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12 de dezembro de 2011

peças modernistas - Ars Bohemia

Continuando no clima do post anterior, agora apresento algumas peças de caráter modernista da Ars Bohemia.

A família Szakmáry, de origem húngara, fundou em São Paulo (1951) a fábrica de decoração em porcelana “Ars Bohemia”. Segundo consta nos Anuários BANAS da Indústria Brasileira, a fábrica foi fundada pelos imigrantes húngaros Karoly Szakmáry, Eva Szakmáry e Edina Herendi em 1951.

Também fazia parte da fábrica Marika Szakmáry, que foi por muitos anos a diretora artística da Ars Bohemia. Em 1971, Levente Szakmáry, marido de Marika aparece também como sócio da empresa, no lugar de Edina Herendi. Marika e Levente eram de duas famílias que na Hungria, antes do regime comunista, possuiam fábricas de porcelana. Se quiser saber mais sobre isso, consulte este antigo post aqui no blog, onde contei um pouco desta história.

Voltando ao nosso assunto principal, abaixo vocês poderão ver alguns exemplos de decorações modernistas criadas pela Ars Bohemia. Como já foi dito, esta empresa fazia apenas decoração de porcelana branca produzida em outras fábricas, e portanto não tinham controle sobre os modelos das peças. Desta forma, as peças cuja modelagem eram também de caráter modernista, é mérito das fábricas que produziram a porcelana branca.


Já foram observadas peças Ars Bohemia cuja porcelana branca era proveniente de uma das seguintes fábricas: Real, Steatita, Schmidt, Mauá, D. Pedro II, Condessa, São Paulo e Inter-American. Há ainda diversas peças Ars Bohemia sem qualquer identificação do fabricante da porcelana branca.

coleção site Porcelana Brasil

A produção da Ars Bohemia, a partir do que já foi observado, parece ter sido principalmente de jogos de chá e café e de peças decorativas (vasos de diversos tamanhos e formatos, porta-joias, potes, cigarreiras e cinzeiros), mas também inclui outras peças utilitárias, como canecas, petisqueiras, tigelas, saladeiras e travessas de vários tamanhos e formatos, pratos rasos, fundos e de sobremesa, bandejas para bolo, moringas, jarras, jogos de salada, jogos para patê e galheteiros.


A decoração das peças da Ars Bohemia é também muito variada, com peças pintadas à mão com grandes manchas escorridas e/ou sopradas, lembrando um pouco a técnica "tie-dye" de tingimento de tecidos; peças pintadas inteira ou parcialmente de uma única ou mais cores; peças brancas com douração; peças pintadas inteiramente de uma única cor, com desenhos vazados em branco; uso de decalques Chintz e Paisley cobrindo toda ou quase toda a superfície da peça; uso de decalques florais, cenas românticas, motivos étnicos, orientais, infantis, geométricos e abstratos, combinados ou não com douração ou filetes coloridos.


25(h) cm

cortesia coleção Luiz Sá - BH - MG

16(h) cm


As peças com decoração modernista, na minha opinião, não são as melhores produzidas por esta fábrica que funcionou até meados dos anos 1970. São muitas vezes pesadas, mal acabadas, parecendo que foram feitas às pressas. O uso do estilo modernistas parece mais um desculpa para se fazer decorações simples e rápidas. Entretanto, algumas peças resultaram bem interessantes.






15(h) cm | coleção site Porcelana Brasil

22(h) cm



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Atualização do post:

Como vocês podem ver no comentário abaixo, deixado pelo blog  "Cerâmica Modernista em Portugal" (CMP), foi-me por eles informado que as peças modernistas da Ars Bohemia aproximam-se em alguns casos da produção da década de 1950 da fábrica Zsolnay Porcelánmanufaktúra, da Hungria, país de origem de todos os diretores da Ars Bohemia. Esta aproximação se daria em particular com as peças criadas por Janos Török.

O pessoal do CMP me enviou algumas fotos de peças desta fábrica, e me autorizou a compartilhar estas fotos com os leitores deste blog. Agradeço ao CMP pelas gentileza, as fotos e as informações.

peças da fábrica Zsolnay - foto cortesia © CMP

peças da fábrica Zsolnay - foto cortesia © CMP

peças da fábrica Zsolnay - foto cortesia © CMP


Abaixo, mais algumas fotos de fabricação da Zsolnay, criadas por Janos Torok, onde podemos perceber algumas semelhanças com as peças Ars Bohemia modernistas:





O CMP também me enviou esta foto de uma jarra de caráter modernista da fábrica Hollóháza, obtida no site de leilões eBay. Levente Szakmáry, um dos diretores da Ars Bohemia, teria sido o herdeiro da fábrica Hollóháza Porcelán (Hungria), se a segunda guerra mundial e o comunismo não tivessem mudado o rumo dos acontecimentos.

