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Jessica Harrison

Este ano foram apresentadas em Paris, na Galerie L.J as novas peças escultóricas de Jessica Harrison. Nós já vimos peças anteriores desta artista nesta postagem >>.

Esta foi sua primeira exposição individual na capital francesa. Um pouco diferentes de suas antigas esculturas, essas são cobertas por tatuagens no melhor estilo old-school.








fonte >>

Fábio Carvalho - Residência Artística ID POOL - Porcelana Vista Alegre

O artista Fábio Carvalho participou de outubro a dezembro de 2013 da residência artística ID POOL na Fábrica de Porcelana Vista Alegre. Esta foi a sua quarta residência artística naquele país, e a segunda na Vista Alegre, onde já havia participado em 2011 da residência “Projecto Artistas Contemporâneos”.

Durante a atual residência, além de desenvolver seu trabalho autoral, incorporando elementos e materiais da fábrica na minha pesquisa corrente de trabalho, como por exemplo a série “V.A.”, Fábio Carvalho produziu duas séries de imagens que serão incorporadas às peças da Porcelana Vista Alegre.

Nos desenhos da série “V.A.” foram usadas folhas de prova de impressão do setor de produção de decalques da Porcelana Vista Alegre, decalques estes que são usados na decoração das peças de porcelana. Estas folhas são usadas repetidas vezes de forma aleatória, e com a superposição das várias provas de impressão, vão sendo criados novos e intricados padrões. Em meio aos resultados das impressões, o artista redesenhou elementos do universo masculino obtidos de manuais de fisioculturismo antigos, desde a década de 1930 até a década de 1950.


V.A. (um bongo 3)
naquim e acrílica sobre serigrafia em papel de prova
de impressão para produção de decalque
2013 | 29,7 x 21 cm

Fábio Carvalho também criou peças originais para comercialização pela Porcelana Vista Alegre, peças estas que apresentam aspectos de seu vocabulário artístico pessoal. A decoração de porcelana foi o primeiro elemento do universo aceito como feminino que o artista usou em seus trabalhos da série Macho Toys, em contraposição aos estereótipos de masculinidade e virilidade.

Durante a residência na Porcelana Vista Alegre Fábio Carvalho procurou conciliar sua produção autoral com o imaginário tradicional da fábrica, para criar peças de intensa beleza, mas ainda assim manter a dialética da sua produção em arte.


Aplicação dos decalques criados pelo artista
em peças da Porcelana Vista Alegre

Ao invés de usar armas de fogo, soldados contemporâneos, entre outras imagens comumente encontradas em sua obra, Fábio fui buscar no passado remoto imagens de guerreiros e suas armas, uma vez que o uso de imagens antigas, de séculos passados, é uma prática recorrente na Porcelana Vista Alegre.



Como disse o artista "é curioso notar como pela distância no tempo estas imagens não são mais percebidas de forma geral como brutais e ameaçadoras, embora em essência o sejam, e destinavam-se a ser assim, mas muito pelo contrário, são vistas como imagens nostálgicas de um tempo de maior heroísmo e honradez que o atual".

Na residência artística Fábio Carvalho criou duas séries de trabalhos: Armi dell'Arte e Turnierbuch.


As imagens usadas no projeto Armi dell'Arte são xilogravuras que ilustram o livro “Opera Nova dell'Arte delle Armi”, de autoria do italiano Achille Marozzo (1484-1553), publicado em 1536 em Modena, e atualmente no acervo da Biblioteca Estadual da Baviera, Alemanha, que gentilmente deu permissão para o uso das imagens. Este livro é considerado uma das obras mais importantes sobre esgrima e os rituais dos duelos judiciais na Itália no século XVI, e atualmente o trabalho de Marozzo vem sendo estudado por vários grupos de Esgrima Histórica em diversos países.


Sobre as imagens dos lutadores de esgrima, o artista aplicou uma exagerada quantidade de padrões decorativos antigos do período vitoriano, principalmente florais, mas também insetos e aves, que eram comumente usados pelas mulheres em seus "scrapbooks", junto com fotos de família, cartões postais, etc.


