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14 de janeiro de 2011

Primórdios

Estimulado por uma postagem no blog "Velharias", sobre as antigas faianças portuguesas da Fábrica de Sto. Antônio do Vale da Piedade, na coleção do Museu do Açude, aqui no Rio de Janeiro, fiquei com vontade de publicar algumas fotos e ilustrações da produção cerâmica brasileira em seus primórdios.

Boa parte desta produção era em terracota, muitas vezes engobadas em branco, ou pintadas em cores variadas. O material documental infelizmente é muito escasso, e mais escassas ainda as informações sobre as peças, quem as fabricou, em que estado, etc.

No Brasil, a produção de olaria começou a ser uma indústria efetivamente, seja pela escala de produção, seja pela regularidade e continuidade do fornecimento, no início do século XIX, embora a produção artesanal para atender o consumo em pequena escala já ter começado muito antes.

A indústria cerâmica, liderada por portugueses, surgiu principalmente para a fabricação de material de construção: tijolos, telhas, tubos e sifões de esgoto, nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Entretanto, várias destas olarias também já produziam alguns artigos utilitários simples. Nesta mesma época, há também um aumento da produção artesanal, em quase todos o país, na qual a mão de obra indígena, já experiente, foi de relevante contribuição.

Com o tempo, começam a surgir peças de louça vidrada, bem como artigos imitando a faiança com engobes (revestia-se a louça de barro vermelho com uma camada de argila mais clara) claros e amarelados. Estas peças, conhecidas como “meia-faiança”, eram produzidas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.




Ilustrações de peças de terra cota fabricadas no Brasil, em livro do francês Thierry Frères - 1835.


Edino Brancante em seu livro “O Brasil e a Cerâmica Antiga”, de 1981, afirma que embora os primeiros documentos encontrados comprovando a fabricação de louça vidrada no Brasil sejam do início de século XIX, provavelmente esta já seria produzida em nosso país na primeira metade do século XVIII, na Bahia, e pelo final da segunda metade do mesmo século em Caeté, Minas Gerais.

Esta indústria se expande acentuadamente após a chegada da Família Real no Brasil. A partir deste momento, começa uma grande diversificação dos artigos utilitários fabricados (talhas, canecas, pratos, sopeiras, garrafas, moringas, potes, urinóis, escarradeiras, medalhões decorativos, ornamentos para fachadas e jardins, vasos, etc) e um grande esforço para a melhoria técnica destes artigos.





Apenas na segunda metade do século XIX que as cerâmicas brasileiras começaram a produzir, além dos vasilhames e outras peças utilitárias simples, objetos de um certo requinte, mercadorias especialmente destinadas à burguesia emergente, como pratos figurados com personagens ilustres, taças-lembrança de visitas a santuários, bibelôs, porém pouca coisa em comparação com as que eram importadas.

Começou pela década de 1850, no Rio de Janeiro, à rua do Espírito Santo 45, a Fábrica Nacional de louça branca vidrada, de José Gory. Fabricavam figuras para jardim, ornatos, vasos, globos, pinhas, repuxos, bustos, leões, colunas, balaústres, capitéis, baixos-relevos.



Peças de fabricação de Francisco Antônio Maria Esberard, apresentadas na Primeira Exposição Nacional de 1861. Litografia do livro "Recordações da Exposição Nacional", de 1861.


Talha "Maricá" em cerâmica; século XIX (1866); fabricada em Maricá, RJ; pertenceu à Casa Imperial; 950 x 630mm. Até o século XIX muitas louças fabricadas no Brasil eram de barro vermelho, branco ou escuro. Para enriquecer as de barro vermelho os artífices davam-lhe decoração de ouro. Deste modo foram feitas as antigas talhes de água, que nas copas ocupavam lugar de destaque. Foto : Rômulo Fialdini - Livro MHN - Banco Safra


Moringa de cerâmica; século XIX; Brasil; pertenceu ao Paço Imperial de Valença, Rio de Janeiro; 313 x 204 mm. Com as Armas Imperiais do Brasil acompanhando decoração típica da época.



Foto de exemplares da produção cerâmica brasileira no álbum "Recordação da Exposição Nacional de 1866". Quem quiser ver outras fotos desta exposição, pode seguir este link.




