Vaso modernista | Ars Bohemia Szakmáry
0
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
Marcas usadas pela Ars Bohemia
0
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
Prato raso | Ars Bohemia
0
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
Xícara de café | Ars Bohemia
0
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
Tigela | Ars Bohemia
0
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
Vaso | Ars Bohemia
0
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
jogo de café - Ars Bohemia
jogo de café "modernista"
Ars Bohemia
Karoly Szakmary Ltda
São Paulo - SP
porcelana
decoração com esmaltado vermelho rouge sobre vidrado
obs: decoração sobre porcelana fabricada pela Porcellana Mauá (Mauá - SP)
fonte das fotos: site Mercado Livre
4
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
peças modernistas - Ars Bohemia
Continuando no clima do post anterior, agora apresento algumas peças de caráter modernista da Ars Bohemia.
A família Szakmáry, de origem húngara, fundou em São Paulo (1951) a fábrica de decoração em porcelana “Ars Bohemia”. Segundo consta nos Anuários BANAS da Indústria Brasileira, a fábrica foi fundada pelos imigrantes húngaros Karoly Szakmáry, Eva Szakmáry e Edina Herendi em 1951.
Também fazia parte da fábrica Marika Szakmáry, que foi por muitos anos a diretora artística da Ars Bohemia. Em 1971, Levente Szakmáry, marido de Marika aparece também como sócio da empresa, no lugar de Edina Herendi. Marika e Levente eram de duas famílias que na Hungria, antes do regime comunista, possuiam fábricas de porcelana. Se quiser saber mais sobre isso, consulte este antigo post aqui no blog, onde contei um pouco desta história.
Voltando ao nosso assunto principal, abaixo vocês poderão ver alguns exemplos de decorações modernistas criadas pela Ars Bohemia. Como já foi dito, esta empresa fazia apenas decoração de porcelana branca produzida em outras fábricas, e portanto não tinham controle sobre os modelos das peças. Desta forma, as peças cuja modelagem eram também de caráter modernista, é mérito das fábricas que produziram a porcelana branca.
Já foram observadas peças Ars Bohemia cuja porcelana branca era proveniente de uma das seguintes fábricas: Real, Steatita, Schmidt, Mauá, D. Pedro II, Condessa, São Paulo e Inter-American. Há ainda diversas peças Ars Bohemia sem qualquer identificação do fabricante da porcelana branca.
![]() |
| coleção site Porcelana Brasil |
A produção da Ars Bohemia, a partir do que já foi observado, parece ter sido principalmente de jogos de chá e café e de peças decorativas (vasos de diversos tamanhos e formatos, porta-joias, potes, cigarreiras e cinzeiros), mas também inclui outras peças utilitárias, como canecas, petisqueiras, tigelas, saladeiras e travessas de vários tamanhos e formatos, pratos rasos, fundos e de sobremesa, bandejas para bolo, moringas, jarras, jogos de salada, jogos para patê e galheteiros.
A decoração das peças da Ars Bohemia é também muito variada, com peças pintadas à mão com grandes manchas escorridas e/ou sopradas, lembrando um pouco a técnica "tie-dye" de tingimento de tecidos; peças pintadas inteira ou parcialmente de uma única ou mais cores; peças brancas com douração; peças pintadas inteiramente de uma única cor, com desenhos vazados em branco; uso de decalques Chintz e Paisley cobrindo toda ou quase toda a superfície da peça; uso de decalques florais, cenas românticas, motivos étnicos, orientais, infantis, geométricos e abstratos, combinados ou não com douração ou filetes coloridos.
![]() |
| 25(h) cm |
![]() |
| cortesia coleção Luiz Sá - BH - MG |
![]() |
| 16(h) cm |
As peças com decoração modernista, na minha opinião, não são as melhores produzidas por esta fábrica que funcionou até meados dos anos 1970. São muitas vezes pesadas, mal acabadas, parecendo que foram feitas às pressas. O uso do estilo modernistas parece mais um desculpa para se fazer decorações simples e rápidas. Entretanto, algumas peças resultaram bem interessantes.
![]() |
| 15(h) cm | coleção site Porcelana Brasil |
![]() |
| 22(h) cm |
O pessoal do CMP me enviou algumas fotos de peças desta fábrica, e me autorizou a compartilhar estas fotos com os leitores deste blog. Agradeço ao CMP pelas gentileza, as fotos e as informações.