Mesmo que no período em que esta jarra foi produzida Levente já se encontrasse no Brasil, à frente da Ars Bohemia, é perceptível como o espírito da época estava circulando por todos os cantos do planeta, pois a década de 1950 já era uma era onde as informações começavam a circular cada vez mais rapidamente, deixando os povos cada vez mais próximos.

jarra da fábrica Hollóháza - 25(h) cm - foto cortesia © CMP

11 de dezembro de 2011

peças modernistas - Zappi

Totalmente influenciado pelo recente posta da querida Maria Andrade, que me levou aos blogs "Moderna uma outra nem tanto" e "Cerâmica Modernista em Portugal", resolvi mostrar algumas peças de caráter modernista, criadas pela Indústria de Louças Zappi, de São Paulo, SP.

A produção da Zappi é mais conhecida principalmente pela louça decorativa, talvez o seu forte, que possui muita influência da faiança italiana e da louça oriental, mas tudo reinventado de uma forma bastante original. A decoração é muito exuberante e exagerada, com padrões largos, em cores intensas e saturadas, complementadas por dourados. E mesmo assim, conseguem se manter elegantes, não são muito pesadas, como o que aconteceu em outras cerâmicas brasileiras.

Se quiser conhecer exemplares de peças decorativas Zappi, veja aqui neste link.

A louça utilitária tem um caráter mais tradicional, com belas decorações florais em decalques, por vezes complementadas com pintura à mão-livre, ou inteiramente feitas à mão-livre ou com uso de aerógrafo (pistola) e estanhola (molde vazado). Há também peças decorativas cuja decoração é mais tradicional, igualmente com uso de decalques e cores de fundo aplicadas com pistola.

Se quiser conhecer exemplares de louça utilitária de mesa Zappi, veja aqui neste link.

Mas lá pelos anos 1950 aconteceram algumas experiências de modelagem e decoração mais alinhada ao gosto daquela época, como se pode ver nas fotos abaixo, que foram originalmente publicadas no livro "A Cerâmica no Brasil e no Mundo", de Aristides Pileggi, publicado em 1958.





Infelizmente tenho poucas fotos de exemplares modernistas da Zappi. São apenas 3 fotos não muito boas, obtidas em um site de leilões, mas que de certa forma, junto com as fotos acima, ilustram um pouco esta produção modernista.


fruteira
25(c) x 12(l) x 8,5(h) cm


jarra ou vaso
23(h) cm


jarra ou vaso
25(h) cm

2 de novembro de 2011

bule com aquecedor - Porbrás








bule com aquecedor
Porbras S/A Ind. e Com. de Cerâmica e Louças
Guarulhos - SP
? déc. 1960/1991
pintura à mão livre

fonte: site Mercado Livre

28 de outubro de 2011

malga - Cerâmica Iguassú



malga
Cerâmica Iguassú
Campo Largo - PR
louça de pó de pedra
decoração com estanhola e filetes
1946+

fonte: site Mercado Livre

13 de outubro de 2011

floreiro - Alcobaça Artística

Para ilustrar o que afirmei no post anterior, aqui está um floreiro Alcobaça Artística que apareceu hoje no mesmo site de leilões de onde obtive a foto da pequena caixa Luiz Salvador:





floreiro
Alcobaça Artística
Itaipava - RJ
18cm (alt.) x 15cm (larg.) x 8cm (prof.)
faiança
decoração pintada à mão livre
déc. 1950

fonte: site Mercado Livre

12 de outubro de 2011

caixa pequena - Cerâmica Luiz Salvador





caixa pequena
Cerâmica Luiz Salvador
Itaipava - Rio de Janeiro
faiança
decoração pintada à mão, de inspiração portuguesa (Alcobaça)
1952+

fonte: site Mercadolivre.com


O que me interessou em particular nesta peça é sua marca ser manuscrita, ao invés de carimbada, como se observa em praticamente todas as peças Luiz Salvador mais antigas. Este fato, além da decoração muito parecida com a executado por Luiz Salvador em sua primeira fábrica ao chegar no Brasil, a Alcobaça Artística, me faz acreditar que esta peça deve ser logo do início da fábrica, que foi aberta em 1952.

