemente em 1908, aos 48 anos. Em 1921 a fábrica muda de nome para Cerâmica João Pinheiro, em homenagem ao seu fundador. Ao menos até 1978 ainda estava ativa (ano de publicação de um catálogo), porém produzindo apenas refratários usados em fornos siderúrgicos.

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