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20 de janeiro de 2018

Em exposição permanente de São Paulo, a história é gravada na cerâmica

Um museu a céu aberto com peças luso-brasileiras que datam de mais de 200 anos integradas a um bem cuidado jardim mostra a cultura dos dois países

fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/turismo/2015/05/20/interna_turismo,483896/historia-gravada-na-ceramica.shtml

Corredores de pedra cortam a vegetação onde estão instaladas as obras de arte harmonicamente distribuídas.
No Jardim dos Continentes, esculturas representam cada um deles
Quem visita a cidade de Embu das Artes, na Grande São Paulo, famosa pelo seu centro histórico e pela feira de artesanato, que atrai, inclusive, muitos estrangeiros, deve colocar no roteiro um passeio um pouco afastado da região central. A cada passo dado, o turista terá a certeza de que a esticada valeu a pena.

O destino é o Instituto Portucale de Cerâmica Luso-Brasileira, um museu a céu aberto onde cerca de 500 peças de cerâmica produzidas entre 1750 e 1950 na região do Porto, em Portugal, e também algumas brasileiras, fabricadas no estado do Rio de Janeiro, estão harmonicamente distribuídas entre bem cuidados jardins. Ali, os visitantes podem caminhar entre largos corredores e escadas para admirar as obras e a natureza, que estão perfeitamente integradas, ouvindo explicações e histórias do anfitrião, o colecionador João Paulo Camargo de Toledo.

Tudo começou na década de 1980, quando Toledo comprou as primeiras peças portuguesas para resgatá-las da destruição e, assim, ornamentar o jardim de sua chácara, adquirida com o objetivo de ser um local de lazer. Assim também tiveram início as atividades do ateliê que ele montou ali mesmo, para restauro dos itens que chegavam em mau estado de conservação, e onde até hoje o trabalho é intenso. “Primeiro é feita uma pesquisa de contextualização histórica sobre a peça e então começa o trabalho de recuperação visando recompô-la e deixá-la o mais próximo possível do original”, relata.

Garimpo

De família de colecionadores de diversos objetos e de afinidade com as artes, Toledo tornou-se um garimpeiro de peças de cerâmica e, conforme ia adquirindo mais exemplares, passou a separá-los por temas. Há bustos, vasos, pinhas, globos, balaustres, vasos e animais, principalmente leões e cães. Dentro de seu ateliê, também foi ganhando corpo uma biblioteca com livros sobre arte e cerâmica, bem distribuídos entre algumas peças especiais como o busto de Luis de Camões. Um paraíso para pesquisadores. Com tanta coisa para mostrar, em 2006 o local se transformou em um instituto.

Tradicional, a azulejaria portuguesa (e de outros países) é um dos trabalhos mais apreciados pelos visitantes.
Conforme o turista caminha conduzido pelo colecionador, vai conhecendo mais da história da cultura material luso-brasileira. Ao apreciar os vasos com características neoclássicas, que ganham ainda mais destaque em cenários em que as bromélias e orquídeas viram belezas coadjuvantes, ouvindo histórias sobre os ceramistas brasileiros e as fábricas portuguesas, é possível andar tranquilamente e esquecer do relógio.

Como os corredores são de pedras, calçado baixo e confortável é essencial para aproveitar bem o passeio. Numa descida, é impossível não reparar em um cantinho chamado de Jardim dos Continentes. No local, que levou dez anos para ficar pronto, estão estátuas que representam todos eles. Uma das paradas em que os registros fotográficos não devem faltar. As quatro estações do ano também podem ser observadas em peças repletas de detalhes.



Outros destaques são: a coleção de deuses da mitologia grega e romana; um vaso com uma pintura de Inês de Castro; dois com os dizeres da bandeira do Brasil, mas nas cores azul e branca, uma parede com diversos azulejos portugueses e peças raras, como a Indigno, composta por duas figuras — normalmente as peças trazem apenas uma figura —, um homem e uma mulher que representam um amor proibido. Toledo revela que tem conhecimento de três peças deste tipo no mundo, sendo uma a dele. “Todas que estão aqui são como filhos que eu tenho”, diz.

Já próximo à casa sede da propriedade, ainda dá para se surpreender com as peças de cerâmica pura, que não levam esmalte de acabamento e que tinham a fabricação em menor quantidade. Eis que chega ao fim a caminhada, mas as histórias que ainda podem ser contadas pelo colecionador certamente rendem a vontade de já agendar uma próxima visita em um futuro breve. Afinal, respirar arte e ar puro é um dos programas que mais enriquecem corpo e mente.


Visite

Instituto Portucale de Cerâmica Luso-Brasileira
pt.institutoportucale.com.br
Estrada Taji Takahashi, 785 (antiga Estrada da Casa Velha), Chácara Marajoara, Embu das Artes (SP)
Visitas somente com agendamento prévio

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