
Xícara de chocolate | D. Pedro II
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palavras-chave: chintz, D. Pedro II
xícaras de café | Emano
Emano
E. Janowitzer & Cia Ltda
Rio de Janeiro - RJ
porcelana
decoração com decalques padrão Chintz
déc 1960/70
coleção Fábio Carvalho
Chintz, um padrão que veio da Índia
autor: Fábio Carvalho
data: outubro/2006
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| jogo de café | Porcelana Saler | déc. 1950 decoração com decalque chintz | coleção Fábio Carvalho |
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| Chintz Indiano pintado à mão, séc 18. |
A palavra inglesa chintz deriva do termo indiano “chint”, que significa um tecido de algodão mais barato, estampado em toda a sua superfície de forma vívida, com um brilho encerado devido ao uso de goma. Geralmente traz desenhos de flores, frutas e pássaros, sendo popular desde o século XVII . Com o tempo, o termo passou a definir todo tipo de tecido exportado da Índia colonial para a Inglaterra que apresentasse padronagem floral complexa. Foi usado não apenas em tecidos, como também em papel de parede.
A padronagem chegou ao Brasil através dos portugueses, que também mantinham negócios com a Índia. Com o tempo o Chintz Indiano foi sendo adaptado ao gosto local, com padrões mais simplificados com flores maiores, de cores contrastantes e intensas.
O que hoje se considera a primeira indústria brasileira foi exatamente uma estamparia de chitas, a “Fábrica de Chitas”, aberta em 1820. Ela se localizava no Rio de Janeiro, no recém criado bairro do Andaraí Pequeno, no “Largo da Fábrica das Chitas” (atual Praça Saens Peña), e funcionou por apenas 20 anos, mas mesmo assim a região continuou a ser conhecida como “bairro das chitas” por quase um século.
No que diz respeito à louça de mesa, a palavra chintz passou a ser usada pelos ingleses, e depois internacionalmente, para definir peças decoradas com padrões florais intrincados e vistosos, que geralmente recobrem a maior parte da louça.
Inicialmente, a aplicação de padrões chintz em louça era um processo decorativo feito através de pintura à mão, o que naturalmente era muito complicado, lento e de alto custo.
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| jogo da marca inglesa Royal Albert, padrão "Old Country Roses". |
Eles desenvolveram um processo em que os complexos padrões florais eram impressos por litografia em papel ou tecido duplo muito fino, que possuía uma camada removível. A parte impressa era aderida à louça, sendo então retirada a parte removível, exatamente como os decalques atuais. Uma vez queimada a louça nos fornos, permanecia apenas a tinta da impressão, que depois era protegida por uma camada de verniz.
Em meados dos anos 1930, no Reino Unido, era comum se dizer que a decoração chintz era “a expressão máxima do requinte e elegância da mesa Inglesa”. Esta decoração continuou muito popular até o início dos anos 1960, quando começou a ser vista como ultrapassada. Eram os novos tempos, de grandes mudanças no cenário cultural mundial. Nesta época começam também a surgir outros materiais no fabrico de serviço de mesa, o que fez declinar a popularidade da porcelana e faiança em geral, e em particular com a decoração chintz.
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| Bandeja Royal Winton (Grimwade) padrão Chintz 'Beeston' - Inglaterra - 1934-50. |
Há no exterior uma extensa bibliografia e muitos websites sobre o assunto, e o interesse pela louça chintz cresceu tanto que até mesmo a marca Royal Wades voltou a fabricar louça chintz, devido principalmente à enorme demanda norte-americana por estas peças.
O irônico é justamente o sucesso atual do padrão chintz nas fábricas inglesas num momento em que a maioria delas enfrenta problemas financeiros, pois foi justamente o padrão chintz que, como agora, salvou várias fábricas do Reino Unido durante a depressão da década de 1930.
A própria Royal Wades recontratou recentemente várias operárias que foram demitidas ao longo dos anos 1960, quando as linhas de produtos chintz começaram a deixar de ser produzidas.
E no Brasil...
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| Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá), data provável déc. 1950/60. Coleção do autor. |
Os exemplares de louça chintz brasileira que podemos encontrar com maior facilidade e em maior quantidade em nosso mercado de antiguidades e colecionismo são os produzidos pelas marcas de decoração Ars Bohemia, Pátria (DP, PA), Porcelanarte/Polovi e Luiz XV.
As peças destas marcas, que utilizavam a louça branca das grandes fábricas em seus produtos, apenas aplicando a decoração, foram produzidas pelas décadas de 1960 e 1970, e possuem motivos muito ricos e vistosos. Também encontramos exemplos de decoração chintz das fábricas maiores e mais tradicionais, como a Porcelana Real (Mauá – SP) e a Porcelana Schmidt (Pomerode - SC), mas não na mesma quantidade e diversidade que as empresas de decoração anteriormente citadas.
Alguns dos padrões chintz “tardios” que encontramos em louça nacional apresentam adaptações ao gosto “psicodélico” da época, também conhecido como "Paisley" (outro padrão importado da Índia).
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| Licoreiro da Cerâmica São José, decorado com um chintz psicodélico (Paisley). |
Mesmo a fábrica carioca Porcelana D. Pedro II, mais conhecida por sua porcelana para restaurantes e hotéis (foi a primeira fábrica brasileira a se dedicar a este tipo de produção, e ao longo de muitos anos foi o principal fornecedor de louça comercial no país) também produziu peças com decoração chintz.
Atualmente a Vista Alegre do Brasil (empresa portuguesa que comprou a Porcelana Renner em 1998 para produzir no Brasil, visando o Mercosul) possui em seu catálogo atual um padrão de decoração chamado “Chintz Azul”, mas que foge um pouco ao conceito do Chintz tradicional, pois a decoração não cobre a maior parte da louça, deixando muita área branca.
Naturalmente esta não é uma lista definitiva, pois quem lida com antiguidades e colecionismo sabe que todo dia uma novidade pode surgir, e deve-se sempre estar aberto a rever conceitos e paradigmas.
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| Xícara de chá da porcelana D. Pedro II - déc. 1960. Coleção do autor. |
Teria sido porque foi nestas décadas que a produção local de decalques para a decoração de louça se difundiu, não sendo mais obrigatória a importação dos decalques, o que barateou o processo decorativo?
Talvez, mas o estranho é que os desenhos encontrados em nossas louças chintz são basicamente estrangeiros.
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| Xícara de café, decoração Emano sobre porcelana Real, déc. 1970. Coleção do autor. |
É uma pena que jamais tenha sido criada por aqui uma decoração de louça chintz com desenhos tipicamente brasileiros, como aconteceu na estamparia.
Fica aqui a minha sugestão para que a nossa indústria aproveite a atual valorização do “Chitão” na moda e no design, e crie jogos de porcelana com padrões tipicamente brasileiros.
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| Vários exemplos do chitão brasileiro. |
Este artigo foi originalmente publicado na revista Retrô, de abril/2007 - Ano 3 - Edição nº. 18.
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| Decoração "Chita", criação de Marcelo Rosenbaum |
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| Prato de sobremesa, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
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| Xícara de café, decoração Emano sobre porcelana Real, déc. 1970. |
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| Decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960/70. |
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| Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
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| Jarro (1 litro) e xícara de chá, Porcelana Rio Branco, déc. 1950. |
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| Jogo para bolo, Porcelana real, dec. 1960. |
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| decoração Luiz XV sobre porcelana Steatita - xícara de café - déc. 1960. |
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| Trio de lanche, decoração PA sobre porcelana Real déc. 1960. |
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| Xícara de café, decoração Ars Bohemia sobre porcelana Steatita, déc. 1960. |
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| Decoração Porcelanarte em porcelana Steatita - chintz psicodélico - final déc. 1960. |
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| Xícara de café, porcelana Schmidt produzida entre 1946 e 1958. |
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| Porta jóias, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
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| Petisqueira, Fábrica de Louça Paulista (Cerâmica Mauá) - déc. 1950. |
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palavras-chave: Ars Bohemia, Cerâmica Mauá, chintz, D. Pedro II, Emano, Luiz XV, Oxford, PA, Pátria, Porcelanarte, Real, Rio Branco, São Pedro, Schmidt, Steatita
linha Brasil para a Oxford
fonte:http://rosenbaumdesign.wordpress.com/2008/08/25/81/
design de Marcelo Rosenbaum para decoração de louça da Oxford (coleção 2007/2008, já esgotada e fora de catálogo)
textos de Jackson Araujo
MARACATU
“Com seu rico manto bordado, o Caboclo-de-Lança é a figura mais emblemática do Maracatu Rural ou de Baque Solto, da Zona da Mata pernambucana. Encanta pela beleza colorida, óculos escuros, flor entre os dentes. Seu transe é alimentado por quinze dias de abstinência sexual e doses de cachaça com pólvora. É o Guerreiro de Ogum e carrega nas costas, sob a vestimenta sagrada, os chocalhos que marcam o ritmo eufórico da dança entre os versos entoados pelo Mestre.”


