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xícara de café | Porcelana Barão do Rio Branco


xícara de café
Porcelana Barão do Rio Branco
Rio de Janeiro - RJ
porcelana
decoração com estampagem e filetes em verniz verde e ouro
janeiro/1962
coleção Fábio Carvalho

Porcelana Rio Branco S/A

A primeira referência à Porcelana Rio Branco até hoje encontrada é o registro da marca e do nome comercial em 1947. No catálogo telefônico carioca de 1952 a Rio Branco consta apenas como uma seção da Cia. Brasileira de Vidros (CBV), localizada no bairro de Vicente de Carvalho. Em um jornal deste mesmo ano verificamos que a empresa CBV pertencia ao português Antonio Rodrigues d'Almeida, que migrou para o Brasil na década de 1910.

Apenas em 1953 que a marca comercial “Porcelana Rio Branco” surge no catálogo telefônico, em um anúncio em destaque. Em 1956 aparece pela primeira vez na lista de assinantes do catálogo telefônico, na entrada “porcelana”. Some dos catálogos telefônicos entre 1957 e 1959, reaparecendo em 1960, agora com a razão social “Porcelana Rio Branco S/A”, e endereço independente da Cia. Brasileira de Vidros. No Diário Oficial da União, verificou-se que a criação da empresa “Porcelana Rio Branco S/A” se deu em 1958. Em atividade aparentemente até 1967, pois não consta nos catálogos telefônicos de 1968 em diante. As peças datadas mais tardias encontradas são de 1965.

Na imagem, um pouco da história da fábrica carioca Porcelana Rio Branco, através de suas marcas ao longo do tempo.

xícara de café | Porcelana Barão do Rio Branco


Hoje o Theatro Municipal do Rio de Janeiro promove uma série de concertos gratuitos, em comemoração ao seu 109° aniversário. Aqui fica minha singela homenagem, com esta xícara de café comemorativa do 50° aniversário.
Porcelana Barão do Rio Branco
decoração com decalque e filetagem em ouro
1959
coleção Fábio Carvalho

xícara de café - Porcelana Rio Barão Branco



xícara de café
Porcelana Rio Barão Branco
Rio de Janeiro - RJ
porcelana
decoração com destampagem e filetes em ouro
março/1960
coleção site Porcelana Brasil

prato comemorativo - Porcelana Barão do Rio Branco



prato comemorativo do 4° centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro
Porcelana Barão do Rio Branco
porcelana
decoração com decalques e filete em ouro
1965
fotos: site Mercado Livre

Chintz, um padrão que veio da Índia

autor: Fábio Carvalho
data: outubro/2006

jogo de café | Porcelana Saler | déc. 1950
decoração com decalque chintz | coleção Fábio Carvalho

Chintz Indiano pintado à mão, séc 18.
Tal qual na moda, há padrões de decoração de louça que vêm e vão. Um dos casos mais interessantes é o padrão Chintz, que já teve várias “ondas” de popularidade pelo mundo.

A palavra inglesa chintz deriva do termo indiano “chint”, que significa um tecido de algodão mais barato, estampado em toda a sua superfície de forma vívida, com um brilho encerado devido ao uso de goma. Geralmente traz desenhos de flores, frutas e pássaros, sendo popular desde o século XVII . Com o tempo, o termo passou a definir todo tipo de tecido exportado da Índia colonial para a Inglaterra que apresentasse padronagem floral complexa. Foi usado não apenas em tecidos, como também em papel de parede.

A padronagem chegou ao Brasil através dos portugueses, que também mantinham negócios com a Índia. Com o tempo o Chintz Indiano foi sendo adaptado ao gosto local, com padrões mais simplificados com flores maiores, de cores contrastantes e intensas.

É o tecido que conhecemos como “Chita” ou “Chitão”, muito popular no interior e nas festas juninas, e que recentemente ganhou as passarelas da “alta moda”, e até mesmo empresta suas estampas para uma cadeira do badalado designer francês Philippe Starck.

O que hoje se considera a primeira indústria brasileira foi exatamente uma estamparia de chitas, a “Fábrica de Chitas”, aberta em 1820. Ela se localizava no Rio de Janeiro, no recém criado bairro do Andaraí Pequeno, no “Largo da Fábrica das Chitas” (atual Praça Saens Peña), e funcionou por apenas 20 anos, mas mesmo assim a região continuou a ser conhecida como “bairro das chitas” por quase um século.

No que diz respeito à louça de mesa, a palavra chintz passou a ser usada pelos ingleses, e depois internacionalmente, para definir peças decoradas com padrões florais intrincados e vistosos, que geralmente recobrem a maior parte da louça.

Inicialmente, a aplicação de padrões chintz em louça era um processo decorativo feito através de pintura à mão, o que naturalmente era muito complicado, lento e de alto custo.

jogo da marca inglesa Royal Albert,
padrão "Old Country Roses".
Quando a companhia inglesa Grimwades (através de sua marca comercial Royal Wades) conseguiu desenvolver no início do século XX um processo industrial que tornou economicamente viável a fabricação em massa de louça com este tipo de decoração, a popularidade dos padrões chintz decolou.

Eles desenvolveram um processo em que os complexos padrões florais eram impressos por litografia em papel ou tecido duplo muito fino, que possuía uma camada removível. A parte impressa era aderida à louça, sendo então retirada a parte removível, exatamente como os decalques atuais. Uma vez queimada a louça nos fornos, permanecia apenas a tinta da impressão, que depois era protegida por uma camada de verniz.

Em meados dos anos 1930, no Reino Unido, era comum se dizer que a decoração chintz era “a expressão máxima do requinte e elegância da mesa Inglesa”. Esta decoração continuou muito popular até o início dos anos 1960, quando começou a ser vista como ultrapassada. Eram os novos tempos, de grandes mudanças no cenário cultural mundial. Nesta época começam também a surgir outros materiais no fabrico de serviço de mesa, o que fez declinar a popularidade da porcelana e faiança em geral, e em particular com a decoração chintz.

Bandeja Royal Winton (Grimwade)
padrão Chintz 'Beeston' - Inglaterra - 1934-50.
Na década de 1990 a louça chintz recuperou sua popularidade, não mais junto ao consumidor de massa, e sim no setor de antigüidades e peças de coleção.

Há no exterior uma extensa bibliografia e muitos websites sobre o assunto, e o interesse pela louça chintz cresceu tanto que até mesmo a marca Royal Wades voltou a fabricar louça chintz, devido principalmente à enorme demanda norte-americana por estas peças.

O irônico é justamente o sucesso atual do padrão chintz nas fábricas inglesas num momento em que a maioria delas enfrenta problemas financeiros, pois foi justamente o padrão chintz que, como agora, salvou várias fábricas do Reino Unido durante a depressão da década de 1930.

A própria Royal Wades recontratou recentemente várias operárias que foram demitidas ao longo dos anos 1960, quando as linhas de produtos chintz começaram a deixar de ser produzidas.


E no Brasil...

Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá),
data provável déc. 1950/60. Coleção do autor.
No Brasil tivemos diversas fábricas que usaram padrões chintz na decoração de suas peças de louça. Os exemplos mais antigos talvez sejam da Fábrica de Louça Paulistana (Mauá – SP), em peças de mesa e decorativas, produzidos provavelmente entre a década de 1950 e 1965. Há também exemplos de louça de mesa da década de 1950 das fábricas Barão do Rio Branco (Rio de Janeiro - RJ) e da Porcelana Schmidt (Pomerode – SC)..

Os exemplares de louça chintz brasileira que podemos encontrar com maior facilidade e em maior quantidade em nosso mercado de antiguidades e colecionismo são os produzidos pelas marcas de decoração Ars Bohemia, Pátria (DP, PA), Porcelanarte/Polovi e Luiz XV.

As peças destas marcas, que utilizavam a louça branca das grandes fábricas em seus produtos, apenas aplicando a decoração, foram produzidas pelas décadas de 1960 e 1970, e possuem motivos muito ricos e vistosos. Também encontramos exemplos de decoração chintz das fábricas maiores e mais tradicionais, como a Porcelana Real (Mauá – SP) e a Porcelana Schmidt (Pomerode - SC), mas não na mesma quantidade e diversidade que as empresas de decoração anteriormente citadas.

Alguns dos padrões chintz “tardios” que encontramos em louça nacional apresentam adaptações ao gosto “psicodélico” da época, também conhecido como "Paisley" (outro padrão importado da Índia).

Licoreiro da Cerâmica São José, decorado
com um chintz psicodélico (Paisley).
Recentemente, para minha surpresa, encontrei um licoreiro da marca Cerâmica São José (Pedreira – SP) com aplicação de um chintz psicodélico. Até então só conhecia os tradicionais bibelôs e vasos com adornos em relevo de flores desta marca.

Mesmo a fábrica carioca Porcelana D. Pedro II, mais conhecida por sua porcelana para restaurantes e hotéis (foi a primeira fábrica brasileira a se dedicar a este tipo de produção, e ao longo de muitos anos foi o principal fornecedor de louça comercial no país) também produziu peças com decoração chintz.

Atualmente a Vista Alegre do Brasil (empresa portuguesa que comprou a Porcelana Renner em 1998 para produzir no Brasil, visando o Mercosul) possui em seu catálogo atual um padrão de decoração chamado “Chintz Azul”, mas que foge um pouco ao conceito do Chintz tradicional, pois a decoração não cobre a maior parte da louça, deixando muita área branca.

Naturalmente esta não é uma lista definitiva, pois quem lida com antiguidades e colecionismo sabe que todo dia uma novidade pode surgir, e deve-se sempre estar aberto a rever conceitos e paradigmas.

Xícara de chá da porcelana D. Pedro II - déc. 1960.
Coleção do autor.
É curioso que o grande “boom” da louça chintz no Brasil deu-se justamente quando no exterior este tipo de decoração já era considerado ultrapassado.

