fonte: http://portuguese.cri.cn/chinaabc/chapter20/chapter200313.htm
Os objetos de porcelana surgiram na China há mais de 1700 anos. A partir daquele momento, as porcelanas chinesas foram levadas para todo o mundo e muitas de suas preciosidades estão conservadas em museus de muitos países.
Segundo os registros históricos, a porcelana chinesa é exportada desde século 8 ao Oriente Médio para atender às necessidades dos reis e da nobreza. No século 9, em Bagdá, então centro comercial do mundo islâmico, a seda e a porcelana chinesas eram as principais mercadorias. O destaque vai para a porcelana branca, tricolor e azul, introduzida no Ocidente por intermédio desta cidade.
O navegador chinês da dinastia Ming, Zheng He, merece uma especial menção. Ele fez sete viagens marítimas durante 29 anos (1405 - 1433), levando aos países pelos quais passou as porcelanas chinesas, incluindo objetos produzidos na vila de Jingdezhen, conhecida como “capital de porcelana da China”.
No museu de Topkapi em Istambul, estão conservadas 13.058 peças de porcelana chinesa. São todas peças de qualidade produzidas nos fornos imperiais. Os objetos em porcelana azul foram produzidos durante a dinastia Yuan (1206 - 1368) e se caracterizam por seu forte estilo islâmico e pela ótima qualidade de produção, fazendo com que a maioria das peças dos museus chineses produzidas na mesma época sejam muito inferiores a elas. O fato demonstra que esse lote de porcelanas foi produzido sob encomenda.
A porcelana chinesa foi levada à Europa no século 16, desembarcando inicialmente em Portugal. Após uma guerra marítima comercial que durou vários anos, os holandeses obtiveram o controle sobre o Pacífico Ocidental e tornaram-se os maiores comerciantes de porcelana de Jingdezhen. Em 1636, 1837 e 1639, a Holanda comprou vários lotes com centenas de milhares de peças de Jingdezhen. Ao longo do século 18, mais de 60 milhões de objetos de porcelana chinesa foram exportados para a Europa.
Atendendo ao valor estético do Ocidente, as porcelanas de Jingdezhen produzidas para a exportação se diferenciavam no design dos produtos vendidos no mercado nacional. Os motivos variam de estilos chineses com flores, pássaros e figuras humanas aos estilos mais exóticos.
Mas, ao mesmo tempo em que importavam as peças em porcelana chinesas, vários países iniciaram sua própria produção por intermédio da imitação. Iznik, cidade situada no Sudeste de Istambul, é considerada como a “Jingdezhen” da Turquia. Em 1755, os europeus descobriram argila Caulim, excelente matéria-prima de porcelana de Jingdezhen, e conseguiram produzir pela primeira vez em 1768 uma porcelana semelhante à de Jingdezhen. O historiador americano Atherton assim afirma no livro China na História Mundial: “as técnicas trazidas da China pelos jesuítas foram incorporadas e a Europa passou a produzir uma verdadeira porcelana”.
Porcelana e China
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palavras-chave: história, louça chinesa
Barro de Gaoling, base da porcelana
fonte: http://portuguese.cri.cn/1/2005/01/07/1@21796.htm
2005-01-07
A porcelana chinesa é mundialmente conhecida. Historicamente, muitos países importaram a porcelana da China, assim como tentavam adquirir a tecnologia de produzir a porcelana. Finalmente, eles descobriram o segredo da fabricação da porcelana chinesa de Jingdezhen, mundialmente conhecida. Eis o barro de Gaoling.
O barro de Gaoling é uma matéria-prima de boa qualidade para a fabricação da porcelana, cuja base de produção fica em Jingdezhen, capital da porcelana, situada na província de Jiangxi, sul da China. Antes deste barro, a porcelana foi fabricada unicamente com pedras. Em princípios do século XIII, surgiu uma crise da matéria- prima na indústria de porcelana. Naquele então, artesãos localizaram um tipo de barro de boa qualidade, na aldeia de Gaoling, situada aos 45 quilómetros da vila de Jingdezhen. É o barro de Gaoling. Ao fabricar a porcelana, eles misturaram aquelas duas espécies de matéria-prima, de maneira que a tecnologia de fabricação registrou um grande salto.
