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Mostrando postagens com marcador Porcellana Mauá. Mostrar todas as postagens
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Xícara de café comemorativa | Porcellana Mauá


Xícara de café comemorativa
1º Centenário de Ribeirão Preto
Porcellana Mauá
Mauá - SP
porcelana
decoração com decalque e filete em ouro
Coleção Fábio Carvalho | Porcelana Brasil

Quer saber mais? Identificação, Valor de mercado, datação? Contrate a Avaliação Porcelana Brasil! >>

Prato de sobremesa - Porcellana Mauá



prato de sobremesa
Porcellana Mauá

Mauá - SP
porcelana
decoração por decalques, estampagem e filetes em ouro
déc. 1940
coleção Porcelana Brasil

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xícara de chá e prato de sobremesa | Porcellana Mauá



xícara de chá e prato de sobremesa
Porcellana Mauá
porcelana
decoração com decalques e detalhes em ouro
esta decoração corresponde àquela vista na cartela da postagem anterior.

foto: cortesia @coisasdevo17
www.instagram.com/coisasdevo17/

cartela de orientação de decoração | Porcellana Mauá



cartela de orientação de decoração
Porcellana Mauá
 
cortesia Museu Municipal de Barão de Mauá

Made in Brazil?

por Fábio Carvalho | agosto/2006
artigo originalmente publicado na revista Retrô

Existe um vício cultural entre nós que infelizmente parece nunca mudar: a mania (desejo?) do brasileiro em viver em eterno estado de “colonizado”, supervalorizando o que vem de fora, e julgando o produto local como inferior, mesmo quando evidentemente este não é o caso. Por aqui, qualquer coisa que seja identificada como “importada”, de imediato ganha uma “aura” de superioridade. E por que será que as pessoas parecem ter verdadeira vergonha, e às vezes até horror, aos produtos “Made in Brazil”?

Alguns meses atrás, em uma loja de antiguidades de São Paulo, eu estava sendo atendido por uma senhora muito amável e elegante, que atua no ramo há muito tempo. Num dado momento, notei um belíssimo jogo de chá da Porcelana Real, com marca de fabricação da década de 1960. Foi quando, para meu espanto, eu a ouvi contar que as peças da Real, como aquela que eu estava vendo (que para ela era dos anos 1940, já havia aí um engano), “passavam apenas pela primeira queima (biscuit) na fábrica, eram decoradas com os decalques, e seguiam de navio para a Alemanha, para sofrer glasura (vitrificação) e douração”, pois “o Brasil não possuía forno de alta temperatura adequado para a produção de porcelana fina até depois da Segunda Guerra Mundial”. Ou seja, até mesmo no caso de produtos genuinamente nacionais, é preciso de alguma forma agregar um “selo de valor estrangeiro”, pois se for apenas brasileiro, não é bom suficiente.

jogo de chá e bolo | Porcelana Real | Mauá - SP | anos 1960
porcelana | decoração com decalques, verniz verde e ouro | coleção Fábio Carvalho

Acontece que o Brasil possui fornos para queima e vitrificação de porcelana em escala industrial pelo menos desde a década de 1920, e em menor escala já na década de 1900, pois segundo Edilno Brancante, em seu livro “O Brasil e a Cerâmica Antiga”, de 1981, há registros de louça de mesa de porcelana fabricada pela Cerâmica Nacional, de Caeté (MG), entre os anos de 1903 e 1921, que abastecia o mercado de Minas Gerais. Esta fábrica foi fundada por João Pinheiro da Silva em 13/07/1893.

E já no final do século XVIII, entre 1790 e 1797, houve no Rio de Janeiro a fabricação de jogos de porcelana dura e camafeus de biscuit em estilo Wedgwood, por João Manso Pereira, havendo inclusive registro de suas marcas de 1793 usadas no Brasil e em Lisboa no “Guide de l’Amateur de Porcelaines et de Fayences”, de E. Zimmerman, já na 13ª edição em 1910.

camafeus de biscuit em estilo Wedgwood | João Manso Pereira
Rio de Janeiro - RJ porcelana | circa 1797 | coleção Banco do Brasil
fonte: O Brasil e a Cerâmica Antiga, E. F. Brancante. 1981, Cia Lithographica Ypiranga, SP

Todo o processo produtivo da Porcelana Real era realizado no Brasil, desde a extração e preparo das matérias primas, moldagem das peças, até a decoração, douração e vitrificação. Seus produtos eram de altíssima qualidade, e além de abastecer o mercado brasileiro, exportava para a Dinamarca, Noruega, Finlândia, Venezuela e África do Sul, e fornecia a louça oficial das Embaixadas do Brasil, da Disneylândia, da Prefeitura de Nova Iorque e da Marinha Norte-Americana, segundo o artigo “Memórias da Cidade”, de W. Puntschart, em publicação de 2004 do Centro de Referência da Memória e História de Mauá.

