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7 de junho de 2012

cerâmica Luso-Brasileira do Instituto Portucale

Há alguns anos uma pessoa entrou em contato comigo, para falar da criação, na cidade de Embu, interior do estado de Sâo Paulo, do INSTITUTO PORTUCALE, que teria por objetivo preservar e exibir um grande acervo de Cerâmica Luso-Brasileira. Hoje, por vias indiretas, estas coisas que nos acontecem na internet, acabei chegando ao site do Instituto. E resolvi fazer este post para poder divulgá-lo, e seu belo acervo, que além da faiança portuguesa e brasileira, possui muitas peças Cia das Índias.


Todo o material (texto e fotos) desta postagem veio do site do Instituto Portucale. Eu selecionei algumas fotos, mas recomendo que visitem o site para verem as demais.

http://www.institutoportucale.com.br/




O Instituto Portucale iniciou suas atividades em 2006 para abrigar uma coleção de cerâmica portuguesa do final do século XVIII ao início do século XX e sua relação com o Brasil – a cultura material luso-brasileira no período do Romantismo. A coleção foi iniciada em 1990 por João Paulo Camargo de Toledo.











As Fábricas do Acervo
As fábricas responsáveis pela produção da maioria das peças que compõem o acervo do Instituto, são de origem portuguesa, da cidade do Porto e estiveram em atividade no período entre o final do século XVIII e início do XX. A única exceção na coleção são as peças produzidas pela brasileira Cerâmica Luiz Salvador, de Itaipava, Rio de Janeiro.


- Fábrica de Santo Antonio do Porto, a fábrica com maior representatividade em número de peças no acervo;
- Fábrica de Massarellos;
- Fábrica de Miragaia uma das mais importantes no comércio com o Brasil, principalmente no 2º quartel do século XIX, quando arrenda as Fábricas de Santo Antonio, Massarellos e Carvalhinho e cria o Depósito das Fábricas do Porto, responsável pela comercialização de toda a produção portuense com o Brasil;
Fábrica de Carvalhinho;
Fábrica das Devezas José P. Valente.













O Acervo é composto por mais de 500 peças produzidas em cerâmica entre o final do século XVIII e início do XX, em sua maioria por fábricas portuguesa da cidade do Porto. É o testemunho da presença portuguesa no desenvolvimento urbano brasileiro e a relação comercial deste período entre os dois países - um capítulo da construção cultural luso-brasileira.

Inspiradas na Antiguidade Clássica, principalmente as alegorias e os vasos, estas peças se popularizam na época do Romantismo como ornamentação de jardins e fachadas de obras públicas e privadas em Portugal e no Brasil.

INSTITUTO PORTUCALE
Tel: 55 (11) 4704-4072
Estrada Taji Takahashi, 785 (antiga Estrada da Casa Velha, 754)
Chácara Marajoara - CEP: 06843-520 - Embu - SP - Brasil





obs: o texto acima foi resumido a partir do que consta no site do Instituto.

5 de junho de 2012

Jubileu de Diamante aquece venda de peças de cerâmica no Reino Unido

Hoje enquanto almoçava, estava passando em um canal de tv a cabo esta bela matérias sobre uma das últimas cerâmicas inglesas do período vitoriano que ainda está em funcionamento. A matéria é sobre como em ano de eventos reais (no caso, o Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth), os negócios vão muito bem.

Infelizmente não tem como inserir o video diretamente aqui no post, mas para quem gosta de cerâmica como eu, recomendo clicar no link abaixo, pois há fotos antigas e imagens atuais muito bonitas.

http://g1.globo.com/globo-news/mundo-sa/videos/t/todos-os-videos/v/jubileu-de-diamante-aquece-venda-de-pecas-de-ceramica-no-reino-unido/1978133/

Abaixo, alguns quadros do vídeo que eu capturei para ilustrar o post.







3 de junho de 2012

O tesouro encontrado nas escavações do Porto do Rio


fonte: http://oglobo.globo.com/rio/o-tesouro-encontrado-nas-escavacoes-do-porto-do-rio-5104975

Transformada num grande canteiro de obras, a Zona Portuária do Rio se tornou um valioso campo de arqueologia urbana. Desde janeiro de 2011, pelo menos quatro equipes de especialistas vêm percorrendo cerca de 5 milhões de metros quadrados, num trabalho de garimpagem que precede as construções do projeto Porto Maravilha, de revitalização e remodelação. Até agora foram recolhidos — ou apenas registrados — pedaços de cerâmica, cachimbo, ossos de animais, moedas, pulseiras, colares, resquícios de muralhas e outros vestígios que revelam um pouco da história da ocupação da cidade nos séculos XVIII e XIX. Só de canhões, já foram contabilizados sete. Uma lista que, segundo o último levantamento, totaliza 80 mil peças, somente na área que está sendo pesquisada pela equipe do Consórcio Porto Novo, responsável pelas escavações na maior parte da região.



Os últimos achados foram dois canhões, resgatados do subsolo da Praça Mauá e da altura da Avenida Primeiro de Março, na semana retrasada. Artilharia, que, pelos cálculos dos arqueólogos, parece datar dos séculos XVIII e XIX, e mede entre 2 e 4 metros.


Lá também foram descobertas, em abril, três âncoras medindo entre 3,5 metros e 4,35 metros que estavam no subsolo da região e, de acordo com as primeiras avaliações, datam da mesma época dos canhões.



Naquelas áreas também foi desenterrada, no dia 4 de maio, a pedra fundamental das Docas Dom Pedro II, lavrada em 15 de setembro de 1871 pelo engenheiro André Rebouças. As âncoras, os canhões e três balas de canhão, foram os objetos mais significativos recolhidos até o momento, na avaliação de Erika Gonzales.

O material, que está sendo classificado e pesquisado no Laboratório de Antropologia Biológica da Uerj, traz objetos que impressionam pelo bom estado de conservação, como um conjunto de três tinteiros ingleses de cerâmica, retirados intactos, durante escavações nos arredores da Praça Mauá. Num poço situado perto de um antigo arsenal da Marinha, as equipes se depararam com uma garrafa em perfeito estado, que acreditam ser do século XVIII. O acervo inclui, ainda, faianças inglesas do século XIX, cabos de colher, restos de sola de sapato de couro e pedaços de dentes de cavalos. Na Praça Mauá, foram prospectados principalmente peças do século XIX. Já na Primeiro de Março, alguns objetos do final do século XVIII. Nas proximidades da Avenida Primeiro de Março, esquina com a rua Visconde de Inhaúma, surgiu uma muralha de 50 metros de extensão, pertencente a uma artilharia da Marinha. Um outro pedaço de muralha foi desvendado mês passado. Segundo a prefeitura, até agora as escavações não provocaram atrasos nas obras do Porto Maravilha.

Os arqueólogos da Concessionária Porto Novo estão catalogando as peças e vão lançar em breve um museu virtual, onde o internauta poderá ver fotos e vídeos, além de um arqueoparque, que vai reproduzir em 3D alguns dos prédios e ruas dos séculos XVIII e XIX.

2 de junho de 2012

urna - Manufatura Nacional de Porcelana S/A






urna
Manufatura Nacional de Porcelana S/A (M.N.P.)
Rio de Janeiro - RJ
louça de pó de pedra
45 (h) x 27 (d) cm
decoração pintada à mão livre
circa 1927

fonte: site Mercado Livre

Esta peça é de uma marca difícil de ser encontada, daqui do Rio de Janeiro, uma das pioneiras na fabricação de louça de mesa (pó-de-pedra e porcelana fina) e azulejos no país, fundada em 1919. Em 1930 era considerada a maior do gênero na América Latina.
As peças de mesa e decorativas são difíceis de encontrar pois o principal produto desta fábrica era o azulejo.

saibam um pouco mais sobre a Manufatura Nacional de Porcelana neste antigo post: Manufatura Nacional de Porcelana é SIM a primeira!

30 de maio de 2012

Escavações revelam tesouros arqueológicos no Leblon

Num dos quarteirões do Leblon, onde o metro quadrado é um dos mais valorizados do Rio, a descoberta de um tesouro arqueológico promete trazer novas informações sobre a história da ocupação do bairro.

As arqueólogas Jackeline de Macedo e Ana Cristina Sampaio trabalham desde fevereiro na área, onde até o ano passado funcionava uma lavanderia. A pesquisa começou a pedido do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) e da prefeitura, no processo de licenciamento para a construção de um prédio no local. Como o Leblon é Área de Preservação do Ambiente Cultural e a General Urquiza fica próxima à Rua Dias Ferreira — que, segundo historiadores, seria o caminho do Quilombo do Leblon — a pesquisa foi solicitada antes do início das obras no terreno.





— Começamos as escavações em fevereiro e logo achamos fragmentos de louças finas produzidas fora do Brasil, no século XIX. Isso estava de acordo com a história de povoamento do Leblon no século XIX, quando esse terreno foi adquirido pelo francês Charles Leblon.

Logo depois começamos a achar objetos mais antigos, que indicavam uma ocupação anterior — explica Jackeline, coordenadora da pesquisa arqueológica.  Um dos exemplos que ilustra a ocupação anterior é uma moeda portuguesa datada de 1700.





foto:  Washington Fajardo

Após o término das pesquisas, a área será liberada para a nova construção. As peças estão sendo levadas para o Iphan e parte delas poderá ser exposta em museus.

Outro marco de ocupação no século XVIII são os vestígios de um muro no terreno — pelas características, grandes pedras e uma espécie de argamassa com areia e conchas, tudo indica que seja uma construção do século XVIII. Provavelmente é parte de uma estrutura maior.

Alguns objetos indicam ainda que um dos bairros mais valorizados do Rio era uma área de difícil acesso nos séculos XVIII e XIX, como ossos e pedaços de vidro, moldados em formato de ferramentas.

Francês deu nome ao bairro

Um dos bairros cariocas mais conhecidos do país, por já ter servido como cenário de diferentes produções da TV, o Leblon foi oficialmente fundado em julho de 1919, pelo então prefeito do Distrito Federal, Carlos Sampaio. Antes disso, o bairro já era chamado pelo nome que carrega até hoje, herança do francês Charles Leblon, dono de umq chácara cuja área se estendia da Rua Visconde de Albuquerque até a Rua General Urquiza ,e da praia até a Rua Dias Ferreira.

Após adquirir as terras, por volta de 1845, Leblon criou uma empresa que fazia a exploração da pesca de baleia. Na época, o óleo extraído do mamífero era utilizado como combustível no sistema de iluminação pública e na construção civil. Antes da chegada de Charles Leblon, a região abrigava chácaras e casas populares, sobretudo de pescadores.

Em 1857, Charles Leblon vendeu suas terras para Francisco José Fialho, que, por sua vez, distribuiu os terrenos entre alguns compradores.

29 de maio de 2012

gomil e bacia - Fábrica de Louças Santa Catharina





malga (tigela) grande
Fábrica de Louças Santa Catharina
São Paulo - SP
louça de pó de pedra
decoração pintada à mão livre
maio 1922 / agosto 1931
cortesia coleção Washington Marcondes

25 de maio de 2012

telhas "coloniais" - Luiz Salvador

Hoje de manhã fiquei encantado com o magnífico post da blogueira portuguesa Maria Andrade, sobre "Telhões de faiança", em seu blog Arte, livros e velharias.

Maria Andrade sempre publica posts muito interessantes (recomendo seu blog!) não apenas pelas fotos apresentadas, mas também por sempre buscar dar informações sobre o que está sendo apresentado no post, como no caso do post sobre os Telhões, onde ela não apenas apresentou as fotos que um colecionador lhe enviou, como procurou em seu acervo fotos de beirais ainda existentes em Portugal com telhas iguais às do citado colecionador. Além disso, Maria Andrade apresentou ainda informações sobre as fábricas deste tipo de artigo para decoração de exteriores.