Dois momentos da "Exposição Continental" de Buenos Aires, em 1882, mostrando a produção cerâmica brasileira. É curioso notar no estande da foto inferior que em meio aos artigos para decoração de fachadas e muradas estão também tijolos, telhas e canos.
Na foto superior o que mais se vê são moringas, e em seguidas vasos, urnas, pinhas, potes, entre outras peças. Cabe notar que não se vê qualquer tipo de cerâmica de mesa, como sopeiras, pratos, travessas, etc, o que só iria aparecer mais tarde, na virada do séc. XIX para o XX, quando surgem as primeiras fábricas de louça branca autêntica no Brasil.




Anúncio de 1884.





Pratos engobados, de inspiração portuguesa, provavelmente produzidos em Caeté - coleção Paulo Vasconcelos, SP - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981.



Pinha e ânfora em louça vidrada, manufatura A. Ferreira & Irmão - SP - coleção Issac Alex Catap - SP - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981



Talha fabricada no Rio de Janeiro - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981.



Moringa, Brasil, séc. XIX, coleção Clotilde de Carvalho Machado, Rio de Janeiro - livro 'Arte Cerâmica no Brasil', de Pietro Maria Bardi, Ed.Banco Sudameris Brasil S.A., 1980.



Jarras e ânforas - MG, séc XIX - Col. Paulo Vasconcellos - site www.eba.ufmg.br.


exemplo de cerâmica em estilo Saramenha produzida atualmente, com as mesmas técnicas de mais de 150 anos.



Bule verde esponjado fabricado pela Cerâmica Santa Cruz, de Piracicaba, SP (séc. XIX). Coleção Maria Elisa Pereira Bueno e Paulo Vasconcellos (SP) - livro BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. S.C.P., São Paulo, 1981.



Produtos da Ceramica Nacional (1898) - site www.israelpinheiro.org.br

12 de janeiro de 2011

Destaque



açucareiro
Porcelana Pandolfi & Mestriner
porcelana
decoração com decalques e detalhes em ouro

O destaque aqui é por conta da marca, que não é muito comum de se encontrar.

à venda no Mercado Livre:
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-166576789-acucareiro-jundiai-_JM

9 de janeiro de 2011

A majestade das sopeiras - CÉRAMUS

Pela grande quantidade de peças Céramus facilmente encontradas em nossos dias, se acredita que esta fábrica foi uma das maiores de sua época. Mesmo assim, seu porte e produtividade não parece ter se equiparado ao das maiores fábricas da primeira metade do século XX no Brasil. A linha de produção da fábrica cobria toda a gama de louça de mesa, cozinha, toalete e infantil.

Vejam agora os poucos exemplos de sopeiras fabricadas por esta cerâmica que eu pude reunir nesta postagem:



coleção Jandira Antonieta


coleção Porcelana Brasil


coleção Washington Marcondes





6 de janeiro de 2011

A majestade das sopeiras - E.B.

Mais uma sopeira em miniatura, de brinquedo para crianças, desta vez da Fábrica de Louças E.B.. Também como no caso da Campo Largo, até hoje vi pouquíssimas peças desta outra fábrica do estado do Paraná.




Abaixo uma foto (muito ruim, infelizmente, pois estavam dentro de uma vitrine fechada) de outra sopeira minuatura como a anterior, junto com outras peças do jogo de brinquedo.




O que eu acho mais bacana é que apesar de muito pequena, a peça é cheia de detalhes, como por exemplo, as abas em esponjado, e apenas a metade inferior do corpo da sopeira em relevo canelado.

5 de janeiro de 2011

A majestade das sopeiras - CAMPO LARGO

Da fábrica de faiança Cerâmica Campo Largo eu só conheço apenas um modelo de sopeira, que na verdade é uma miniatura de brinquedo, para crianças! Até hoje vi pouquíssimas peças desta fábrica do estado do Paraná. Quem sabe esta peça infantil reflita um modelo "adulto". Mesmo que não, é um exemplar curioso e interessante.


coleção Porcelana Brasil

3 de janeiro de 2011

A majestade das sopeiras - CERÂMICA CARLOS GOMES

Desta vez há apenas uma foto nesta postagem, e talvez muitos achem a sopeira abaixo deveras feinha (eu não concordaria! acho a peça muito bonita! uma sopeira de paredes caneladas, a única que vi assim até hoje!), mas ela merece este post por ser uma peça fabricada no final da década de 1930, por um dos maiores pioneiros da indústria de porcelana no Brasil: Francisco Pozzani.