Teria sido porque foi nestas décadas que a produção local de decalques para a decoração de louça se difundiu, não sendo mais obrigatória a importação dos decalques, o que barateou o processo decorativo?

Talvez, mas o estranho é que os desenhos encontrados em nossas louças chintz são basicamente estrangeiros.

Xícara de café, decoração Emano sobre
porcelana Real, déc. 1970. Coleção do autor.

É uma pena que jamais tenha sido criada por aqui uma decoração de louça chintz com desenhos tipicamente brasileiros, como aconteceu na estamparia.
Fica aqui a minha sugestão para que a nossa indústria aproveite a atual valorização do “Chitão” na moda e no design, e crie jogos de porcelana com padrões tipicamente brasileiros.



Vários exemplos do chitão brasileiro.


Este artigo foi originalmente publicado na revista Retrô, de abril/2007 - Ano 3 - Edição nº. 18.




Decoração "Chita", criação de Marcelo Rosenbaum
Atualização de 10 de abril de 2011

Curiosamente, por volta de 1 ano após a publicação deste meu artigo na revista Retrô, foi lançada pela loja Tok Stok uma coleção de louça com decorações criadas pelo renomado designer brasileiro Marcelo Rosenbaum, e fabricada pela Oxford, chamada "Linha Brasil", que dentre as várias decorações, possuia uma chamada "Chita", que é justamente baseada no Chitão brasileiro.

Se você quiser conhecer as outras decorações criadas por Marcelo Rosenbaum para a Tok & Stok/Oxford (são todas muito bonitas e criativas), acesse este link.


Abaixo você pode conhecer mais exemplos de louça Chintz fabricada no Brasil:

Prato de sobremesa, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

Xícara de café, decoração Emano sobre porcelana Real, déc. 1970.

Decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960/70.

Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

Jarro (1 litro) e xícara de chá, Porcelana Rio Branco, déc. 1950.
Jogo para bolo, Porcelana real, dec. 1960.

decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960.

Trio de lanche, decoração PA sobre porcelana Real déc. 1960.

Xícara de café, decoração Ars Bohemia sobre porcelana Steatita, déc. 1960.

Decoração Porcelanarte em porcelana Steatita - chintz psicodélico - final déc. 1960.

Xícara de café, porcelana Schmidt produzida entre 1946 e 1958.

Porta jóias, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

Petisqueira, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950.

jogo de café, chá e bolo - Porcelana Barão do Rio Branco













jogo de café, chá e bolo
Porcelana Barão do Rio Branco
porcelana
decoração com decalques e ouro
déc. 1960
fotos: cortesia Paseco Antiguidades
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-178245171-jogo-de-cha-cafe-e-bolo-baro-rio-branco-_JM

A majestade das sopeiras - BARÃO DO RIO BRANCO

Hoje trago uma seleção de fotos de sopeiras da Porcelana Barão do Rio Branco, fábrica carioca (RJ) que funcionou não por muito tempo, de aproximadamente 1947 a 1967. Como vocês mesmos perceberão, não houve uma grande variação de modelos nesta fábrica, o mesmo acontecendo não apenas nos jogos de jantar, como demonstram as sopeiras, mas também nos jogos de café, chá e bolo. Mesmo as decorações, que eram mais variadas do que os modelos, também não eram muito numerosas, como podemos ver em outras fábricas brasileiras, mesmo as que duraram tão pouco quanto a Barão do Rio Branco.


coleção Porcelana Brasil


cortesia coleção Maria Bernadete da Silva






cortesia coleção Alice I.O e Silva







4o. Centenário do Rio de Janeiro "Extravaganza"


Ontem na feira da praça XV havia uma banca em que praticamente à venda era souvenir do 4o. Centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro. As peças eram basicamente da Porcelana Barão do Rio Branco e da Porcelana Mauá.



Eu adoro estas peças, claro que muito por eu ser carioca e ADORAR minha cidade, não importa o que falem dela, o qual seja a situação atual (uma característica bem carioca, que tem o lado ruim de levar as pessoas a se acomodarem e fazerem vista grossa para os problemas que deveriam ser enfrentado, mas isso é outro assunto).





Mas eu os aprecio PRINCIPALMENTE pelo fato do 4o. Centenário do Rio de Janeiro ter acontecido no ano em que nasci, 1965. E como sou obsecado pelo ano do meu nascimento...





Então, não poderia deixar de comprar algumas peças para a minha mini-coleção de louça do 4o. Centenário do Rio de Janeiro! Na verdade, esta coleção é tão "mini", que com as peças que comprei ontem (um bule, um prato de jogo de sanduíche, 1 caneca pequena, 2 xícaras de chá e 1 xícara de café), a coleção dobrou de tamanho.





Com isso, arrumei um lugar especial na organização da minha "macro" coleção, para poder expor todas as peças juntas.



Na banca ainda havia muitas outras peças, como xícaras com outros motivos decorativos, cinzeiros, covilhetes, bandejas, etc. Mas não dá para comprar tudo o que se quer sempre! Agora, se semana que vem eles ainda estiverem na feira... Ah, eu vou comprar mais sim!