O barro de Gaoling é de cor branca, podendo resistir a 1735 graus de temperatura. Portanto, a matéria-prima extraída de pedras só pode resistir a 1150 graus de temperatura, com índice de deformação relativamente elevado entre os produtos. Com a forte resistência à alta temperatura, a matéria-prima misturada diminuiu o índice de deformação entre os produtos, assim como melhorou as funções físicas, fazendo com que a porcelana de Jingdezhen tenha uma base branca e sólida. Devido ao uso do barro de Gaoling e ao grande desenvolvimento da indústria de porcelana entre os séculos XIII e XIX, a tecnologia de fabricação chegou a seu ponto culminante. Desta maneira, Jingdezhen foi designada, indubitavelemente, como a capital de porcelana da China.
A porcelana de Jingdezhen é exportada a todo o mundo, sendo a preciosidade procurada pelos nobres em outros países. Boa qualidade e alto valor fazem outros países imitar a produção da porcelana chinesa. No século XIII, um rei da região pérsica ordenou construir fornos para fabricar a porcelana, mas não conseguiram fabricar produtos tão bons como a porcelana chinesa. Entre os séculos XVII e XVIII, com muito paixão pela porcelana chinesa, o rei da Polônia e dominante da região Saxony, Augustus decidiu descobrir o segredo da fabricação da porcelana chinesa. Após prolongadas experimentações, dois químicos alemãos conseguiram descobrir que o segredo consiste na matéria-prima.
Por milénios, personalidades de diversos países tentavam descobrir tal segredo. A figura chave que transmitiu a tecnologia ao Ocidente foi o missionário francês Francois Xaviercl Entreclles, que viveu entre os séculos XVII e XVIII. Ele fez a missão em Jingdezhen, durante 20 anos. Em 1712, ele mandou uma carta para a Europa, na qual descreveu o processo de fabricação da porcelana de Jingdezhen, com o que na Europa, surgiu lá uma febre pela fabricação da porcelana, mas ninguém conseguiu ter êxito. Posteriormente, este missionário francês voltou a Jingdezhen, onde fez uma investigação especial. Finalmente, ele mandou uma carta, junto com amostra do barro de Gaoling, para a Europa.
Em 1755, europeus descobriram o barro de Gaoling em seu território e em 1768, conseguiram fabricar a porcelana semelhante à de Jingdezhen.
Por isso, o uso do barro de Gaoling foi um acontecimento transcendental para a história da porcelana chinesa, mas também foi uma importante revolução na história mundial de fabricação da porcelana.
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palavras-chave: história, louça chinesa
reflexões (muito!) superficiais sobre a "invasão chinesa"
Hoje recebi em casa um caderno promocional da cadeia de super-mercados americana WAL-MART, que está se espalhando em nosso país tal qual uma epidemia.
Entre os mais variados produtos possíveis, há anúncios de jogos de porcelana, com preços inacreditavelmente baixos, sem que se diga sua procedência. Pois bem, há uma loja desta cadeia bem perto de minha casa, e já pude ver estas louças. A maior parte das louças vendidas por esta rede, como era de se esperar (infelizmente!) é chinesa, muitas com embalagens que estampam verdadeiros crimes contra nosso idioma. E várias "marcas" que na verdade são fantasia, não correspondem a empresas reais, trazem como país de origem apenas RPC, ou seja, República Popular da China.
E o nosso país, que é o paraíso da passividade, e da (ultra neurótica) valorização de QUALQUER COISA que venha de fora (nosso pior traço cultural, na minha visão), mesmo que seja uma visível porcaria, fica quieto enquanto sua indústria de louças, que já foi uma das maiores do mundo, e gerava milhares de empregos, vai a cada dia encolhendo e ruindo. Muitas das poucas fábricas de louça que conseguiram sobreviver nos anos 1960/1970 à competição com a louça de vidro e plástico, nos anos 1990, com a abertura de mercado, começaram a fechar uma a uma.
Eu pude avaliar nas minhas mãos esta louça, e como quase sempre, não é de qualidade. E o pior de tudo, que no final das contas na hora da compra é o que pesa mais, é o baixo preço, ainda mais se comparado aos produtos similares, de produção brasileira:
>> jogos de jantar e chá Schmidt em ponta de estoque, com 20 peças, tem preços que variam de R$ 220 até R$ 310.