![]() |
| peças da fábrica Zsolnay - foto cortesia © CMP |
![]() |
| peças da fábrica Zsolnay - foto cortesia © CMP |
![]() |
| peças da fábrica Zsolnay - foto cortesia © CMP |
Abaixo, mais algumas fotos de fabricação da Zsolnay, criadas por Janos Torok, onde podemos perceber algumas semelhanças com as peças Ars Bohemia modernistas:
O CMP também me enviou esta foto de uma jarra de caráter modernista da fábrica Hollóháza, obtida no site de leilões eBay. Levente Szakmáry, um dos diretores da Ars Bohemia, teria sido o herdeiro da fábrica Hollóháza Porcelán (Hungria), se a segunda guerra mundial e o comunismo não tivessem mudado o rumo dos acontecimentos.
Mesmo que no período em que esta jarra foi produzida Levente já se encontrasse no Brasil, à frente da Ars Bohemia, é perceptível como o espírito da época estava circulando por todos os cantos do planeta, pois a década de 1950 já era uma era onde as informações começavam a circular cada vez mais rapidamente, deixando os povos cada vez mais próximos.
![]() |
| jarra da fábrica Hollóháza - 25(h) cm - foto cortesia © CMP |
9
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia
Chintz, um padrão que veio da Índia
autor: Fábio Carvalho
data: outubro/2006
![]() |
| jogo de café | Porcelana Saler | déc. 1950 decoração com decalque chintz | coleção Fábio Carvalho |
![]() |
| Chintz Indiano pintado à mão, séc 18. |
A palavra inglesa chintz deriva do termo indiano “chint”, que significa um tecido de algodão mais barato, estampado em toda a sua superfície de forma vívida, com um brilho encerado devido ao uso de goma. Geralmente traz desenhos de flores, frutas e pássaros, sendo popular desde o século XVII . Com o tempo, o termo passou a definir todo tipo de tecido exportado da Índia colonial para a Inglaterra que apresentasse padronagem floral complexa. Foi usado não apenas em tecidos, como também em papel de parede.
A padronagem chegou ao Brasil através dos portugueses, que também mantinham negócios com a Índia. Com o tempo o Chintz Indiano foi sendo adaptado ao gosto local, com padrões mais simplificados com flores maiores, de cores contrastantes e intensas.
O que hoje se considera a primeira indústria brasileira foi exatamente uma estamparia de chitas, a “Fábrica de Chitas”, aberta em 1820. Ela se localizava no Rio de Janeiro, no recém criado bairro do Andaraí Pequeno, no “Largo da Fábrica das Chitas” (atual Praça Saens Peña), e funcionou por apenas 20 anos, mas mesmo assim a região continuou a ser conhecida como “bairro das chitas” por quase um século.
No que diz respeito à louça de mesa, a palavra chintz passou a ser usada pelos ingleses, e depois internacionalmente, para definir peças decoradas com padrões florais intrincados e vistosos, que geralmente recobrem a maior parte da louça.
Inicialmente, a aplicação de padrões chintz em louça era um processo decorativo feito através de pintura à mão, o que naturalmente era muito complicado, lento e de alto custo.
![]() |
| jogo da marca inglesa Royal Albert, padrão "Old Country Roses". |
Eles desenvolveram um processo em que os complexos padrões florais eram impressos por litografia em papel ou tecido duplo muito fino, que possuía uma camada removível. A parte impressa era aderida à louça, sendo então retirada a parte removível, exatamente como os decalques atuais. Uma vez queimada a louça nos fornos, permanecia apenas a tinta da impressão, que depois era protegida por uma camada de verniz.
Em meados dos anos 1930, no Reino Unido, era comum se dizer que a decoração chintz era “a expressão máxima do requinte e elegância da mesa Inglesa”. Esta decoração continuou muito popular até o início dos anos 1960, quando começou a ser vista como ultrapassada. Eram os novos tempos, de grandes mudanças no cenário cultural mundial. Nesta época começam também a surgir outros materiais no fabrico de serviço de mesa, o que fez declinar a popularidade da porcelana e faiança em geral, e em particular com a decoração chintz.
![]() |
| Bandeja Royal Winton (Grimwade) padrão Chintz 'Beeston' - Inglaterra - 1934-50. |
Há no exterior uma extensa bibliografia e muitos websites sobre o assunto, e o interesse pela louça chintz cresceu tanto que até mesmo a marca Royal Wades voltou a fabricar louça chintz, devido principalmente à enorme demanda norte-americana por estas peças.
O irônico é justamente o sucesso atual do padrão chintz nas fábricas inglesas num momento em que a maioria delas enfrenta problemas financeiros, pois foi justamente o padrão chintz que, como agora, salvou várias fábricas do Reino Unido durante a depressão da década de 1930.
A própria Royal Wades recontratou recentemente várias operárias que foram demitidas ao longo dos anos 1960, quando as linhas de produtos chintz começaram a deixar de ser produzidas.