9 de outubro de 2011

sopeira - Cerâmica Conrado Bonádio





sopeira
Cerâmica Conrado Bonádio
louça de pó de pedra
decoração com estanhola e aerógrafo
circa déc. 1950


Esta graciosa sopeira, com uma decoração muito singela, beirando o ingênuo, era o que eu gostaria de comprar esta semana, mas ainda estou indeciso, pois além de eu já ter umas 3 peças de mesmo formato (mas não com esta decoração com estanhola, todas as outras são com decalques), ela está com um preço um tanto quanto elevado, e não gosto de ajudar a inflacionar o mercado de usados daqui. Não está com um preço fora da realidade, mas está o dobro do que eu normalmente pago por este tipo de peça.
Acho que vou pensar alguns dias mais, e deixar a sorte decidir por mim, caso alguma outra pessoa a compre antes de mim. Acho que até estou "flertando com o perigo", por a estar promovendo aqui.

7 de outubro de 2011

Bordallo Pinheiro convida artistas brasileiros para criação de peças inéditas

fonte: http://www.publico.pt/Cultura/bordallo-pinheiro-convida-artistas-brasileiros-para-criacao-de-pecas-ineditas-1514900

03.10.2011 - 16:55 Por Cláudia Carvalho

A conhecida fábrica centenária de faianças, Bordallo Pinheiro, desafiou 16 artistas brasileiros para criarem peças originais inspiradas na obra de Rafael Bordallo Pinheiro (1846-1905), fundador da empresa. O objectivo é levar o nome da fábrica para o Brasil, através da comercialização da colecção limitada desenhada pelos artistas e de uma exposição em São Paulo. O mesmo acontecerá em Lisboa.



“16 BB – Bordallianos do Brasil” é o nome do projecto artístico luso-brasileiro, que trará à fábrica das Caldas da Rainha, até Março de 2012, os 16 artistas plásticos brasileiros, que passarão dez dias em Portugal, de forma a ficarem familiarizados com o modo de fabrico das peças da marca, as várias técnicas utilizadas, assim como toda a história da fábrica. No total serão 16 peças únicas, limitadas a 250 exemplares para comercialização (125 exemplares destinados ao mercado português e outras 125 peças para o Brasil).

“2012 será o ano da internacionalização da marca no mercado brasileiro e por isso faz sentido lançarmos este projecto”, disse ao PÚBLICO, Nuno Barra, director de marketing da Bordallo Pinheiro, explicando que é objectivo da fábrica lançar todos os anos uma campanha com artistas e países com quem Broldallo Pinheiro tinha uma relação mais directa.

O pintor Caetano de Almeida, que vive e trabalha em São Paulo, será o primeiro a dar início ao projecto artístico, estando já em Portugal para conhecer a empresa. Mas não só da pintura se fará o projecto, que pretende apresentar peças das várias áreas artísticas, da pintura à escultura, passando pela moda e fotografia. Depois de Caetano de Almeida, seguem-se Saint Clair Cemin (escultura), Barrão (pintura, escultura, multimédia), Tunga (escultura e desenho), Regina Silveira (vídeo-arte), Efrain de Almeida (escultura), Fábio Carvalho (objecto, fotografia, desenho, assemblage, multimédia) , Frida Baranek (escultura), Marcos Chaves (fotografia e vídeo), Sérgio Romagnolo (pintura, escultura), Tonico Auad (desenho, instalação e fotografia), Tiago Carneiro da Cunha (pintura e escultura), Erika Versutti (escultura), Estela Sokol (pintura) e as estilistas Isabel Capeto e Martha Medeiros. A regra é simples: um artista, uma peça, uma reinterpretação contemporânea do legado deixado por Bordallo Pinheiro.