Constantemente eu vejo em feiras, lojas, e sites de leilão peças de fabricação nacional ganharem “cidadania” estrangeira. Acredito que a principal razão destes erros seja mesmo a desinformação (pois quase nunca há a preocupação em se pesquisar e estudar mais sobre o que se está lidando) e distração, pois na maioria das vezes a dica da nacionalidade está na própria marca gravada na peça. Por exemplo, a bandeja de bolo da foto abaixo não é japonesa, como é comumente alegado, mas sim da Porcellana Mauá, de Mauá, SP, com decoração executada por terceiros, aqui mesmo no Brasil.

bandeja de bolo | Porcellana Mauá | Mauá - SP | déc. 1960
porcelana | decoração executada por terceiros, com decalque, aerógrafo e detalhes em ouro

O pior é quando mesmo depois de avisada que uma determinada peça não é estrangeira, mas sim brasileira, a pessoa nada faz a respeito, e continua a vendê-la como importada. Aí já saiu do terreno da desinformação ou distração, para o da pura má fé. E infelizmente, a desinformação é ainda maior entre os compradores, que se deixam enganar facilmente.

Vejamos agora alguns dos erros mais comuns de “troca de nacionalidade” de marcas genuinamente brasileiras:

Adelinas - Portugal
Ars Bohemia - Boêmia (Polônia e República Checa)
Germer – Portugal
Luiz Salvador – Portugal
Cerâmica Matarazzo (marca padrão) – Inglaterra e Alemanha. A Cerâmica Matarazzo teve, além de suas marcas tradicionais, ao menos seis marcas fantasia, que parecem ter sido usadas para linhas diferenciadas de decoração: Dresden– Alemanha; London – Inglaterra; Mod. Cambridge – Inglaterra; Mod. Kanton – Inglaterra; Mod. Norfolk – Inglaterra; Mod. Oxford – Inglaterra;
Monte Alegre – Portugal
Nadir – Inglaterra, Holanda
Cerâmica Mauá – Inglaterra (jogo de toalete)
Porcelana Mauá (peças decoradas com motivos orientais por empresa decoradora) – Japão
Oxford  – Inglaterra
Pátria (DP e PA) – Alemanha
Rosicler – Portugal
Saler – Inglaterra, França e Portugal
Santo Eugênio – Inglaterra
Schmidt – Inglaterra
Cerâmica Tasca – Itália, Portugal
Vieira de Castro – Portugal
Weiss – Alemanha
Zappi – Portugal, Inglaterra e Itália

algumas das marcas mais "transformadas" em estrangeiras pelos comerciantes.

Como podemos ver na foto, não é possível que se trate apenas de falta de informação, pressa, desatenção ou desinteresse. A identificação de origem das peças (IND. BRAS.; S.PAULO; RIO; MADE IN BRAZIL; BRASIL; SÃO CAETANO) é muito nítida. Certamente o que acontece em muitos casos é puro oportunismo e má fé.

O pior é quando mesmo depois de avisada que uma determinada peça não é estrangeira, mas sim brasileira, a pessoa nada faz a respeito, e continua a vendê-la como importada. Aí já saiu do terreno da desinformação ou distração, para o da pura má fé. E infelizmente, a desinformação é ainda maior entre os compradores, que se deixam enganar facilmente.

Nada tenho contra a valorização da louça importada quando é justa, mas o que não posso aceitar quieto é a desvalorização das peças aqui fabricadas, ou pior ainda, quando a fazem passar por estrangeira, apenas para custar mais caro, pois como ouvi por estes dias “ah... mas se for nacional, aí desvaloriza o preço, né?”, ou para ser mais fácil de vender, uma vez que a louça importada tem maior procura entre os colecionadores.