Já as imagens usadas no projeto Turnierbuch são ilustrações pintadas à mão do livro “Turnierbuch - Kopie nach dem Original von Hans Burgkmair”, de autoria de Hans Burgkmair, publicado por volta de 1540, e criado como uma forma de propaganda em tributo aos triunfos do Imperador Maximiliano I. Este livro também se encontra no acervo da Biblioteca Estadual da Baviera, que igualmente deu permissão para o uso das imagens. A procissão imaginária retratada nas ilustrações representa as aspirações, realizações e interesses do Imperador. São apresentados os membros do corte: caçadores, funcionários judiciais, músicos, palhaços, mascarados e homens de que simbolizam os diferentes tipos de torneios.


Para o projeto, o artista selecionou algumas imagens de cavaleiros e soldados. Às imagens dos cavaleiros e soldados, aplicou ilustrações antigas (período vitoriano) de diversos pássaros. A ideia de usar os pássaros, segundo o artista, partiu do fato de já haver nas ilustrações um curioso uso de aves (entre outros símbolos) como elementos alegóricos.

Fábio Carvalho e Oficina da Formiga

Nunca pensei que iria um dia fazer uma postagem sobre mim mesmo neste blog, e na verdade, preferia mesmo nunca fazê-lo, para não correr o risco de parecer narcisista. Mas acontece que no final de 2013 eu tive a incrível oportunidade de fazer uma Residência Artística na Oficina da Formiga, uma cerâmica que fica em Ílhavo, Portugal, criada em 1992 por Jorge Saraiva, e me dá imenso prazer poder compartilhar esta experiência única com meus seguidores.


Jorge Saraiva - foto: Oficina da Formiga

Fábio Carvalho - foto: Oficina da Formiga

Nesta residência eu pude aprender e explorar com o Mestre Jorge Saraiva as técnicas e métodos portugueses tradicionais da pintura com estampilha (estanhola, stencil ou molde vazado) em faiança sobre peça chacotada com vidrado cru, surgidas no século XIX, e há muito desaparecidos, não mais adotados nas indústrias com produção em larga escala. A Oficina da Formiga é uma das poucas cerâmicas, senão a única, que de forma corajosa preserva e dá continuidade a estas técnicas.

Fábio Carvalho e Jorge Saraiva abrindo as estampilhas.
 foto: Oficina da Formiga
Depois desta experiência passei a ter ainda mais respeito e admiração pelo trabalho dos mestres do passado. Mesmo hoje em nossos dias, com tantos aparatos tecnológicos, fornos elétricos de temperatura constante e bem controlada, pigmentos, vernizes e vidrados industriais com precisão de laboratório, materiais especiais para confecção das estampilhas, é sempre um enigma e uma surpresa o que vai sair dos fornos. Imaginem no tempo em que tudo era mais precário e intuitivo.


foto: Oficina da Formiga
Abaixo, deixo-lhes algumas das peças que produzimos, a partir de dois conjuntos de estampilhas criadas por mim, e devidamente retificadas pelo Jorge Saraiva, e abertas por nós com ajuda da Milú, esposa e colaboradora de Jorge.

Em tempo: todas as bordas usadas nos medalhões são do acervo da Oficina da Formiga, e são padrões tradicionais da faiança portuguesa, caprichosamente recuperados pelo Jorge Saraiva. Nestas eu fiz modificações de cor de forma a dialogarem melhor com os soldados no centro da peça.





série Medalhão Monarca
faiança vidrada e policromada à mão com uso de estampilhas criadas pelo artista
2013 | 31 cm (d) cada 

Aganetha Dyck


A artista canadense Aganetha Dyck produz sua obra em colaboração com... abelhas! Ela introduz em colméias bibelôs de porcelana quebrados ou desgastados, comprados em mercados de pulga. Para estimular a ação das abelhas, ela espalha cera, mel pu própolis nas peças de porcelana. Com o tempo, as abelhas vão "remendando" as peças, completando os vazios, de certa forma esculpindo uma curiosa combinação do natural e artificial.

Logos americanos viram porcelana chinesa

O artista Li Lihong utilizou a iconografia chinesa e a milenar técnica da porcelana para transformar logos americanos mundialmente conhecidos em esculturas tridimensionais. Lihong faz uma releitura de importantes símbolos do capitalismo contemporâneo.