“Rafael Bordallo Pinheiro tinha uma ligação ímpar com o Brasil, onde viveu anos antes de criar as Faianças Bordallo Pinheiro, fundando diversos projectos jornalísticos e culturais. Sentimos, ao lançar o convite a estes 16 artistas contemporâneos brasileiros, que este seria, indiscutivelmente um projecto com o qual Rafael se identificaria”, acrescenta, em comunicado, Nuno Barra, lembrando que Bordallo Pinheiro deixou, há mais de cem anos, a “Jarra Beethoven”, uma peça com 2,60 metros de altura, exemplar único e considerado o mais emblemático da marca, que o artista ofereceu à Presidência da República do Brasil, em 1899, e que está exposta actualmente no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

À semelhança do que aconteceu em Março, num projecto semelhante, onde a Fábrica Bordallo Pinheiro apresentou sete peças originais no Museu do Design e da Moda, em Lisboa, estas peças inéditas serão lançadas no final de 2012 em duas exposições, uma em Lisboa e outra em São Paulo, em espaços ainda a definir.

Para os interessados na compra, em Portugal as peças vão estar disponíveis nas lojas da Vista Alegre e da Bordallo Pinheiro, enquanto no Brasil vão ser comercializadas em galerias de arte.

A Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha foi fundada em 1884 com o propósito de revitalizar as artes tradicionais da cerâmica, cruzando-as com a modernidade de diversos estilos que anunciavam o futuro e com a originalidade e irreverência do seu criador, Rafael Bordallo Pinheiro. Esteve para encerrar há dois anos por dificuldades financeiras, tendo sido depois adquirida pela Visabeira Indústria.

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meu muito obrigado ao amigo LuisY por ter me avisado da matéria, senão a teria perdido.

5 de outubro de 2011

travessa - Manufatura Brasileira de Louças (M.B.L.)





travessa
Manufatura Brasileira de Louças (M.B.L.)
São Caetano do Sul - SP
louça de pó de pedra
decoração com superfície em relevo "cesta" e estanhola em tons de verde
1947/1952
30 x 22 cm

fonte: site Mercado Livre

A M.B.L. é apenas o novo nome comercial dado à Fábrica Adelinas, após o desquite de Manuel de Barros Loureiro (M.B.L.) de sua esposa Adelina.

4 de outubro de 2011

Peças da Bordallo Pinheiro em filme de Almodóvar

fonte: http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2011/09/15/pecas-da-bordallo-pinheiro-em-filme-de-almodovar/



Várias peças da Bordallo Pinheiro, fábrica das Caldas da Rainha, estão em grande destaque na nova película do realizador espanhol Pedro Almodóvar, “La Piel que Habito”, um filme que acaba de estrear em Espanha após o excelente acolhimento da crítica no Festival de Cannes.

As típicas terrinas e peças decorativas das Faianças Bordallo Pinheiro, que fazem parte da imagem típica de Portugal, entre as quais “Abóboras”, “Tomates”, “Ananases” e “Laranjas”, assumem um papel de destaque em várias cenas do filme de Almodóvar, no décor de uma cozinha por onde passam os actores Elena Anaya, Marisa Paredes e António Banderas. O serviço de café “Colours” da Vista Alegre – chávenas, açucareiro e leiteira num apelativo e moderno tom cor-de-laranja – é também utilizado.

Para Nuno Barra, director de Marketing e Design Externo da Vista Alegre Atlantis e da Bordallo Pinheiro, “é um enorme orgulho sermos embaixadores da cultura portuguesa, num filme de Pedro Almodóvar, com peças da Vista Alegre e da Bordallo Pinheiro, que atravessarão fronteiras em mais um sucesso do aclamado cineasta espanhol”.

“Estamos muito satisfeitos por esta colaboração, que resulta de um caminho muito ambicioso que a Vista Alegre Atlantis tem trilhado nos últimos dois anos, aliando a sua tradição e excelência secular a uma renovação e contemporaneidade para a qual tem chamado um notável conjunto de artistas contemporâneos de peso, no panorama nacional e internacional. Esta reestruturação tem sido alavancada por uma agressiva estratégia de internacionalização e de expansão da rede de lojas próprias e pontos de venda, que tem levado a que muito mais públicos, de diferentes países e culturas, conheçam a excelência em porcelana, cristal e faiança de três marcas portuguesas centenárias detidas pelo Grupo Visabeira – a Vista Alegre, a Atlantis e a Bordallo Pinheiro”, sustenta Nuno Barra.

As peças Vista Alegre Atlantis e Bordallo Pinheiro, que Pedro Almodóvar escolheu para o seu novo filme “La Piel que Habito”, podem ser adquiridas nas lojas Vista Alegre Atlantis e na loja Bordallo Pinheiro das Caldas da Rainha.

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