Há muita louça de alta qualidade produzida em nosso país (em especial os produtos das décadas de 1940, 1950 e início de 1960), na minha opinião, superiores que muita louça estrangeira, por exemplo, inglesa, um dos maiores motivos de “frisson” do mercado de louça antiga. E diferente do Brasil, que produziu e ainda produz porcelana autêntica em enormes quantidades, a louça da Inglaterra quase nunca era de porcelana dura e autêntica,  mas sim de “meia-porcelana”, de algum dos vários tipos de faiança.
Jogo de café DP (Pátria) | Decoração sobre porcelana Real dos anos 1960.
O uso intenso de douração e cenas românticas faz com que alguns julguem se tratar de louça alemã

Arrisco pensar que muito deste comportamento disseminado entre nós é uma antiga herança cultural portuguesa (mas que é responsabilidade nossa não a ter ainda superado), os quais promoveram um grande intercâmbio cultural trans-nacional entre as regiões conquistadas. Um dos melhores exemplos é a Capela de N. S. do Ó em Sabará, MG, construída entre 1717 e 1720, em estilo barroco, mas que teve grande influência oriental. O altar-mor tem motivos chineses, pagodes e mandarins em ouro e azul, e os anjos possuem feições chinesas, um verdadeiro “remix” cultural!

Os navegadores portugueses trouxeram muitas novidades para sua pátria, que logo se tornaram preciosidades cobiçadas. Possuir artigos importados era a forma mais rápida de fazer parte de uma elite. Embora tenham sido durante um período uma das mais poderosas nações do mundo, Portugal parecia dar mais atenção aos valores estrangeiros, do que aos nacionais. Ostentar “estrangeirismos” era uma forma de se sentir e se afirmar “melhor” que os outros. E parece que nós brasileiros, ainda nos dias atuais, continuamos pensando assim.

Mais alguns exemplos de peças de marcas brasileiras que já se viu anunciadas como estrangeiras.

Some-se a isto o fato inédito do nosso país ter sido uma colônia que abrigou a corte e a nobreza do colonizador em suas terras. E com a corte, vieram não só os hábitos e manias europeus, mas também a saudade e a nostalgia da Europa, do lar que ficou longe. Com exceções, naturalmente, me parece que para o nobre português estar no Brasil, na colônia, era um motivo de eterna vergonha e humilhação.

Esta “saudade” da Europa, do centro, a mania de dar mais valor ao que vem de longe, a vergonha de ser brasileiro ou viver no Brasil, se achando sempre insuficiente, carente e desesperado por agregar valores estrangeiros ao corpo, às casas, ao discurso, até mesmo ao idioma, permaneceu entre nós.
Será que para sempre só iremos vestir a camisa verde e amarela e ficar histéricos gritando “BRASIL! BRASIL!” de quatro em quatro anos? Espero que não.

jarra - Porcellana Mauá


jarra
Porcellana Mauá - Mauá - São Paulo - Brasil
porcelana
decoração à mão com verniz preto e ouro
circa 1954
cortesia coleção Gabriele Pfister

Esta peça consta em uma foto para o catálogo da Porcellana Mauá, data provável 1954, foto esta atualmente no acervo do Museu Barão de Mauá, Mauá - SP. 


jogo de jantar - Porcellana Mauá




jogo de jantar
Porcellana Mauá - Mauá - São Paulo - Brasil
porcelana
decoração com decalque, barrado em verniz e estampas em ouro
déc. 1940
fonte: site Mercado Livre

teacup tuesday - Porcellana Mauá

obs.: este post é bilingue para poder participar do evento "Teacup Tuesday", organizado pelas blogueiras Terri e Martha.

Desta vez, resolvi mostrar duas xícaras diferentes, produzidas por uma mesma fábrica, a Porcellana Mauá, que vou usar hoje para comemorar o "Tea Cup Tuesday".
This time, I´ve decided to share two different tea cups, produced by the same factory, Porcellana Mauá, that I'll be using today to celebrate the "Tea Cup Tuesday".







xícara de chá // tea cups
fábrica // manufacture: Porcellana Mauá - Mauá - São Paulo - Brasil
porcelana // porcelain
decoração com verniz colorido e detalhes em ouro // decoration: colour band and gilding details
déc. 1950/60 // 1950s/1960s
coleção // collection site Porcelana Brasil


Escolhi estas xícaras para que este post fosse bem diferentes das vezes anteriores, pois estas não apresentam decalque floral. A azulo foi comprada em um site de leilões, e a bordô em uma feira de antiguidades.
I´ve chosen these cups because I wanted this post to be quite different from the previous ones; both cups do not exhibit floral decals. The blue cup was purchased at an auction site, the burgundy one at an antique fair.

