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11 de julho de 2012

Azulejos holandeses em Recife pedem restauro

fonte: http://archief.rnw.nl/portugues/article/azulejos-holandeses-em-recife-pedem-restauro
Data de publicação : 12 Agosto 2010
Por Mariângela Guimarães (fotos: MoWIC)



Uma missão de restauradores e historiadores holandeses esteve recentemente no Brasil para avaliar as condições de uma grande coleção de azulejos holandeses localizada no Convento de Santo Antônio, em Recife. Trata-se do maior conjunto de azulejos holandeses do século 17 fora da Europa, reunindo ao todo 923 peças inteiras e centenas de pedaços de azulejos.

O Convento de Santo Antônio foi construído em 1606 na ilha Antônio Vaz, que, fora a casa de um pescador. Em 1630 os holandeses invadiram Pernambuco e encontraram o convento, então decidiram construir um forte naquele local, incluindo o convento, que foi usado como casa do comandante”, conta a historiadora Hannedea van Nederveen Meerkerk, presidente da MoWIC – Fundação para Exploração e Conservação de Monumentos da Cia. Holandesa das Índias Ocidentais. Depois de 24 anos, com a partida dos holandeses, os portugueses decidiram reconstruir o Convento de Santo Antônio e decorá-lo com azulejos, aos moldes do Convento Madre de Deus, em Lisboa.



detalhe do claustro do Convento de Santo Antônio, onde se conjugam painéis portugueses
de motivos religiosos com os azulejos holandeses [fonte >>]

Patrimônio cultural

Hannedea van Nederveen Meerkerk, que viu os azulejos holandeses pela primeira vez em 1966, pouco depois de terem sido descobertos embaixo de uma cama da tinta, ficou chocada quando os viu novamente em 2004: “Eles estão em péssimo estado.” A constatação fez com que entrasse em contato com pesquisadoras do Museu de Roterdã e com a restauradora e professora da Universidade de Amsterdã Kate van Lookeren Campagne, e também com o World Monuments Fund, que demonstrou interesse em financiar a restauração.

”O estado dos azulejos é bastante ruim. Não se percebe à primeira vista porque estão no alto, a 3 metros e meio de altura, mas de perto vê-se que a glasura está se soltando, há furos...”, descreve Hannedea. Para fazer um orçamento e as análises do que será necessário para a restauração, a MoWIC fez contato com o embaixador da Holanda no Brasil, Kees Rade, que viabilizou a ida da missão de especialistas ao Recife.


A curiosidade é que os azulejos holandeses encontrados no Convento de Santo Antônio não trazem pinturas religiosas, mas sim imagens de cavaleiros, barcos, animais, monstros marinhos, paisagens e jogos infantis – temas típicos dos azulejos holandeses da época.



Provavelmente fabricados em Roterdã, eles foram levados para o Brasil por comerciantes holandeses para a decoração de casas de famílias ricas e, possivelmente, para a residência de Maurício de Nassau – o Palácio Friburgo. Só mais tarde teriam sido transferidos para o convento.

“No século 18, logo depois, da reconstrução do convento pelos portugueses, o Palácio Friburgo foi em grande parte demolido e eles pegaram os azulejos e colocaram no convento”, acredita a Hannedea. “Esta é a maior coleção ultramarina de azulejos holandeses, então é muito importante, é uma herança cultural mesmo.”


A restauradora Kate van Lookeren Campagne, por sua vez, se surpreendeu com o bom estado de conservação das peças, considerando o fato de estarem do lado de fora, num pátio interno do convento, e portanto expostas às intempéries.

“É uma coleção fascinante de azulejos. E também muito interessante do ponto de vista de restauração, porque é uma situação climática completamente diferente. O fato dos azulejos estarem lá há 300 anos, do lado de fora do edifício, é espantoso. Na Holanda eles nunca teriam durado tanto tempo”, comenta Campagne.




Como não foram feitos para o local, os azulejos também não se encaixam no nicho que há na parede, feito para azulejos portugueses, que têm um tamanho maior, e vários foram cortados para que se encaixassem, formando um verdadeiro quebra-cabeças.

Antes que a restauração em si tenha início, são precisas várias análises sobre os tipos de sais que estão danificando os azulejos e sobre a própria edificação. Depois disso, as peças terão que ser retiradas uma a uma, cuidadosamente, para o restauro. Estima-se que o trabalho todo dure pelo menos um ano.

Azul e branco

No século 16, os holandeses aprenderam como fazer azulejos policromados com técnicas desenvolvidas no século 14 no Oriente Médio e em países mediterrâneos como Espanha, Portugal e Itália.

“Por volta de 1602, as primeiras porcelanas chinesas azuis e brancas chegaram à Holanda”, conta o curador do Museu do Azulejo Holandês, Johan Kamermans. A partir de então, a policromia saiu de moda e quase todos os azulejos passaram a ser brancos com desenhos em azul.

“Um melhoramento importante no desenvolvimento do azulejo feito pelos holandeses foi que por volta de 1640 começou-se a lavar a argila, que então podia ser bem misturada e depois era peneirada para que todas as impurezas fossem retiradas”, explica Kamermans. “Com uma argila mais limpa, podia-se fazer azulejos muito mais finos, o que permitiu que eles ficassem mais baratos, já que se usava menos argila por azulejo e também podia-se queimar mais azulejos em uma só fornada. Um avanço essencial para a produção em massa.”

2 comentários:

  1. Fábio

    Os azulejos holandeses que mostraste são lindos. São bem evidentes as diferenças que os separam dos azulejos portugueses, embora a nossa "figura avulsa" seja copiada dos holandeses. A azulejaria dos Países Baixos é sempre mais bem desenhada que a portuguesa. Usam um desenho quase caligráfico. Os artistas portugueses tem um pincel mais solto e também mais imaginativo e sobretudo os azulejos portugueses invadem os interiores dos edifícios e transfiguram-nos

    Obrigado por nos fazeres acompoanhar as tuas leituras e pesquisas na net

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    Respostas
    1. Eu que agradeço sua presença aqui, e comentário! Estava mesmo sentindo falta de alguém a comentar estas matérias.
      Eu gosto muito destes azulejos portugueses, mas cá entre nós, prefiro o pincel solto e imaginativo dos artesãos portugueses. Por alguma razão, me dizam muito mais.
      abraços

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