>> um aparelho de jantar e chá com 20 peças brancas, sem decoração, da Schmidt, EM PROMOÇÃO custa R$ 109 (o preço regular é R$ 139)
>> um aparelho de jantar e chá com 20 peças Schmidt, em catálogo, preço normal não promocional, custa em média mais do que R$ 500.
>> um aparelho de jantar e chá com 30 peças de faiança (Vitramik) com decoração da Oxdord está custando EM PROMOÇÃO R$ 239 (preço original: R$ 299)
>> um aparelho de jantar e chá Oxford Biona Actual com 30 peças custa R$ 179.
>> um mero conjunto de 6 pratos Germer custa de R$ 68 a R$ 110.
>> um aparelho de jantar e chá com 28 peças da Viva (Porcelana Del Porto; ex-Vista Alegre, ex-Renner) custam de R$ 190 até R$ 290.
>> um aparelho de jantar e chá com 30 peças da Cerâmica PORTO BRASIL está custando em torno de R$ 280; em promoção pode ser encontrado por R$ 200.
>> Nestas MESMAS LOJAS, os jogos de 20 peças chineses podem ser encontrados desde por volta de R$ 40, até no máximo R$ 100, sendo que a maioria custa abaixo de R$ 70.
E aí, como a nossa indústria pode sobreviver a esta devastadora competição, extremamente injusta, uma vez que estes preços baixíssimos serem possíveis não apenas pela baixa qualidade do material, mas também pelo praticamente nulo controle de qualidade, e principalmente devido ao trabalho (quase) escravo de milhares de pobre-coitados chineses, que trabalham sem a menor condição de saúde e segurança, que mesmo nos países mais atrasados já são mínimas? Sem contar que, como comprova o recente caso da cadeia de lojas CASA & VÍDEO, em muitos casos estes artigos chegam no Brasil através de contrabando, sem pagar qualquer tipo de imposto de importação!
A solução seria o protecionismo? De forma alguma! Sou defensor do livre comércio, mas este livre comércio tem que ser IGUAL PARA TODOS OS PAÍSES!
Como aceitar que a concorrência entre nossas fábricas e as orientais acontece de forma justa e limpa, quando enquanto aqui a carga tributária é IMENSA, o peso das leis trabalhistas emperra a dinâmica do mercado de trabalho, e lá na China, os trabalhadores recebem salários de fome, não tem qualquer segurança trabalhista, nenhum apoio social, médico, etc; muitas vezes tem descontados de seus salário miseráveis "moradia e alimentação", que não passa de uma senzala!
Como aceitar esta concorrência com um país, que para mim é quase certo, seja regiamente subsidiada pelo governo Chinês, numa estratégia cruel e desonesta de "domínio mundial"?
Como aceitar que nosso governo permita a importação descarada de artigos que serão usados no consumo de alimentos, e que sequer seguem a regras brasileiras e internacionais de segurança para a saúde do consumidor? (saiba mais aqui: porcelana chinesa tem alto teor de chumbo)
O que deveria ser feito é a PROIBIÇÃO de importação de QUALQUER PRODUTO (não apenas louça!!), de QUALQUER ORIGEM (não apenas da China!!), que:
- fosse resultado de trabalho escravo ou quase escravo, onde os trabalhadores são tratados como descartáveis, sem que se sigam as normas internacionais de segurança;
- pudessem apresentar riscos à saúde e segurança do consumidor, seja lá por qual razão for, em especial se não atendem às normas e regras que os produtos fabricados no Brasil são obrigados a seguir.
Apenas estas duas regras já mudaria e muito este cenário danoso para nossa indústria.
Mas outra coisa que me espanta é que os nossos industriais e os Sindicatos das Indústrias de Porcelana e Cerâmica parecem ainda mais perdidos do que nossos governantes, pois reclamar da concorrência desleal da indústria chinesa até reclamam, mas não vejo nenhuma AÇÃO EFETIVA, em cobrar do governo alguma providência, para que possamos ter concorrência sim, que é sempre boa para o consumidor, mas que esta seja em bases de igualdade.
