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17 de janeiro de 2011

João Manso Pereira

João Manso Pereira (1750? – 1820), químico auto-didata e professor de humanidades (latim, grego e hebraico), descobriu na Ilha do Governador um tipo de argila branca, rica em caulim, e entre 1790 e 1797, produziu diversas peças de louça e porcelana.

Pouco se sabe a respeito de sua origem e de sua família, senão que nasceu no Rio de Janeiro (segundo J. M. de Macedo), que estudou latim e mais disciplinas no Seminário da Lapa, que foi um grande estudioso das ciências naturais, e se dedicou especialmente à mineralogia e à química, de onde lhe veio o apelido de o "Químico".

Deve ter sido o período que decorre de 1790 a 1797 o mais ativo do ilustre químico, porque são então frequentes as consultas à Junta de Comércio sobre o resultado de suas investigações, sendo a pedido da mesma dispensado do cargo de professor, enquanto durassem as suas experiências. Estas dizem respeito á fabricação de aguardente (semelhante à da Jamaica: "rhum"), vinho de açúcar, álcalis extraídos da bananeira, e cerâmica.

Descobriu em certa argila branca, na Ilha Grande (atual Ilha do Governador), que os índígenas chamavam tabatinga o legítimo caolim e, entre as suas variedades, encontrou uma que os chineses chamam ho ache, muito preciosa e própria para obras de relevo, com a qual fabricou alguns camafeus, que diz ele, "alguma aceitação teem merecido ao público".

Diz J.M. de Macedo que "... alguns dos mais considerados habitantes do Rio de Janeiro se desvaneciam de possuir louça do país fabricada pelo celebre João Manso". E Moreira de Azevedo afirma que "... ao rei D. João VI ofertou (João Manso) um aparelho de porcelana e uma caixinha de sabão de barba que fabricara com a argila encontrada na ilha do Governador".

Nas consultas á Junta de Comércio, há referência somente aos camafeus, cadinhos e outros vasos "... fabricados com diferentes caolins e argilas transparentes e opacos...".

Segundo Yolanda Marcondes Portugal, muito certamente João Manso fabricou também aparelhos de mesa. Porém uma grande dificuldade se encontra na identificação dessa louça, porque até hoje não se conhece alguma que tenha marca. Já o mesmo não acontece com as medalhas e camafeus. A identificação destes é muito simples pelo nome de seu fabricante gravado no verso.



Camafeus em biscuit (ao estilo Wedgwood) produzidos por João Manso Pereira, no Rio de Janeiro, com perfil de D. João VI (Esq.) e D. Carlota Joaquina (dir.). Ambos medem 3,5 x 3 cm. Biscuit branco sobre fundo azul. Acervo do Museu do Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro.[Fonte: BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica Antiga. Cia Lithografica Ypiranga, São Paulo, 1981.]


As medalhas de João Manso Pereira são raríssímas e se encontram em coleçôes portuguesas, com exceção dos 2 exemplares atualmente no acervo do Museu do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, um de D. João VI, e outro de D. Carlota Joaquina.

Segundo Moreira de Azevedo, Mestre Valentim foi o responsável pelo design de dois aparelhos de porcelana fabricados por João Manso, os quais foram muito admirados em Lisboa. É, pois provável, seja o mesmo artista autor dos cunhos das peças de numismáticas fabricadas com a primeira porcelana brasileira.



Marcas de João Manso Pereira (Rio de Janeiro, RJ) de 1793, catalogadas no guia francês “Guide de l’Amateur de Porcelaines et de Fayences”, de E. Zimmerman, já na 13ª edição em 1910, o que comprova seu sucesso no fabrico de porcelana e biscuit já no século 18.


Há ainda um documento manuscrito de 1808, assinado pelo presidente do Real Erário, autorizando a fabricação de cadinhos de louça no Brasil, por João Manso Pereira:

"[...] por constar a boa qualidade dos cadinhos feitos por João Manso Pereira, e convir muito, que deles se use nas Casas de Fundição dessa capitania. Se ordena a essa Junta que haja de prestar todo o auxílio necessário à Fábrica dos mesmos cadinhos por conta da Real Fazenda, debaixo da direção de Dº João Manço Pereira (sic) de maneira que se aprontem em suficiente quantidade para o uso das Casas de Fundição."

2 comentários:

  1. Olá Fábio,
    Achei muito interessante a história que aqui contou sobre este fabricante do séc. XVIII.
    A divulgação destes nomes e destas histórias podem contribuir para que se faça mais luz sobre épocas menos conhecidas da produção cerâmica. Afinal, também no Brasil, já se fabricava loiça à base de caulino nesses anos de setecentos!
    Um abraço
    Maria Andrade

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  2. Olá Maria Andrade,
    O Manso Pereira não chegou a constituir uma fábrica propriamente dita, pelo que se sabe. Ao menos não há qualquer registro disso, apenas das experiências desenvolvidas. Parece ter produzido outros camafeus, alguns jogos de jantar, algumas peças avulsas, mas tudo muito artesanal, embora de excelente acabamento, pelo que se diz na bibliografia.
    Mas as únicas peças que se tem certeza terem sido fabricadas por ele, ainda existentes ou conhecidas são os dois camafeus acima, que felizmente há algumas décadas foram comprados de volta para o Brasil. Eu os vi há poucos anos, no Museu do Banco do Brasil, e fiquei muito emocionado.
    abraços

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