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22 de janeiro de 2007

entrevista para a revista "Mão na Massa"


1. Porque criar um site com uma coleção de porcelanas?

A coleção veio antes do site. No final de 2004 recebi de meus pais o apartamento no qual moramos por muitos anos, com tudo que tinha dentro, e isso incluia algumas poucas peças de porcelana, sendo que algumas ainda do enxoval de casamento deles, que foi tragicamente destruído em um acidente quando eu ainda era criança. Os móveis da sala de jantar e de estar tinham um certo ar rústico, de fazenda, então reorganizei as salas de forma a criar um ambiente de acordo com este estilo, um pouco como a casa de uma avó do interior. E para completar esta decoração, fui pela primeira vez no Shopping dos Antiquários, aqui no Rio de Janeiro, em Copacabana. Lá comprei alguns objetos, móveis acessórios, e o que talvez tenha sido o "virus" que me infectou pelo "vício" em caulim: meu primeiro prato de louça nacional, um grande prato de bolo em faiança da Cerâmica Matarazzo.

Durante um certo tempo continuei comprando peças antigas para as salas, mas cada vez mais eram as louças que dominavam minha atenção e interesse, mas ainda comprava porcelana e faiança de várias nacionalidades. Como sempre gosto de saber bem com o que estou lidando, e detesto ficar na ignorância, comecei a pesquisar as peças de louça que já tinha acumulado, e percebi que era bastante fácil encontrar informações sobre as peças importadas, mas praticamente NADA havia sobre a louça nacional. Fiquei muito frustrado com mais essa demonstração de falta de interesse pela nossa história.

Não me conformei com o fato, e decidi que eu iria mudar isso, eu ia sair em campo pesquisando a história de nossa indústria de louça, e tudo o que eu conseguisse colocaria em um site à disposição de todos os que como eu procurassem estas informações.

2. O que mais te atraia na arte da pintura em porcelana?

Na verdade meu interesse é pela louça industrial, que já sai da fábrica decorada, e não a louça com decoração artística. Há muitos casos de louças pintadas à mão no site, mas isto era feito nas fábricas, ou seja, eram decorações em série, que seguiam um padrão pré-estabelecido por um decorador chefe.

3. Como foram feitas as pesquisas para montar o acervo, coletar e organizar todas as informações contidas no site.

A pesquisa teve início na própria internet, onde "escavei'" a rede atrás de informações sobre nossa indústria de louça. E como já mencionei, há muito pouco. Por incrível que pareça, uma grande fonte de pesquisa foram os sites de leilão, onde perturbei muita gente pedindo informações sobre as peças à venda. Mas pude perceber que o desconhecimento sobre o assunto era total. À medida em que meu site foi se tornando conhecido, apareceram outras pessoas interessadas em colaborar, principalmente com fotos de seus acervos, e algumas vezes, com informações sobre as peças.

A consulta às raras referências bibliográficas sobre louça brasileira também foram muito importantes para esta pesquisa. E não posso deixar de mencionar os Museus e Centros de Documentação das cidades do interior de São Paulo, onde se deu (e ainda hoje se dá) a maior parte da produção de louça em nosso país. Todas os livros e artigos consultados para o site constam da seção Bibliografia, para quem quiser fazer suas próprias pesquisas.

4. Se você não faz trabalhos em porcelana, porque criou o site? O que te atrai neste tipo de arte e objetos?

Acho que a primeira parte desta pergunta é uma repetição da pergunta no. 1

Acho que ninguém sabe como se instala em nós o vírus do vício em caulim, mas de toda forma, acho que as pessoas que tem paixão por antiguidades buscam de alguma forma se afastar um pouco da loucura e aceleração de nossa vida contemporêna, e ir buscar refúgio em memórias e na nostalgia de um tempo onde se podia viver mais lentamente, com mais prazer e menos stress, quando se havia tempo para admirar e encorporar no dia a dia um pouco de beleza e de arte.

