Marcas usadas pela Fábrica de Louça Colombo
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Floreiro | Fábrica de Louça Colombo
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Bule | Fábrica de Louça Colombo / São Zacarias
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Bule | Fábrica de Louça Colombo / São Zacarias
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Malga | Fábrica de Louça Colombo / São Zacarias
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Prato comemorativo | Fábrica de Louça Colombo / São Zacarias
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Malgas (1a. parte)

malga média, de consumo individual
Fábrica de Louças Santa Catharina São Paulo - SP
louça de pó de pedra decoração à mão livre
coleção site Porcelana Brasil
Há nas formas de louça cerâmica uma que eu tenho imensa simpatia: a MALGA. Aqui no Brasil este termo não é muito utilizado, sendo que quase todas as pessoas usam o termo mais abrangente TIGELA para definir esta peça. Mesmo assim, prefiro usar o termo MALGA, pois além de ser um termo consagrada na Arqueologia Histórica brasileira, ele individualiza esta "tigela" em particular de tantos outros formatos que conhecemos por este nome.
A razão do meu interesse particular por esta peça é que ela sempre foi associada ao consumo popular, e também por ser um formato muito "primitivo", sem grandes sofisticações de design. Talvez seja uma das formas mais próximas às cabaças e cuias feitas com cascas de frutas e sementes pelos povos primitivos, antes destes descobrirem a cerâmica.
Uma outra razão é que até eu começar a me interessar pela pesquisa de louças no Brasil, eu desconhecia este formato. Só me lembro de ter visto uma malga pela primeira vez, este "tigela" com pé, justamente quando comecei a ler bibliografia específica sobre cerâmica antiga.
E a provável razão disto é que no Brasil a malga está associada às fábricas cerâmicas pioneiras, que se instalaram no Paraná e São Paulo, quase sempre fundadas por imigrantes italianos. E estas peças eram fabricadas justamente para estes imigrantes, que tinham na malga uma peça muito versátil, pois na mesma malga onde se toma sopa, se bebe café com leite ou se faz a barba. O operário pobre italiano, por exemplo, parece ter sido um grande consumidor das malgas no período, segundo algumas fontes escritas, como relatos de viajante, e fontes iconográficas. Usavam-na
para os mais variados fins, já que seu design colabora para inseri-las nos mais diversos contextos de uso.

malga média, de consumo individual
Fábrica de Louças São Zacarias Colombo - PR
louça de pó de pedra sem decoração
coleção site Porcelana Brasil
Já aqui no Rio de Janeiro, que foi a capital do país até 1960, o que reinava era a louça mais sofisticada, importada. E a louça de produção nacional, mesmo quando esta ainda era vista apenas para consumo pelas pessoas menos endinheiradas, o formato inexistia, muito provavelmente pois não havia um mercado consumidor acostumado com esta peça.
Hoje em dia é muito incomum encontrar-se malgas em feiras de usados, brechós e antiquários cariocas. Quando aparecem, geralmente são em formato grande, que eram usadas como peça de apoio na cozinha para preparação de alimentos. Além disso, estas malgas normalmente apresentam decoração mais caprichada.
Já em feiras de São Paulo as malgas são bastante comuns, em diversos tamanhos (consta na bibliografia que existiram 13 tamanhos de malgas em produção no Brasil), e não é incomum que a decoração seja inexistente, ou bastante simples.
Atualização em 31/12/2010:
Conforme bem me lembrou a Ivete Ferreira em um comentário neste post, a origem da palavra "malga" provavelmente está ligada aos oleiros de Málaga (Espanha) que em meados do século XVI foram para Portugal trabalhar e ensinar o seu ofício.
Os tradicionais oleiros de portugal fabricavam telhas e ladrilhos de barro vermelho; os espanhóis de Málaga, que fabricavam louça e ladrinho de argila branca (faiança), ficaram conhecidos como "malegueiros".