Como eu não tenho um prato com decoração igual à da xícara bordô, este é o prato que vou usar:
Once I don´t have the matching plate for the burgundy tea cup, I´ll be using this instead:



prato de sobremesa  // desert plate
fábrica // manufacture: Porcelana Pátria - São Paulo - São Paulo - Brasil
porcelana // porcelain
decoração com verniz colorido e detalhes em ouro em relevo  // decoration: colour band and gilding details
déc. 1950 // 1950s
coleção // collection site Porcelana Brasil

Reparem como é engraçada a barra dourada, cheia de pequenas pessoas, que mais parecem estar celebrando algum ritual pagão!
Notice how funny the golden edge is; a lot of little people, who seem to be celebrating some pagan rite!



Este prato eu comprei em um brechó (loja de artigos de segunda mão) junto com diversar outras peças.
This plate I bought at a thrift store, along with several other pieces.

cartela modelo de decoração - Porcellana Mauá



Hoje eu estava revendo a foto desta cartela de modelo de decoração, da Porcellana Mauá, que me foi generosamente permitido fotografar pelo Museu Barão de Mauá, na cidade de Mauá/SP.

Ela foi usada, provavelmente, na década de 1950, mas talvez tenha até mesmo entrado por alguns anos da década de 1960.

Esta cartela é parte de uma pequena coleção que foi doada ao Museu de Mauá por Yasuichi Kojima, hoje com 77 anos, que atualmente administra a pequena fábrica de porcelana fundada por sua família, que produz uma linha exclusivamente de peças japonesas, como objetos de decoração e jogos para chá.

A Porcelana Kojima foi fundada em 1953, que fica no bairro na Vila Feital, é a única na cidade de Mauá que ainda realiza todo o processo de produção, mesmo que em pequena escala. Hoje, a empresa conta com apenas três funcionários, mas preserva a técnica artesanal, rara no País e no mundo. Toda a decoração é feita manualmente. A maioria dos produtos é comercializada para restaurantes japoneses.

teacup tuesday - Porcellana Mauá



jogo de café, chá e bolo // coffee, tea, cake set
fábrica // manufacture: Porcelana Mauá - Mauá - São Paulo - Brasil
porcelana // porcelain
decoração com decalque de violetas e detalhes em ouro // decoration: violets decalcomania and gilding
déc. 1940 // 1940s
coleção // collection site Porcelana Brasil

obs.: este post é bilingue para poder participar do evento "Teacup Tuesday"

Este foi um dos primeiros conjuntos que eu comprei quando comecei a colecionar porcelana brasileira. Foi encontrado por uma pechincha! APENAS R$ 40, jogo para 6 pessoas de café, chá e bolo. Faltavam apenas 2 pires de chá que encontrei quase um ano depois. O jogo estava incrivelmente imundo! Havia crosta de lama seca cobrindo as peças, um horror! Mas depois de muitas horas de molho em solução de desinfetante, e lavado 2 vezes com um bom detergente, as peças estavam brilhando como se nunca tivessem sido usadas.

This was one of the first sets I bought when I started collecting Brazilian porcelain. It was bought in a incredible bargain! ONLY U$ 23.5, and it's a coffee, tea and cake set for 6 person. There were 2 tea saucers missing, that I've found about one year later. The set was incredibly filthy! There was crusts of dried mud everywhere, a horror! But after several hours soaking in a strong disinfectant solution, and washed twice with a good detergent, the pieces were shining as if they had never been used.