IEMANJÁ
“Sereia, Princesa do Mar, Janaína, Inaê, Dandalunda, Nossa Senhora das Candeias… É a protetora das viagens e dos amores. O mar é sua eterna morada e para onde leva os amantes. Ela gosta de perfumes, rosas, colares, pentes e tudo o que é elegante e feminino. Sábado é seu dia. Azul e branco, suas cores. Deusa marinha como Afrodite, deu à luz as estrelas, as nuvens e os orixás. De seu ventre nasceram Xangô, Oiá, Ogum, Ossaim, Obaluê e os Ibejis. Ela é mãe. A Mãe D’Água.”


CARROCERIA DE CAMINHÃO
“Com as carrocerias pintadas de motivos que lembram grafismos indígenas, os caminhões cruzam o Brasil transportando, além de cargas pesadas, vidas cheias de sonhos. São as moradias de homens que, cansados de um amor em cada porto, ao contrário dos marinheiros dos romances e folhetins, agora viajam com toda a família a bordo.Transitam pelas BRs sem endereço fixo e transformam os postos de gasolina em hotéis. Seu verdadeiro luxo: poder amar sobre quatro rodas.”


CHITA
“Se a cultura popular tivesse um sudário, seria a chita. Tecido ordinário, de algodão, estampado, colorido, traz impresso o jeito simples de viver do Brasil. Veste as donzelas nas festas juninas, alegra os bonecos de Olinda, dá vida à saia do Bumba-Meu-Boi, adocica a virilidade dos cavaleiros do Divino, decora a toalha de mesa, envolve a almofada da renda de bilro, deixa mais feliz o colchão e a colcha da cama do sertão. Diz que veio das Índias, mas seu RG é bem brasileiro.”


RENDA
“Olê muié rendera, olé muié rendá, tu me ensina a fazê renda, que eu te ensino a namorá…” Os versos que já embalaram tantos amores traduzem a poesia das mãos que fazem a renda Renascença. Tudo começa com o risco dos arabescos. Depois, a trama de linha, como galhos e espinhos da caatinga, une tudo em pontos chamados de abacaxi, besouro, flor,caramujo, arroz, pipoca, balaio, amor… E assim são tecidos os romances sob o ouro da luz da lamparina.”
