Malga em faiança de bordo afilado e base de pé anelar com decoração floral a azul. Fabricação não identificado. Possivelmente, Lisboa, segunda metade do século XVIII. Encontrada em escavações no Largo Vitorino Damásio, Lisboa, 2003.
fonte: http://www.igespar.pt/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/9_2/4/19-p.369-400.pdf
A produção dos malegueiros tinha como diferencial da olaria tradicional em terracota, além do uso da argila branca, rica em caulim, queimarem suas peças duas vezes: uma para a aplicação do vidrado, e a segunda para a pintura sobre o vidrado, que é basicamente a técnica que se usa até hoje na produção de louça de faiança fina ou porcelana, sendo que às vezes há 3 ou até mesmo 4 queimas, dependendo da complexidade da decoração.
Atualização em 05/01/2011:
Ivete Ferreira, leitora de Portugal, muito generosamente me enviou fotos de belíssimas malgas antigas de sua coleção, produzidas, segunda a Ivete, no norte daquele país. Eu selecionei as duas abaixo, por terem maior relação com as peças brasileiras apresentadas neste post:

Diãmetro: 24,5 cm; Altura: 13 cm, pintada à mão livre em rica policromia

Diâmetro: 26,5 cm; Altura: 14 cm, decorada com o uso de estanhola
Então, vamos agora às malgas brasileiras!

malga
Fábrica de Louças Evaristo Baggio Curitiba - PR
louça de pó de pedra decoração com estanhola

malga grande
Fábrica de Louças Santa Catharina São Paulo - SP
louça de pó de pedra decoração à mão livre
coleção Washington Marcondes

malga média, de consumo individual
Fábrica de Louças Santa Catharina São Paulo - SP
louça de pó de pedra decoração com filetes
coleção site Porcelana Brasil

malga média
C. S. E. Mauá localização desconhecida, provavelmente Mauá - SP
louça de pó de pedra decoração com estanhola
coleção Washington Marcondes

malga diminuta, do tamanho de uma xícara de café
Fábrica de Louças M.B.L. São Caetano do Sul - SP
louça de pó de pedra decoração com estanhola
coleção site Porcelana Brasil

malga grande
Cia. Paulista de Louças Céramus São Paulo - SP
louça de pó de pedra decoração com estanhola

malga bastante pequena, do tamanho de uma xícara de chá
Louças Cláudia - Cerâmica Matarazzo São Caetano do Sul - SP
louça de pó de pedra sem decoração
coleção site Porcelana Brasil

malga pequena, de consumo individual
Cerâmica Mauá Mauá - SP
louça de pó de pedra decoração com filetes
coleção site Porcelana Brasil

malga média
Cerâmica Itabrasil S ão Caetano do Sul - SP
louça de pó de pedra decoração com decalques e detalhes em ouro
coleção Washington Marcondes

malga grande
Cia. Paulista de Louças Céramus São Paulo - SP
louça de pó de pedra decoração com estanhola
coleção Washington Marcondes

malga grande
Cia. Paulista de Louças Céramus S ão Paulo - SP
louça de pó de pedra decoração à mão livre

malga grande
Cerâmica Aurora Campo Largo - PR
louça de pó de pedra decoração com estanhola

malga grande
Fábrica de Louças Santa Carolina Mogy das Cruzes - SP
louça de pó de pedra decoração com estanhola
coleção Washington Marcondes

malga grande
Fábrica de Louça de Pó de Pedra A.R. & I. Pedreira - SP
louça de pó de pedra decoração com estanhola
coleção Washington Marcondes

malga grande
Fábrica de Louças Santa Cruz Taubaté - SP
louça de pó de pedra sem decoração
coleção site Porcelana Brasil

malga grande
Cia. Paulista de Louças Céramus São Paulo - SP
louça de pó de pedra decoração com estanhola
coleção Washington Marcondes

malga grande
Fábrica de Louças Paulista Mauá - SP
louça de pó de pedra decoração com estampagem e detalhes complementares à mão livre
coleção site Porcelana Brasil

malga grande
Cerâmica Mauá Mauá - SP
louça de pó de pedra decoração com decalques e aerógrafo
coleção site Porcelana Brasil
malga média - Fábrica de Louças São Zacarias - Colombo