Recentemente eu tive a sorte de encontrar o fabricante do decalque usado na decoração das peças em uma coleção de uma museu holandês, que colocou todo o seu acervo de documentos e obras em papel online:

Recently I was lucky enough to find the manufacturer of the decalcomania used in the decoration of the pieces in a collection of a Dutch museum, which put its entire collection of documents and works on paper online:


site: www.geheugenvannederland.nl

A fábrica E. Wunderlich & Comp. AG localizava-se em Waldenburg-Altwasser, Silésia (atual Polônia). Ela produziu e distribuiu todo tipo de impressos, em particular decalques para cerâmica e decalques de publicidade litográficos. A fábrica foi aberta em 19/12/1905. Esta empresa adquiriu vários outros fabricantes durante a década de 1910 e 1920. Uma das empresas adquiridas foi a Zierdruck-Anstalt, em Glogau. Esta foi a fábrica que produziu o decalque visto acima. Depois de 1945, a empresa foi transferida para Frankfurt, Alemanha.

The manufactory, E. Wunderlich & Comp. AG, was located in Waldenburg-Altwasser, Silesia (now Poland). It produced all sort of prints, particularly lithographic printed ceramic decals and advertising decals. It has started in business on 19/12/1905. This company had acquired several other manufactures during the 1910's and 1920's. One of such acquired companies was Zierdruck-Anstalt, in Glogau. This was the company that produced the decal seem above. After 1945, the company has been relocated in Frankfurt, Germany.

sorry for the several mistakes I´m sure I´ve made this week; the subject was a bit harder (the factory history) than usual.

Xícara e prato de sobremesa - Porcellana Mauá



Xícara e prato de sobremesa
Porcellana Mauá
porcelana
decoração com verniz azul claro e estampagem, filetes e detalhes em ouro
entre déc. 1940/1950

prato de sobremesa - Porcellana Mauá



prato de sobremesa
Porcellana Mauá
porcelana
decoração por decalques e filetes em ouro
déc. 1940
coleção Porcelana Brasil

pelos blogs: Guarda-louças


fonte: blog da Retrô
05/04/2010
http://blogdaretro.uol.com.br/?p=3013
por Acácio Morais



Em se tratando de bules de chá de várias procedências e porcelanas da manufatura Mauá, essa coleção de Ney Rugerio Laux não é para pôr na mesa.



Com 12 anos de colecionismo, ele já tem um acervo de respeito: mais de 170 bules do mundo inteiro e uma grande quantidade de aparelhos de jantar, café, chá e pratos de diversos tamanhos e formas, todos com a marca da indústria brasileira Mauá na base das mesmas. “Tenho tanto apreço pela minha coleção que não coloco em uso por nada. Nem em ocasiões especiais”, garante.



Arquiteto por formação, Laux tomou gosto por arte e antiguidades durante a faculdade. Atuando no ramo da gastronomia, viu despertar a paixão pelas louças, principalmente pelo design, decoração e outros detalhes, quando abriu uma loja de chá, em 1999, e depois um restaurante, o Pátio São Paulo, localizado no bairro da Granja Viana, em Cotia (SP). “Comecei a observar com mais interesse a Porcelana Mauá e gostei do elevado grau de apuro técnico, do desenho floral e do acabamento”, explica admitindo que seu dom para cozinhar veio da influência de seu pai, Benno Laux.



Nascido em Marquês de Souza (RS) e morador da capital paulista desde 1997, Laux revela que seu acervo é formado por tudo o que leva a palavra Mauá, seja através da marca genuína da manufatua, dos símbolos que foram utilizados ou do nome da cidade paulista. “Geralmente, algumas peças eram chamadas de trenzinho, de pê ou de sol por conta dos desenhos impressos. Por completa falta de registro, nunca tive como balizar a originalidade das minhas peças”, lamenta.



Após muito pesquisar, Laux conseguiu obter as primeiras informações sobre a Porcelana Mauá. Por esse motivo, está organizando a sua coleção, como fez com a de bules, que foram fotografados e catalogados (descrição, origem, fábrica, data e preço).



Mesmo sem achar algum item muito valioso nas suas andanças pelo Brasil e exterior, ele sempre está atento e vasculha em leilões, lojas e feiras de antiguidades. “Colecionar é, além de um hábito, um grande prazer”, declara.


observações do blog Porcelana Brasil:

- Há peças de duas fábricas completamente distintas neste artigo do blog da Retrô: peças da Porcellana Mauá (fotos 1,2,4 e 6) e peças da Fábrica de Louça de Pó de Pedra Paulista ou Cerâmica Mauá (fotos 3 e 5), dependendo do período de fabricação (o nome foi mudado em 1943).
- Há várias outras marcas de louça de fábricas da cidade Mauá, todas geralmente confundidas com (ou trocadas para) a Porcellana Mauá, como explicado no artigo Nem tudo que vem de lá é "Porcellana Mauá".

em uso...



