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prato de sopa - Cerâmica Rio Branco



prato de sopa
Cerâmica Rio Branco
pó de pedra
decoração com estanhola / verniz azul
circa 1977
coleção Porcelana Brasil - RJ

Campo Largo homenageia profissionais no Dia do Ceramista

por: Paula Santos
13/10/2009
http://site.campolargo.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=48

Campo Largo esteve em festa e comemorou um dia importante nesta semana. Dia 13 de outubro é o dia do Ceramista, e por isto, o Prefeito Municipal Edson Basso, juntamente com personalidades da cidade, fez a entrega de placas em agradecimento a Alberto Augusto, João Teixeira Portela e Silvia Ferreira da Silva que, para a então considerada Capital Nacional da Louça, foi um prestígio homenagear àqueles que dedicaram parte do seu tempo a construir a história do município.

Durante anos a economia de Campo Largo foi baseada nas arrecadações que as empresas ceramistas obtinham, e cada uma destas três pessoas esteve presente nestes dados. O mais antigo caso de dedicação é de Alberto Augusto. Este senhor de 88 anos é um dos dois homens vivos do município que integraram a força Expedicionária durante a Segunda Guerra Mundial. Ele ficou dois anos na reserva e um ano na guerra como soldado atirador. “Quando eu fiz 24 anos já tinha disparado mais de três mil tiros”, comenta o Expedicionário. Em 1945 voltou para Campo Largo e trabalhou por sete anos na Cerâmica Aurora. Foi então, em 1953, que, juntamente com seu irmão, criou a Cerâmica Rio Branco. A empresa começou produzindo 85 tipos de produtos e contava com um quadro de 25 funcionários. Há nove anos a fábrica fechou, porém ele ainda possui todo o maquinário que apesar de ser antigo, permanece novo. “É incrível como a história de Campo Largo tem haver com cerâmica. E comemorar este dia é fundamental para a valorização deste trabalho no município”, diz Basso.

Alberto e sua família foram recebidos na sala de reuniões do gabinete do Prefeito, onde ele ficou muito emocionado com a homenagem. “Estou muito feliz. Já recebi várias placas assim, mas toda vez fico muito alegre com isso”, afirma Augusto.

Com mais de 41 anos de tempo de serviço, a funcionária Silvia Ferreira da Silva serve de exemplo aos colegas de trabalho. Ela exerce a função de decalcadeira e, de acordo com a Germer Porcelanas Finas S/A, fábrica que trabalha, em todo esse tempo revelou ser uma colaboradora assídua, que tem compromissos com a empresa e cumpre com suas obrigações. E por último, mas não menos importante, o funcionário mais antigo da fábrica Porcelana Schimidt, João Teixeira Portela que desde 1974 presta serviço à empresa.

João entrou com 14 anos como aprendiz, na função de estampador de torno manual. Aos 18 anos passou a ser ceramista em geral. Aprendendo com o tempo e progredindo cada vez mais, em 1994 começou a operar máquinas, até exercer o cargo de auxiliar de encarregado, no qual permanece até os dias de hoje. Hoje, ao receber a placa, ele agradece a homenagem prestada. “Criei meus filhos com o trabalho que exerci aqui, graças à empresa. Me sinto orgulhoso e apesar das crises que aconteceram eu continuo trabalhando. Isso mostra que sou um bom funcionário e enquanto eu puder estarei aqui, lutando”, ressalta Portela.

Para o Presidente do Sindicato Municipal Paulo Andrade, este dia é de extrema importância, pois destaca a grande estimação que a porcelana possui dentro da cidade. “Temos que valorizar não só o ceramista neste dia como também Campo Largo, que recebe honrosamente o título de Capital da Louça”, comenta.

prato trigal com aerógrafo e estanhola


Acabei de ver este prato em um excelente blog sobre a Louça de Sacavém.



Segundo o blog, o prato seria de 1932 a 1950.

Então o Brasil não estava sozinho na fabricação de louça padrão trigal tão tarde no séc. XX.

Mas o mais curioso, e foi isso que me chamou a atenção, é que normalmente o trigal, por tradição, aparece sem qualquer decoração além do próprio relevo moldado. E este tem uma borda aerografada, e ainda por cima, um motivo feito com estanhola e aerógrafo no meio.