O post foi para mim tão empolgante, que me animou a fazer este, com o pretexto de apresentar as telhas coloniais em estilo português ainda hoje fabricadas pela Cerâmica Luiz Salvador, em Itaipava, estado do Rio de Janeiro, mas também para mostrar algumas fotos de telhas do acervo do Museu Chácara do Céu, na Floresta da Tijuca, aqui na cidade do Rio de Janeiro.

telhas e outras peças para decoração de exteriores.
foto publicada originalmente no site da Cerâmica Luiz Salvador
A foto acima eu já havia apresentado neste outro post sobre a Luiz Salvador, onde você poderá encontrar um pouco da história desta fábrica.

Destre as apresentadas no post de Maria Andrade, a telha que mais gostei foi esta, com pássaros:

foto publicada originalmente no blog de Maria Andrade

E qual não foi a minha surpresa ao voltar ao site da Cerâmica Luiz Salvador, para ver se havia fotos novas das telhas lá produzidas, e me deparar com isto aqui!

foto publicada originalmente no site da Cerâmica Luiz Salvador

Visivelmente o desenho usado pela Luiz Salvador está muito empobrecido, os pássaros perderam muitos dos detalhes que a telha antiga mais acima apresenta, mas mesmo assim, foi uma grata surpresa. 

Abaixo, vemos mais algumas telhas da Luiz Salvador, que como a dos pássaros, reproduz desenhos tradicionais das telhas do norte de Portugal:

foto publicada originalmente no site da Cerâmica Luiz Salvador


No magnífico acervo do Museu Castro Maia, a Chácara do Céu, na floresta da Tijuca, há vários telhões portugueses antigos, mas não expostos como relíquias detro de vitrines, mas sim instalados nos telhados. Às vezes são vários de um mesmo padrão, e noutras os telhões estão misturados.

A Chacara do Céu não foi criada como museu, mas era antes a residência do Castro Maia, e por isso todos os telhões e painéis de azulejos (muitos, muitos e MUITOS!) estão instalados da forma como foram pensados quando criados: nos beirais de telhados, e em paredes, mesmo externas, respectivamente. Acho que é muita sorte ter este patromônio aqui em minha cidade, tão perto de casa.

Abaixo apresento alguns dos telhões do acervo da Chácara do Céu:





E eu quase não acreditei quando vi a foto abaixo, enquanto procurava em meus arquivos fotos dos telhões da Chácara do Céu! NOVAMENTE os pássaros do post da Maria Andrade! E desta vez, ainda por cima, pintado a 3 cores!


Não sei se vocês repararam, mas na segunda foto dos telhões da Luiz Salvador há 2 pinturas que também aparecem nos telhões da Chácara do Céu. Novamente, a pintura atual está infelizmente muito empobrecida em relação às telhas antigas.

Encerro o post com mais duas fotos de telhões, e por estes eu tenho um carinho todo especial, pois se encontram na escola onde cursei o ginásio (atual segundo segmento do ensino básico), a Escola Instituto de Educação, na Tijuca, aqui pertinho de casa:



Desde criança sou apaixonado por estas corujinhas pintadas com estanhola. Não faço a menor ideia de sua origem, não sei sequer se foram fabricadas no Brasil (bem possível, uma vez que o prédio atual do Instituto de Educalão é dos anos 1930) ou se foram importadas. De fato, devem ter sido feitas especialmente para a escola, pois em mais lugar algum vi este padrão de corujas, e nem mesmo meus amigos portugueses já viram um desenho como este em Portugal.

ATUALIZAÇÃO EM 27/05/2012

Hoje fui rever um post mais antigo feito também pela Maria Andrade, "Telhas de faiança em beirais de Coimbra", e me chamou a atenção como as telhas que ela fotografou em Coimbra são diferentes daquelas da coleção apresentada no post comentando mais acima, e das reproduções feitas pela fábrica Luiz Salvador, e por esta razão resolvi trazê-las também para este meu post:

foto publicada originalmente no blog de Maria Andrade

foto publicada originalmente no blog de Maria Andrade

Acho muito curiosa a riqueza de detalhes destas telhas, que ficam tão longe dos olhos, lá no alto dos casarões de 2, 3, até meso 4 andares! A primeira foto, das telhas com florões, apresenta um motivo que mais parece adequado às peças utilitárias de mesa e às peças decorativas.