Shelley Miller

Inspirada pelos painéis de azulejos portugueses, a artista canadense (Montreal) Shelley Miller usa açúcar para criar suas instalações públicas. A artista usa tinta comestível azul (como as usadas para bolos) para pinatr seus azulejos brancos de açúcar, formando padrões delicados. Em seguida, ela fixa os painéis de azulejos nas paredes das ruas.

A arte de rua de Miller é totalmente comestível. Mas com o tempo, o clima vai degradando os azulejos, o que para Miller simboliza a desintegração e impermanência imprevisível de objetos, e também como as grandes áreas onde se produz açúcar para consumo mundial, apresentam um intenso grau de degradação e baixa qualidade de vida.

Um de seus painéis levou quase 130 horas só para a pintura, e em poucos dias ele foi sendo apagado pelas chuvas.








painel no sétimo dia em exposição na rua.

Em 2008 Shelley Miller realizou o painel "The Wealth of Some and the Ruin of Others " em Salvador, Bahia, Brasil.

O painel foi instalado em uma parede pública, em conjunto com uma exposição individual na Galeria Pierre Verger. Este trabalho aborda a história da indústria de açúcar no Brasil e suas ligações com a colonização e escravidão. Seu desaparecimento gradual ilustra o contraste entre os que lucraram com o comércio do açúcar, e aqueles que sofreram como resultado. O mural durou cerca de 3 semanas.





site da artista: www.shelleymillerstudio.com

Azulejos de todas as eras no Rio de Janeiro - Escadaria Selarón

Já que venho sistematicamente apresentando os azulejos antigos no Centro do Rio de Janeiro, achei que era hora para fazer uma pausa para falar sobre um dos pontos turísticos mais recentes da cidade, que envolve os azulejos. Trata-se da Escadaria Selarón.

A Escadaria Selarón é obra do artista chileno Jorge Selarón. Jorge Selarón (Chile, 1947) é um pintor e ceramista autodidata chileno, que depois de passar por quase 50 países, decidiu se radicar na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Ele é o autor de muitas obras que decoram os bairros cariocas da Lapa e de Santa Teresa.

Na década de 1990 Selarón iniciou os trabalhos de renovação da escadaria que passa em frente à sua casa e que estava em péssimo estado de conservação. trata-se da Escadaria que leva ao belo Convento de Santa Teresa. A escadaria foi inicialmente decorada por Selarón em 1994, por ocasião da Copa do Mundo de futebol de 1994, quando ela teve seus 215 degraus e 125 metros decorados com mais de 2.000 azulejos diferentes, provenientes de mais de sessenta países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Canadá, Chile, Colômbia, Coréia, Bélgica, Bolívia, Brasil, Chile, China, Equador, Escócia, Estados Unidos, Egito, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Inglaterra, Iraque, Irã, Irlanda,Israel, Itália, Japão, Líbano, Marrocos, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Rússia, Suíça, Turquia, Uruguai, e Venezuela. Desde então, os azulejos são permanentemente trocados, utilizando-se de azulejos que são remetidos ao artista por fãs do mundo inteiro. Isso dá um caráter orgânico e mutante à obra.

Selarón também embelezou o local fazendo um jardim suspenso. Plantou flores, palmeiras e arbustos dentro de antigas banheiras. A relação do artista com sua obra continua vibrante. Diariamente Selarón varre e limpa a escadaria. Cuida da sua “escultura” com muito apreço como se fosse uma extensão de sua casa.

No começo os vizinhos zombavam das combinações bizarras de cores e, o que era pra ser um passatempo acabou virando uma obsessão que consumia praticamente todo seu dinheiro. Passou então a vender suas pinturas para financiar a empreitada e após vários anos de exaustivo trabalho, a escadaria tornou-se um sucesso, convertendo-se em um belo cartão postal da cidade.

A obra já foi matéria de muitas revistas, jornais, documentários, video clips e comerciais de TV. A Escadaria já foi até mesmo usada como inspiração para coleções de moda. Em 2005, a prefeitura da cidade deu à Selarón o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro e oficializou o tombamento da escadaria.

Vamos às fotos (clique para ampliar):