malga média, de consumo individual
Fábrica de Louças São Zacarias
louça de pó de pedra
sem decoração
1902/1909
coleção site Porcelana Brasil
Atualmente se conhecem menos de 20 peças desta fábrica, sendo que menos de 10 se sabe a localização atual das peças, sendo apenas 5 em coleções públicas, e as demais em coleções particulares.
Graças à dica do meu amigo Washington Marcondes, agora sou o mais novo proprietário de uma peça da mais antiga fábrica de louças do Brasil, que começou a operar no final do séc. XIX.
O mais interessante sobre esta peça é que, muito diferentemente de todas as demais, que são quase todas peças decorativas, esta é uma peça extremamente simples, de uso diário e popular, e pelo visto, foi mesmo muito usada por seus donos originais.
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catálogos de fabricante
Hoje o assunto é outro documento, ainda mais desesperadoramente raro em nosso país: catálogos de fabricantes. Estes catálogos eram material de trabalho dos vendedores das fábricas, que iam às lojas e revendedores oferecer as novas linhas produzidas.
Naturalmente era um material que ficava para cá e para lá o tempo todo, provavelmente sofrendo danos pelo intenso manuseio. Ainda por cima, quando uma nova edição do catálogo era lançada, o destino certo do catálogo anterior era o... lixo!
Não digo isso para culpar os vendedores, pois estes não eram os responsáveis pela preservação da história das fábricas. Culpo as fábricas, os empresários de visão curta, pensamento ligado apenas no (lucro) imediato.
Qual teria sido o problema de guardar ao menos uma cópia de cada catálogo editado? Estes poderiam ser importantes não apenas para os fanáticos do futuro (como eu), mas também às fábricas, por exemplo, no caso de reedições de linhas.
Voltando aos fanáticos: que maravilha seria ter cada catálogo de cada fábrica preservado em alguma biblioteca de museu ou centro de decoumentação! Que facilidade datar e identificar as peças de louça! Mas, temos que voltar à realidade. Não foi assim que aconteceu.
Abaixo, alguns raros exemplos de catálogos de fabricantes:
Adelinas, 1935
(acervo fundação Pró-Memória, São Caetano - SP)

litografia do catálogo da exposição internacional do RJ de 1861,
reproduzindo peças da Fábrica de Francisco Esberard (RJ)

esta página não é de um catálogo, mas sim de um anuário,
o "Anuário de Mauá 1956" (Mauá - SP)
(acervo Museu Barão de Mauá, Mauá - SP)

etiqueta de propaganda da fábrica São Zacarias, 1902/1909 (Colombo - PR)

detalhe da parte inferior da etiqueta

foto para página de catálogo da Porcellana Mauá, data provável 1954
(acervo Museu Barão de Mauá, Mauá - SP)

folheto de propaganda da Cerâmica Weiss, data provável déc. 1990
(cortesia Luiz Mott, Salvador - BA)

hoje em dia: página de folheto promocional da Porcelana Schmidt (2004)
cerâmica brasileira pioneira em St. Louis, 1904
livro: Brazil, and F. M. de Souza Aguiar. 1904. Brazil at the Louisiana Purchase Exposition, St. Louis, 1904. St. Louis: S.F. Myerson Printing Co. 184p.
Pág. 58: GLASS, CERAMICS, PAPER, ETC. -
"(...) The ceramic industry had almost fallen into desuetude, when in 1895 an increase in the duties from 1-2 cent to 2 1-2 cents per lb. on imported products permitted it to progress rapidly, and 5 factories of São Paulo, one in Rio Grande do Sul and one in Minas Geraes (Caeté), all producing first-class material. Argill and kaolin deposits of excellent quality are abundant in all the states, so that this industry has in it the possibilities for continued prosperity. (...)"

cerâmicas brasileiras em exposição no Pavilhão das Indústrias
Pág.107: GROUP 45. CERAMICS -
Cooperativa V. Colombo, Soc., Paraná.
Earthen-ware flower vases
Toilet articles
Dishes and cups
Filters and water-coolers
Photographs and samples of raw material
This is the most important factory of this kind in the State. - SILVER MEDAL