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palavras-chave: louça chinesa, notícias, saúde
Dólar faz porcelana chinesa perder força
fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/economia/conteudo.phtml?id=840238A indústria brasileira de porcelana de mesa promete virar o jogo contra a invasão de produtos chineses no mercado. O dólar forte, a implantação de sobretaxas e a aprovação de um novo projeto de lei devem reduzir o fôlego das importações de artigos asiáticos em pelo menos 20% a partir de 2009, calculam as empresas do setor.
Embaladas pelo dólar fraco e pelos baixos custos de produção, as importações da porcelana da China se transformaram na principal dor de cabeça para as fabricantes nacionais nos últimos anos. Entre 2004 e 2007 elas passaram de US$ 4 milhões para US$ 18 milhões. O produto chinês, que chega ao mercado nacional custando entre 30% e 60% menos do que o nacional, tirou espaço do brasileiro.
Calcula-se que os chineses tenham abocanhado algo como 40% das vendas de porcelana de mesa no país nos últimos anos. Somente de janeiro a outubro deste ano foram importados US$ 23 milhões em aparelhos de jantar e chá e outros artigos de mesa e cozinha, 66% a mais do que no mesmo período do ano passado.
“Se o dólar se mantiver no patamar de R$ 2,30 a R$ 2,40, a participação dos chineses pode cair em até 20%”, comemora Antônio Girardi, presidente da Germer Porcelanas Finas, segunda maior empresa do setor no país, com fábrica em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. A moeda norte-americana disparou desde setembro e acumula uma valorização de cerca de 52% em relação ao menor preço do ano, de R$ 1,55.
Responsável por 90% da produção brasileira de porcelana de mesa e 30% da cerâmica de mesa do país, o pólo de Campo Largo abrange 36 empresas, que juntas produzem 450 milhões de peças por ano e faturam, juntas, R$ 1 bilhão. O setor emprega 6 mil pessoas. “Os chineses fizeram estragos profundos no setor, que teve que reestruturar, investir em tecnologia e produtos de maior valor agregado para se manter no mercado”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Porcelana, Vidros, Espelhos, Cristal, Pisos e Revestimentos Cerâmicos e de Louça do Paraná (Sindilouças), José Canisso. Segundo ele, o setor vem adotando uma série de medidas para tentar conter a entrada dos chineses. Em julho, entrou em vigor uma sobretaxa às importações, que elevou de US$ 0,44 para US$ 1,44 a taxa paga pelo quilo de porcelana importada.
Também está em fase de elaboração uma ação antidumping contra as importações da China, acusadas de entrar no mercado brasileiro com preços muito abaixo dos custos de produção. As empresas aguardam ainda a aprovação, no Senado, do projeto de lei 717/03, do deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que sujeitará os produtos importados às mesmas normas de certificação impostas às mercadorias nacionais. A idéia é proibir a importação ou o fornecimento de mercadorias em desacordo com a regulamentação técnica federal. “O Brasil é um dos poucos países sem uma legislação específica sobre a entrada de produtos importados. O projeto (que deve ser aprovado em 2009) vai valer para todos os setores, mas vai beneficiar muito a indústria de porcelana”, diz.
Contaminação
De acordo com o Sindiçouças, o maior problema da porcelana chinesa vendida no Brasil é a contaminação por elevados níveis de chumbo e cádmio, metais pesados que provocam danos irreversíveis à saúde humana e estão totalmente fora dos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Câmbio favorece exportações
A expectativa é que o dólar forte também beneficie exportações da porcelana brasileira. Hoje 20% da porcelana de Campo Largo é exportada, mas muitas empresas reduziram seus contratos ou trabalharam com margens muito reduzidas nos últimos anos. Agora, elas têm a chance de recuperar a rentabilidade. “Antigos importadores, principalmente da América do Sul, que vinham substituindo a porcelana brasileira pela chinesa têm nos procurado para fazer negócios”, diz Antonio Girardi, presidente da Germer Porcelanas Finas. De acordo com ele, as exportações, que representam 5% da produção, devem alcançar 10% em 2009.
De acordo com o presidente do Sindilouças, José Canisso, o setor exporta principalmente para Estados Unidos, América Latina, Europa, Austrália e Nova Zelândia. De acordo com Canisso, em função do câmbio e da forte atuação dos chineses no mercado mundial, as exportações chegaram a cair para 40 milhões de peças, mas um esforço de modernização e de investimentos em maior valor agregado elevaram esse patamar para 90 milhões em 2008. (CR)
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palavras-chave: louça chinesa, notícias
Importação de louças chinesas preocupa
fonte: http://www.globalresearch.com.br/novo/conteudo.asp?conteudo=14511
A forte importação de louças de porcelana, principalmente da China, está unindo os fabricantes nacionais. Donos de empresas, diretores e sindicatos patronais começaram uma verdadeira batalha no fim do ano passado contra produtos que representam concorrência desleal. Após realizarem testes de qualidade, entregaram denúncia à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre alto teor de chumbo em parte das louças importadas da Ásia pelo Brasil. Agora, eles estão se mobilizando para que a fiscalização seja rigorosa e para que os produtos importados passem obrigatoriamente a apresentar laudos de laboratórios credenciados internacionalmente na entrada dos produtos no país.
"Estão entrando no Brasil pratos tortos e com alto teor de chumbo", reclama o presidente do Sindilouça-PR, José Canisso, que vem coordenando a movimentação nacionalmente. Ele não nega que a denúncia junto ao governo é uma forma de proteger o setor, mas diz que isso não significa que as fabricantes brasileiras de louças cerâmicas temam a concorrência. "Queremos que venha uma concorrência com igualdade de preço e qualidade", afirma.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram um avanço forte das louças de porcelana importadas. As importações só de conjuntos de jantar, café e chá de porcelana, por exemplo, saíram de US$ 2,7 milhões no primeiro trimestre de 2007 para US$ 4,1 milhões no primeiro trimestre deste ano. Outros artigos para serviços de mesa e cozinha de porcelana saltaram de US$ 1,5 milhão para US$ 3,6 milhões no primeiro trimestre de 2008. A maior parte das importações é da China, que só no primeiro trimestre deste ano mandou ao Brasil US$ 3,9 milhões em aparelhos de jantar, chá e café.
A denúncia sobre alto teor de chumbo foi enviada oficialmente em dezembro para a Anvisa, após testes feitos em um laboratório de Santos (SGS) e também no Lactec, no Paraná, a pedido do próprio Sindilouça-PR. Entre fevereiro e março, os empresários avançaram mais na batalha, alertando o Inmetro, e também com cartas a redes de varejo que comercializam produtos tanto nacionais quanto importados, para que evitem a venda de de porcelanas fora do padrão adequado. "Comunicamos dois mil varejistas porque não queremos que eles sejam punidos, e sim fiquem cientes da denúncia", justifica Canisso.
O recado aos varejistas também faz sentido porque, segundo as próprias empresas, a maior parte das importações é feita pelo varejo. No alerta, o sindicato patronal afirma que "a falta da apresentação de laudos técnicos, certificados por laboratórios com credibilidade internacional, implicará em multas e grandes dificuldades comerciais. A fiscalização será rígida, não permitindo que produtos contendo chumbo entrem indiscriminadamente no mercado brasileiro, provocando grave contaminação por chumbo, metal altamente tóxico e nocivo à saúde do ser humano". A Anvisa foi procurada e informou que solicitou os laudos dos testes feitos, mas que ainda não teve acesso a eles.
Além do aperto na fiscalização, as empresas começam a trabalhar em outro front: na reavaliação das normas existentes. As regras hoje em vigor referem-se à portaria n. 27, de 1996, que estabelece o teor de chumbo e cádmio, em 0,8 miligramas/dm2 (densidade por metro quadrado) e 0,07 miligramas/dm2 de cádmio, respectivamente, para objetos cuja profundidade interna entre o ponto mais baixo e o ponto mais horizontal que passe pela borda superior seja inferior ou igual a 25 mm. Houve casos de louças que nos testes feitos nos dois laboratórios ultrapassaram o valor de chumbo (não ultrapassaram o limite do cádmio), e outros casos apareceriam, segundo as fabricantes, se o país adotasse as regras americanas, como os empresários querem. As normas americanas usam a medida PPM (porções por milhão), que no fim das contas, acabaria estabelecendo a metade do valor que é permitido para o chumbo no Brasil.
As empresas nacionais, segundo o presidente do sindicato, estão em geral em uma posição confortável quanto às regras: hoje cumprem os critérios internacionais principalmente porque boa parte delas exporta para mercados rigorosos.
Célio Silva, presidente da Oxford, por meio do sindicato patronal, o setor está brigando para colocar normas que as indústrias brasileiras exportadoras, como é o caso da Oxford, são obrigadas a cumprir. "Nos Estados Unidos, se você não cumpre, os produtos não são liberados nos portos e são quebrados", destaca.
Para o presidente da Germer, Antônio Girardi, a importação chinesa "está atingindo, embora não esteja matando as empresas brasileiras", que em boa parte vêm de processos de reestruturação, em alguns casos, iniciados ainda nos anos 90, como ocorreu com a própria Germer. Para ele, o sindicato patronal partiu para cima com a denúncia e está no caminho certo. "Já que o governo não sobe alíquotas, temos que denunciar o que vemos", diz ele citando que os produtos asiáticos chegam ao varejo com preços até 60% mais baixos do que os nacionais.
Um dos sócios da Vista Alegre, Claudionor de Oliveira, também concorda com a tentativa de barrar as louças chinesas de má qualidade, embora acredite que hoje a Vista Alegre não seja atingida de forma significativa por conta do seu posicionamento nas classes de renda mais alta.
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palavras-chave: louça chinesa
porcelana chinesa tem alto teor de chumbo
Sindicatos das Indústrias de Porcelana e Cerâmica alertam, com base em análises do material, que produto causa risco à saúde.
Análises realizadas pelo laboratório SGS do Brasil, credenciado pelo Inmetro, apontaram que a porcelana chinesa apresentou um alto teor de chumbo. Os Sindicatos das Indústrias de Porcelana e Cerâmica do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, coletaram 12 amostras de pratos em lojas de departamentos de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro e mandaram para análise.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite um teor de chumbo de 0,8 mg/dm2 (miligrama por decímetro) mas os produtos chineses apresentaram índice de até 5,8 na decoração das peças. A FOLHA obteve a documentação com exclusividade.
O presidente do sindicato patronal do Paraná, José Canisso, disse que as indústrias brasileiras queimam a porcelana a uma temperatura de 1.200 graus Celsius e por isso conseguem que as peças tenham um teor de chumbo muito próximo de zero. Segundo ele, os chineses utilizam temperaturas menores para reduzir custo de produção o que acarreta em um teor alto de chumbo.
''Quando uma salada é temperada com vinagre em uma louça chinesa, o consumidor absorve direto o chumbo'', disse. Segundo ele, quando a porcelana é usada para colocar alimentos cozidos como arroz e feijão, a absorção da substância pelo organismo humano é mais lenta.
''Nós geramos impostos e empregos e os produtos chineses vêm abaixo da qualidade'', disse. Segundo ele, as indústrias chinesas operam com mão-de-obra barata (US$ 25 a US$ 35 por mês) e usam carvão mineral na queima, o que polui o meio ambiente. As fábricas do Paraná utilizam gás natural. ''Queremos que o governo federal crie barreiras comerciais para a porcelana chinesa e que exija o cumprimento do teor de chumbo da Anvisa'', afirmou.
As indústrias nacionais também pretendem lançar um selo de qualidade do produto brasileiro. Canisso disse que os sindicatos patronais vão procurar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para que seja cumprida a determinação da Anvisa. Segundo ele, os chineses já dominam 40% do mercado brasileiro neste segmento e vendem produtos até 50% mais baratos em relação as peças nacionais.
Canisso explicou que a produção de porcelana é feita em três etapas. Primeiro é feita a base estrutural do prato e realizada a queima da peça. Em seguida, o produto passa por uma espécie de banho de verniz e é novamente colocado no processo de queima. Ao final, a decoração é inserida através de decalque e acontece a queima final.
A reportagem procurou a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China mas a entidade informou que não poderia se pronunciar sobre o assunto. O chumbo pode provocar efeitos nocivos no sistema nervoso central, degeneração de regiões do cérebro, tremor muscular, perda de memória, distúrbios de visão e audição, entre outros problemas de saúde.
O pólo de indústrias do Paraná localizado em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, produz 40 milhões de pratos por ano e atinge um total de 100 milhões de peças de mesa. Abriga as fábricas de porcelana Germer e Schmidt e de cerâmica Brasília, J. Rosa Portela e Tirolesa. O setor emprega 6 mil funcionários.
matéria de Andréa Bertoldi
fonte: Folha de Londrina
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