E para ilustrar a pergunta da Maria Andrade sobre a razão d'eu chamar de "coloniais" as telhas da Luiz Salvador, que começaram a ser produzidas na década de 1950, portanto muito depois da independência do Brasil, achei esta imagem do catálogo online de outra fábrica brasileira, aberta por um senhor também de Alcobaça, que fora aluno do Luiz Salvador lá na cidade natal de ambos, e que por um período trabalhou na fábrica de Itaipava:


Vejam como a própria fábrica LusoBrasil usa o termo "colonial" para este tipo de faiança de inspiração portuguesa.

18 de maio de 2012

Maxime Ansiau



designer francês (Paris 1972). Teve sua formação no Brighton college of Technology, Inglaterra,  na University of Brighton (madeira, metal e cerâmica), Inglaterra, e pós-graduação no Sandberg Institute, Amsterdam (design livre). Vive e trabalha atualmente em Utrecht.


Trabalha com diversos materiais e para várias areas de aplicação/uso. Vejam abaixo as suas "bandejas" de louça cerâmica:










10 de maio de 2012

malga - Cerâmica Santa Rita


malga
Cerâmica Santa Rita
Pedreira - SP
louça de pó de pedra
decoração com pintura à mão livre
circa déc. 1940
coleção Washington Marcodes

Inicialmente, esta fábrica, uma das primeiras do país, fundada em 1914, se chamava "Fábrica de Louça de Pó de Pedra Angelo Rizzi & Irmão". Em seguida passou a se chamar Fábrica de Louça A.R.I, para no final assumir a denominação Cerâmica Santa Rita. A marca acima foi a última usada pela fábrica. Em 1943 a Santa Rita foi comprada pela Nadir Figueiredo, sendo fechada em 1950.

5 de maio de 2012

Floreiros - Cerâmica Mauá







par de floreiros
Cerâmica Mauá
Mauá - São Paulo
louça de pó de pedra
decoração em pintura à mão livre, sobre o verniz
33cm x 17cm x 8cm (cada)
circa déc. 1940
fotos: site Mercado Livre

A pintura à mão livre que decora as peças acima é de autoria do artista "Di Giorgio", pintor italiano que, segundo alega uma fonte, também trabalhou na Fábrica "RR", de Romeu Ranzini, pela década de 1940. Segundo uma neta de Romeu Ranzini, Di Giorgio era amigo pessoal de seu avô.

Há peças pintadas por Di Giorgio também de outras fábricas brasileiras, como a Cerâmica Matarazzo.

Da minha parte, acho que todas as peças conhecidas decoradas por este artista apresentam uma decoração elaborada demais para o padrão de pintura à mão livre das fábricas brasileiras, no tocante às louças de consumo. Além disto, ele assinava todas as suas peças, de forma que diria até mesmo exagerada (quase sempre sua assinatura é muito maior do que a marca carimbada da fábrica), coisa que não se fazia normalmente numa fábrica; os pintores sempre permaneceram anônimos (infelizmente!).

Minha teoria, que não possui nenhuma evidência que a fundamente, além da "suspeitologia" apresentada acima, é que ou este artista pintava louças por puro prazer, ou tinha um pequeno atelier de decoração de louças, o que era bastante comum por esta época. Acho até mais provável esta última hipótese como explicação para encontrarmos louça de diversas fábricas, de um mesmo período, pintadas por Di Giorgio.
Infelizmente já pesquisei muito atrás de informações sobre quem seria "Di Giorgio", sem qualquer resultado. Espero que algum dia ao menos parte deste (mais este!) enigma da história da indústria de louças no Brasil se esclareça.

Minha relutência em aceitar a alegação de que este pintor teria sido realmente um empregado das fábricas se justifica no fato de tal informação constar em uma monografia de graduação que, embora tenha sido pioneira ao fazer um levantamento das primeiras décadas da produção paulistana de louças, apresenta demasiados erros nas informações apresentadas, e há também neste trabalho muita especulação sem fundamentos em documentos ou depoimentos confiáveis.

neste post anterior há fotos de algumas peças da Cerâmica Matarazzo, de minha coleção particular, também pintadas por Di Giorgio.

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