5. A seu ver, qual a contribuição do site para a arte e cultura no Brasil?

Espero com meu site preencher parte de uma imensa lacuna, sobre a história da indústria de louças no Brasil, uma indústria que é uma das maiores do mundo, e que já foi ainda maior, em termos de variedade e qualidade técnica e artística. Hoje há poucos fabricantes, as decorações são sem imaginação, o design dos modelos são sem graças, não há um investimento artístico nas peças produzidas.

6. Como o mercado reage a esse trabalho exposto no site? Quantas consultas você obtém por dia, por semana ou por mês? Você tem este dado?

Me parece que o site foi muito bem recebido pelo mercado, uma vez que recebo muitas manifestações de aprovação e apreço pelo meu trabalho.

A média de visitas por dia está entre 40 e 70 pessoas, com as consultas de páginas variando de 300 a 600, o que dá uma média de mais de 8 páginas consultadas por pessoa, o que é um índice bastante significativo para internet. O site não conta com nenhum esquema especial de divulgação e propaganda, mas mesmo assim todos os dias surgem novos visitantes.

7. Qual a utilidade do site para quem trabalha com porcelana?

Agora é possível para quem compre e vende louça brasileira datar as peças em negociação com uma razoável precisão. Além disso, pode-se conhecer a história das fábricas, as principais pessoas por trás desta indústria, seus pioneiros, os processos produtivos das fábricas, entre tantas informações que antes estavam totalmente dispersas, e agora estão todas centralizadas em uma imensa "enciclopédia" sobre o assunto. Há ainda uma coleção de artigos técnicos de grande ajuda para quem quer saber um pouco mais à fundo os materiais e processos industriais envolvidos na fabricação de louça.

Já houve o caso também de uma artesã que produz miniaturas de porcelana que me disse usar o site com fonte de inspiração para suas miniaturas.

8. Quais suas dicas para aproveitarmos melhor o conteúdo do site? quais as áreas mais consultadas, o que o internauta procura ao acessar o site?

As duas formas mais simples de consultar o site é através da seção "Fábrica & Marcas", um compêndio das marcas usadas pelas fábricas brasileiras, que tem por objetivo maior auxiliar na datação de peças. Nas páginas desta seção também pode-se conhecer a história das fábricas de louça nacionais.

A outra seção abrangente a ser consultada é a "Modelos & Decorações", que é uma coleção de fotos de peças de louça nacional,e talvez seja a seção mais consultada, pela beleza das peças.

Quando a pessoa não faz a menor idéia de qual fábrica é a marca gravada na peça que deseja consultar, recomendo que procure o link "Todas as Marcas", nesta mesma página. Neste link há um resumo das marcas do principais fabricantes brasileiros.

Recomendo ainda que como "base" do conhecimento, sejam lidos os artigos técnicos, na seção "Artigos" e os artigos históricos, na seção "História". Estas duas seções são um pouco negligenciadas demais pelos visitantes. Acho que neste país há muito preguiça por aprender, pois a quase totalidade das consultas que recebo por email querem uma resposta imediata e direta.

9. As visitas ao site geram dúvidas no internauta? Quais as perguntas mais freqüentes?

As dúvidas mais freqüentes não são sobre o site, mas sobre identificação e datação de peças, e daí as encaminho para o Forum do site, que é o melhor local para publicar este tipo de dúvida, pois lá outras pessoas que saibam alguma coisa sobre uma determinada consulta também poderá ajudar, não ficando restrito apenas à mim e minha disponibilidade de tempo e informações. E a dúvida de um pode ser esclarecedora para muitos.

10. Quais seus objetivos ao criar o site?

Esta pergunta também se sobrepõe à pergunta no. 1.

11. Durante suas pesquisas, você se deparou com algumas curiosidades ou surpresas sobre as obras pesquisas, sobre o trabalho realizado no mundo e, principalmente, no Brasil?

Como o site é apenas sobre a indústria de louça brasileira, só pesquiso sobre as fábricas nacionais. Naturalmente já li muita coisa sobre a indústria estrangeira, mas apenas para satisfazer minha curiosidade cultural. Curiosidades é o que nã faltam, e estão nos artigos técnicos e históricos, e principalmente na história das fábricas em cada uma das páginas da seção "Fábrica & Marcas".

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