Cerâmica Carlos Gomes foi o primeiro nome da fábrica de Francisco Pozzani, tempos depois rebatizada como "Porcelana Pozzani" (Ind. Francisco Pozzani S/A). Esta fábrica existe até hoje, porém não mais com o grupo fundador, e atravessa uma severa reestruturação operacional e financeira, depois de ter aberto concordata em 2007.

Por volta da época em que esta robusta e pesada sopeira foi fabricada, fábricas de porcelana doméstica era algo praticamente inexistente em nosso país.

Então, aqui está a anciã de respeito!

A majestade das sopeiras - BARÃO DO RIO BRANCO

Hoje trago uma seleção de fotos de sopeiras da Porcelana Barão do Rio Branco, fábrica carioca (RJ) que funcionou não por muito tempo, de aproximadamente 1947 a 1967. Como vocês mesmos perceberão, não houve uma grande variação de modelos nesta fábrica, o mesmo acontecendo não apenas nos jogos de jantar, como demonstram as sopeiras, mas também nos jogos de café, chá e bolo. Mesmo as decorações, que eram mais variadas do que os modelos, também não eram muito numerosas, como podemos ver em outras fábricas brasileiras, mesmo as que duraram tão pouco quanto a Barão do Rio Branco.


coleção Porcelana Brasil


cortesia coleção Maria Bernadete da Silva






cortesia coleção Alice I.O e Silva







2 de janeiro de 2011

A majestade das sopeiras - ADELINAS

As sopeiras, nos jogos de jantar, estão para os bules nos jogos de chá -- são as peças maiores, e onde o modelador e o decorador dedicaram maior atenção. São as peças que definem o estilo do conjunto; lá estão por completo todos os elementos decorativos que iremos ver ecoando nas demais peças do jogo.

Desta forma, poderíamos dizer que as sopeiras são as "rainhas" dos jogos de jantar, da mesma forma que o bule seria o "rei" do jogo de chá. Vejamos agora 10 exemplos de sopeiras e legumeiras produzidas no Brasil pela Fábrica de Louças Adelinas, de São Caetano do Sul, SP, fabricante de faiança fina, que operou de meados da década de 1920 até finais da década de 1940.

Obs.: algumas fotos infelizmente não tem a qualidade que eu gostaria que tivessem, pois foram salvas de sites de leilão. As usei assim mesmo por considerar que ajudam a nem ilustrar a variedade de modelos e decorações desta fábrica.


déc. 1920
decoração em relevo trigal
cortesia coleção Washington Marcondes


déc. 1920
decoração em relevo trigal
cortesia coleção Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul


circa 1933
decoração com decalques
cortesia coleção Porcelana Brasil


circa 1933
decoração com decalques


circa 1933
decoração com estanhola

circa 1937/1939
decoração com estanhola
cortesia coleção Porcelana Brasil



circa 1939/1942
decoração com estanhola
cortesia coleção Porcelana Brasil

circa 1939/1942
decoração com estanhola
cortesia coleção Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul

circa 1939/1942
decoração com decalques
cortesia coleção Paulo Carvalho


déc. 1940
decoração com estanhola
cortesia coleção Porcelana Brasil

1 de janeiro de 2011

Feliz 2011!

Este post é para celebrar o novo ano que apenas começa, e desejar a todos os meus amigos e seguidores deste blog um FELIZ 2011!!!

Para não fugir ao espírito do blog, apresento duas fotos.

A primeira é a mesa para a minha última ceia em 2010, com louça de faiança Zappi (déc. 1940/1950) e porcelana Rami (déc. 1930/1940) todas com o mesmo decalque de uma cornucópia com frutas e flores.





Nesta mesa há ainda duas pequenas cornucópias da Cerâmica Santana (circa déc. 1950) com nossas mandingas para 2011.



As tulipas e as taças de champagne de cristal são alguns dos pouquíssimos copos que sobraram do serviço de casamentos de meus pais, em 1963.


A segunda foto é a mesa para o meu primeiro almoço em 2011, desta vez com louça de faiança praticamente toda da Cerâmica Matarazzo (déc. 1940), algumas peças decoradas com o padrão Willow (marca Mod. Kanton e marca "São Caetano") e outras com o padrão Mongólia (marca Mod. Oxford).





Nesta mesa há ainda uma xícara de café Adelinas (circa 1937) e outra Cerâmica Miranda Coelho (1954/1964), ambas de faiança.




Então, FELIZ 2011 PARA TODOS!!!
Saúde, felicidade, trabalho, diversão, amor e fartura para todos nós neste novo ano.

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