E este tipo de uso do trigal com pintura eu só tinha vista feito pela fábrica Cerâmica Rio Branco, de Campo Largo, que operou da déc. 1950 até a déc. 1990.





Achei muito curioso encontrar este paralelo, muito provavelmente por pura coincidência.

Alberto Augusto

Alberto Augusto, nascido em fevereiro de 1921, na cidade de Campo Largo, foi o fundador da Cerâmica Rio Branco. Seu avô era comerciante, e seu pai trabalhou como lavrador e foi empregado das fábricas de produtos cerâmicos Steatita e Brasileira.

Alberto Augusto e seu irmão Albino Augusto fundaram em 1953 a Cerâmica Rio Branco, fruto de uma experiência anterior de 18 anos de trabalho também no setor cerâmico. Alberto iniciou sua prática na cerâmica quando tinha 14 anos, em 1935, como funcionário da fábrica de louça de Darcy Portela. Posteriormente, trabalhou em outra empresa do mesmo setor, a Cerâmica Brasileira, durante um ano, voltando à Darcy Portela logo após. Esta experiência anterior o levou a montar em 1940, sua própria fábrica de telhas, tijolos e de louça “preta”, considerada por Augusto a louça com vidrado na cor preta. Esta fábrica, situada em Campo Largo, se chamava Fábrica São João, e nela a produção era obtida a partir de terracota. Até hoje existem exemplares das telhas produzidas, em poder do Sr. Balduíno Vidal.

Em 1942, Alberto Augusto foi convocado para participar como pracinha junto ao Exército Brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Em virtude de sua ida para a Itália, vendeu a sua parte da Fábrica São João para o sócio, Sr. Leonardo Gavalak2. Depois de passar um ano na Guerra, Alberto Augusto retorna em 1945 à Campo Largo e volta a atuar no setor cerâmico, passando a exercer o cargo no setor de produção na então Cerâmica Aurora.

Nesse período ele também construiu uma pequena olaria, na mesma quadra onde é hoje a Cerâmica Rio Branco. Pouco tempo depois, a vendeu para seu vizinho, Victorio Fallarz. Alberto Augusto casou-se, em 1946, com Olímpia Perbecen, que é apontada por ele como uma pessoa que muito o apoiou no início da montagem da Cerâmica Rio Branco, em 1953. Para isso, foi necessária a participação de mais três sócios no investimento. Estes eram capitalistas, que apoiaram a construção, enquanto que
o senhor Augusto exercia a função de diretor geral. A fábrica foi construída em dois
anos, sendo concluída em 1955.

O primeiro forno foi construído em “serão”, no período da noite, em que Alberto não estava trabalhando na Cerâmica Aurora, onde na época era empregado. O segundo forno, utilizado para a queima do esmalte, foi construído através de “empreitada”, em 1956. Cerca de 20 anos mais tarde, esses mesmos fornos foram reconstruídos para ampliação da capacidade.

À medida que a fábrica funcionava e a louça era vendida, os investimentos começaram a dar o retorno esperado, o Sr. Alberto Augusto adquiriu para a fábrica as parcelas de seus sócios.

Segundo Alberto(2005), os períodos mais difíceis enfrentados pela fábrica foram no começo de seu funcionamento e durante crise que levou ao fechamento da fábrica, crise esta que foi causada pela entrada de produtos importados da China no mercado nacional e o crescimento do consumo de louça em vidro.

Já para Balduíno Vidal, o período mais difícil para a fábrica foi de 1980 a 1986, devido às mudanças políticas e a criação de novos impostos.

fonte: O DESIGN ANTES DO DESIGN: A CERÂMICA RIO BRANCO
Suelen C. Caviquiolo & Virgínia S. C. B, Kistmann
Programa de Pós-Graduação em Design - UFPR

Cerâmica Rio Branco

Hoje chegou pelo correio a pequena travessa da Cerâmica Rio Branco que comprei no Mercado Livre, e estou muito feliz de finalmente ter em minha coleção um representante desta fábrica de Campo Largo:







É uma peça bem pequena, 19,8 C x 14 L x 3,5 H cm.

Achei muito legal ela ter na aba moldada, além do relevo das espigas de trigo, os ramos de lúpulo.

Um detalhe engraçado é ela não ter o relevo em curvas na parece da caldeira, típico do padrão trigal, mas apenas uns traços em baixo relevo, simulando aquele relevo padrão. Comparem com a foto abaixo para ver esta diferença: