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27 de fevereiro de 2010

louças art deco no Brasil

Eu estava admirando este belo prato abaixo, no ótimo blog Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém, e fiquei pensando que aqui no Brasil, no tocante às indústrias de louças, o art deco provavelmente foi o primeiro movimento artístico que teve reflexos contemporâneos na decoração e design dos modelos de louça.


foto: acervo blog Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém
http://mfls.blogs.sapo.pt/



A nossa indústria de louças teve um início muito tardio. Excetuando-se as raras iniciativas no final do século XIX, ela só começou mesmo na década de 1910, teve alguma expansão na década de 1920, mais só tomou fôlego e acelerou a partir da década de 1930.

Até a década de 1930, basicamente o que se produzia eram cópias ou interpretações de padrões estrangeiros. Não que o arte deco na indústria de louças aqui tenha sido absolutamente original, mas ao menos se deu ao mesmo tempo que no resto do mundo, ao contrário dos outros estilos usados por esta indústria, todos atrasados, às vezes, mais de um século, como por exemplo o relevo moldado trigal.

Desta forma, quando a indústria de louças brasileira alavancou, vivia-se o auge do art deco, movimento que teve muito sucesso por aqui na arte, arquitetura, mobiliário, moda, design, ilustração, etc. Nada mais natural que houvesse reflexos na indústria de louças, mas que no meu entender, foram ainda um tanto tímidos, se comparados à arte ou arquitetura.

Vamos começar então pelo exemplo mais excepcional que eu conheço até o momento de louça art deco brasileira:


acervo site Porcelana Brasil

Este belíssimo jogo de chá e lanche é da Fábrica de Louças Adelinas, de São Caetano do Sul, SP. Vamos seguir então com mais exemplos desta fábrica:


acervo site Porcelana Brasil


acervo Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, SP


acervo Jandira Antonieta da Silva


acervo Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, SP


acervo Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, SP



Até mesmo um catálogo de 1935 desta fábrica era art deco:


acervo Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, SP


Uma outra fábrica com bons exemplos de peças arte deco é a Fábrica Santo Eugênio, de São José dos Campos, SP:


acervo site Porcelana Brasil


acervo site Porcelana Brasil


acervo Washington Marcondes




acervo Washington Marcondes


Outra fábrica de SP, a Fábrica de Louças Ceramus produziu diversas decorações art deco, embora o design das peças geralmente em nada lembrassem este período artístico:


acervo Washington Marcondes


acervo Washington Marcondes


acervo Washington Marcondes


acervo Washington Marcondes


acervo Jandira Antonieta da Silva

A decoração do prato de sobremesa abaixo é a mais incrivelmente art deco que já encontrei produzida no Brasil. Eu adoraria ver o jogo completo!




Este jogo de chá e bolo abaixo, da Cerâmica Iracema, de Campo Largo, PR, é outro bonito exemplo de uma decoração art deco. Reparem que o design das peças do jogo é um tanto confundo: as alças do bule e açucareiro são bastante convencionais, mas as tampas possuem elementos art deco. Até mesmo as asas das xícaras tem algo de geométrico, e por sua vez, não "batem" com as alças do bule e do açucareiro!


acervo site Porcelana Brasil


Mais uma fábrica de SP, desta vez de Porto Ferreira - Cerâmica Porto Ferreira:




acervo Washington Marcondes




acervo site Porcelana Brasil


É interessante notar que às vezes o modelo da peça não é em nada art deco, mas a decoração sim, bem como o inverso pode ser verdadeiro. Isto seria tema de uma investigação muito interessante. Eu já vi modelos bem art deco decorados com decalques completamente anacrônicos ao design da peça.

Uma observação final que eu faço é que estes motivos decorativos art deco talvez tenham sido muito explorados pelas fábricas não apenas para refletir um "espírito de época", mas talvez mais do que tudo pelo fato de a simplificação geometrizante proposta pelo art deco era PERFEITA para ser aplicada com sucesso em decorações feitas com estanhola, o que era uma prática muito difundida em nossa indústria de louças em suas primeiras décadas, pois era simples de produzir, rápida, barata, não dependia de importação (como os decalques), não dependia de habilidade do decorador (como a pintura à mão-livre), e era uma forma de conseguir uma padronização nda decoração das peças, o que facilitava a produção de peças em larga escala, e de forma independente entre as peças. Mesmo que um artesão fizesse apenas tigelas, outro apenas pratos, outro apenas xícaras, e assim por diante, no final, podia-se compor um jogo com decoração padronizada sem problemas. E sabemos que se uma pessoa faz apenas um tipo de pela, a produção se torna maior e mais automatizada, o que a indústria ADORA!

Para que um jogo pintado à mão tivesse coerência, era obrigatória que o MESMO pintor pintasse todas as peças do mesmo. Além de ser um processo lento e dependente de habilidade (o que eleva custos), era praticamente impossível repor peças quebradas ou ampliar um jogo, pois não havia muito controle (ou mesmo como controlar!) as decorações pintadas à mão-livre, em comparação a qualquer outro processo decorativo automatizado.

3 comentários:

  1. EXCELENTE post, Fábio. Aprendi muito. Obrigada!

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  2. Adorei ler este post! E tem peças belíssimas, inclusivé na sua coleção, para além das q eu já conhecia de posts recentes.
    Muito Parabéns!!!

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  3. Olá Maria Andrade,
    Que bom que vc gostou deste post!! Ele é meio bagunçado, fui escrevendo muito sem planejamento, e colocando as fotos. Eu gosto muito do Art Déco como um todo, arquitetura, mobílias, decoração, e também nas louças.
    abraços!

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