E no Brasil...
![]() |
| Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá), data provável déc. 1950/60. Coleção do autor. |
Os exemplares de louça chintz brasileira que podemos encontrar com maior facilidade e em maior quantidade em nosso mercado de antiguidades e colecionismo são os produzidos pelas marcas de decoração Ars Bohemia, Pátria (DP, PA), Porcelanarte/Polovi e Luiz XV.
As peças destas marcas, que utilizavam a louça branca das grandes fábricas em seus produtos, apenas aplicando a decoração, foram produzidas pelas décadas de 1960 e 1970, e possuem motivos muito ricos e vistosos. Também encontramos exemplos de decoração chintz das fábricas maiores e mais tradicionais, como a Porcelana Real (Mauá – SP) e a Porcelana Schmidt (Pomerode - SC), mas não na mesma quantidade e diversidade que as empresas de decoração anteriormente citadas.
Alguns dos padrões chintz “tardios” que encontramos em louça nacional apresentam adaptações ao gosto “psicodélico” da época, também conhecido como "Paisley" (outro padrão importado da Índia).
![]() |
| Licoreiro da Cerâmica São José, decorado com um chintz psicodélico (Paisley). |
Mesmo a fábrica carioca Porcelana D. Pedro II, mais conhecida por sua porcelana para restaurantes e hotéis (foi a primeira fábrica brasileira a se dedicar a este tipo de produção, e ao longo de muitos anos foi o principal fornecedor de louça comercial no país) também produziu peças com decoração chintz.
Atualmente a Vista Alegre do Brasil (empresa portuguesa que comprou a Porcelana Renner em 1998 para produzir no Brasil, visando o Mercosul) possui em seu catálogo atual um padrão de decoração chamado “Chintz Azul”, mas que foge um pouco ao conceito do Chintz tradicional, pois a decoração não cobre a maior parte da louça, deixando muita área branca.
Naturalmente esta não é uma lista definitiva, pois quem lida com antiguidades e colecionismo sabe que todo dia uma novidade pode surgir, e deve-se sempre estar aberto a rever conceitos e paradigmas.
![]() |
| Xícara de chá da porcelana D. Pedro II - déc. 1960. Coleção do autor. |
Teria sido porque foi nestas décadas que a produção local de decalques para a decoração de louça se difundiu, não sendo mais obrigatória a importação dos decalques, o que barateou o processo decorativo?
Talvez, mas o estranho é que os desenhos encontrados em nossas louças chintz são basicamente estrangeiros.
![]() |
| Xícara de café, decoração Emano sobre porcelana Real, déc. 1970. Coleção do autor. |
É uma pena que jamais tenha sido criada por aqui uma decoração de louça chintz com desenhos tipicamente brasileiros, como aconteceu na estamparia.
Fica aqui a minha sugestão para que a nossa indústria aproveite a atual valorização do “Chitão” na moda e no design, e crie jogos de porcelana com padrões tipicamente brasileiros.
![]() |
| Vários exemplos do chitão brasileiro. |
Este artigo foi originalmente publicado na revista Retrô, de abril/2007 - Ano 3 - Edição nº. 18.
![]() |
| Decoração "Chita", criação de Marcelo Rosenbaum |
![]() |
| Prato de sobremesa, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
![]() |
| Xícara de café, decoração Emano sobre porcelana Real, déc. 1970. |
![]() |
| Decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960/70. |
![]() |
| Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
![]() |
| Jarro (1 litro) e xícara de chá, Porcelana Rio Branco, déc. 1950. |
![]() |
| Jogo para bolo, Porcelana real, dec. 1960. |
![]() |
| decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960. |
![]() |
| Trio de lanche, decoração PA sobre porcelana Real déc. 1960. |
![]() |
| Xícara de café, decoração Ars Bohemia sobre porcelana Steatita, déc. 1960. |
![]() |
| Decoração Porcelanarte em porcelana Steatita - chintz psicodélico - final déc. 1960. |
![]() |
| Xícara de café, porcelana Schmidt produzida entre 1946 e 1958. |
![]() |
| Porta jóias, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
![]() |
| Petisqueira, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
16
comentário(s) - clique para ler ou comentar
palavras-chave: Ars Bohemia, Cerâmica Mauá, chintz, D. Pedro II, Emano, Luiz XV, Oxford, PA, Pátria, Porcelanarte, Real, Rio Branco, São Pedro, Schmidt, Steatita




















