1962
xícara: Porcelana Real



1967
xícara: Porcellana Mauá



1969
xícara: Porcelana Real

4o. Centenário do Rio de Janeiro "Extravaganza"


Ontem na feira da praça XV havia uma banca em que praticamente à venda era souvenir do 4o. Centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro. As peças eram basicamente da Porcelana Barão do Rio Branco e da Porcelana Mauá.



Eu adoro estas peças, claro que muito por eu ser carioca e ADORAR minha cidade, não importa o que falem dela, o qual seja a situação atual (uma característica bem carioca, que tem o lado ruim de levar as pessoas a se acomodarem e fazerem vista grossa para os problemas que deveriam ser enfrentado, mas isso é outro assunto).





Mas eu os aprecio PRINCIPALMENTE pelo fato do 4o. Centenário do Rio de Janeiro ter acontecido no ano em que nasci, 1965. E como sou obsecado pelo ano do meu nascimento...





Então, não poderia deixar de comprar algumas peças para a minha mini-coleção de louça do 4o. Centenário do Rio de Janeiro! Na verdade, esta coleção é tão "mini", que com as peças que comprei ontem (um bule, um prato de jogo de sanduíche, 1 caneca pequena, 2 xícaras de chá e 1 xícara de café), a coleção dobrou de tamanho.





Com isso, arrumei um lugar especial na organização da minha "macro" coleção, para poder expor todas as peças juntas.



Na banca ainda havia muitas outras peças, como xícaras com outros motivos decorativos, cinzeiros, covilhetes, bandejas, etc. Mas não dá para comprar tudo o que se quer sempre! Agora, se semana que vem eles ainda estiverem na feira... Ah, eu vou comprar mais sim!

catálogos de fabricante


Hoje o assunto é outro documento, ainda mais desesperadoramente raro em nosso país: catálogos de fabricantes. Estes catálogos eram material de trabalho dos vendedores das fábricas, que iam às lojas e revendedores oferecer as novas linhas produzidas.

Naturalmente era um material que ficava para cá e para lá o tempo todo, provavelmente sofrendo danos pelo intenso manuseio. Ainda por cima, quando uma nova edição do catálogo era lançada, o destino certo do catálogo anterior era o... lixo!

Não digo isso para culpar os vendedores, pois estes não eram os responsáveis pela preservação da história das fábricas. Culpo as fábricas, os empresários de visão curta, pensamento ligado apenas no (lucro) imediato.

Qual teria sido o problema de guardar ao menos uma cópia de cada catálogo editado? Estes poderiam ser importantes não apenas para os fanáticos do futuro (como eu), mas também às fábricas, por exemplo, no caso de reedições de linhas.

Voltando aos fanáticos: que maravilha seria ter cada catálogo de cada fábrica preservado em alguma biblioteca de museu ou centro de decoumentação! Que facilidade datar e identificar as peças de louça! Mas, temos que voltar à realidade. Não foi assim que aconteceu.

Abaixo, alguns raros exemplos de catálogos de fabricantes:



Adelinas, 1935
(acervo fundação Pró-Memória, São Caetano - SP)



litografia do catálogo da exposição internacional do RJ de 1861,
reproduzindo peças da Fábrica de Francisco Esberard (RJ)



esta página não é de um catálogo, mas sim de um anuário,
o "Anuário de Mauá 1956" (Mauá - SP)
(acervo Museu Barão de Mauá, Mauá - SP)



etiqueta de propaganda da fábrica São Zacarias, 1902/1909 (Colombo - PR)


detalhe da parte inferior da etiqueta



foto para página de catálogo da Porcellana Mauá, data provável 1954
(acervo Museu Barão de Mauá, Mauá - SP)



folheto de propaganda da Cerâmica Weiss, data provável déc. 1990
(cortesia Luiz Mott, Salvador - BA)



hoje em dia: página de folheto promocional da Porcelana Schmidt (2004)