Google Translator - choose your language

O Enigma - Cerâmica Mauá


Ontem mais uma vez foi dia de feira da Praça XV, e desta vez consegui algumas peças interessantes, por preços realmente baixos.

A primeira compra foi uma canequinha para café da Ceramus, muito simpática; apenas R$5!



Comprei também esta sopeira grande, da M.B.L., com uma estanhola interessante (a tinta foi aplicada com pincel em tal quantidade, que até fez relevo), por R$ 15. A coitada parece que foi bastante usada!



Comprei também um prato de bolo e um vaso bojudo da Real, cada um por R$10, mas estes não tem nada de especial que mereça destaque.

Por falar em destaque, a peça mais curiosa que comprei, mais uma vez por apenas R$ 10, foi um pote baixo da Cerâmica Mauá, sem sombra de dúvidas, mas não tem a marca!




Tem apenas a numeração de modelo (186), que bate certinho com a lista de modelos desta fábrica, sendo que a tipografia usada no número do modelo é a mesma do tempo da marca do Sol. Vejam dois exemplos:



De duas uma: ou esqueceram de colocar a marca (acho possível, mas pouco provável, pois já devo ter visto mais de 300 ou 400 peças desta fábrica, e TODAS tem marca, mesmo em jogos todas levam a marca) ou esta peça é anterior à marca do Sol. Isso se antes de criarem a marca do Sol (1926) eles não usassem uma marca padrão, o que tb é estranho...

Acho que jamais saberemos!

Arqueólogos encontram peças do século XVII na sede do TSE no Rio


Durante os trabalhos de escavação e restauração do edifício da antiga sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Rio de Janeiro, arqueólogos encontraram fragmentos de cerâmica e de utensílios domésticos do século XVII.

As peças descobertas dão detalhes da história do Brasil monárquico e complementam as informações já existentes do dia-a-dia da sociedade carioca da época. O acervo será exposto a partir desta quinta-feira, às 20h30m, com a inauguração do Centro Cultural da Justiça Eleitoral (CCJE), que funciona no Centro.

A equipe de arqueólogos descobriu, no subsolo do edifício centenário, louças com brasão da Família Real; cerâmica neo-brasileira (confeccionada por escravos africanos) e fragmentos de cerâmica colônia e faiança portuguesa (cerâmica de barro esmaltado ou vidrado na superfície). Todo o material recolhido, após a higienização, classificação e catalogação, será encaminhado à reserva técnica do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB).

Parte das peças foi separada para a exposição que será aberta no dia da inauguração do Centro.

http://www.cbarqueol.org.br/inside.php?area=vernoticias&id=155

Em clima caseiro, Museu expõe louças e porcelanas



O Museu Histórico Municipal ficará com jeitinho caseiro nos próximos meses. Desde 27 de março está em cartaz no local a exposição Louças da Casa, que reúne porcelanas, faianças, cerâmicas e louças produzidas pelas principais indústrias cerâmicas que funcionaram em São Caetano do Sul até metade do século 20 e constituíram a principal atividade econômica da cidade até o período.


Em meio a 150 peças, como pratos, tigelas, sopeiras, jarros, bules, xícaras, artigos para decoração, e outros objetos, uma instalação que traz uma mesa pronta para um chá da tarde dá o toque de aconchego à mostra. Com destaque para peças da Fábrica de Louças Adelinas e da Louças Cláudia (pertencente às Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo), há produções das indústrias: Cerâmica Toyoda, Porcelana São Paulo (Teixeira), Cerâmica Ita Brasil, Cerâmica Artística Da Costa, Cerâmica Marinotti e outras.


Começando por um conjunto de jarra e bacia em louça, com data de 1926, a mostra avança nas décadas e expõe peças produzidas até os anos 60. Um dos objetos mais interessantes é um jarro para vinho com um compartimento que servia para a colocação de pedras de gelo, que mantinham a bebida fria e não se misturavam a ela. Vale a pena, ainda, prestar atenção à delicadeza e à técnica das peças pintadas à mão.Se quiser entrar mesmo no clima caseiro o visitante pode tomar um café fresquinho, servido em um conjunto de porcelana produzido na cidade na década de 1970.


O supervisor do Museu, Clovis Esteves, explica o nome da exposição: "Escolhemos este nome pois estamos expondo peças feitas em casa, ou seja, produzidas em São Caetano, e que eram utilizadas em casa, no ambiente doméstico".


A exposição Louças da Casa fica em cartaz no Museu Histórico (Rua Maximiliano Lorenzini, 122 - Bairro da Fundação) até 30 de maio, com visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Mais informações pelo telefone 4229-1988. A entrada é gratuita.

Vista Alegre e Raul da Bernarda vivem dias difíceis

fonte: http://www.oesteonline.pt/noticias/noticia.asp?nid=18725
04-04-2008


Os trabalhadores da Vista Alegre – Atlantis, em Alcobaça, terminaram hoje, dia 4 de Abril, duas semanas de greve parcial contra o bloqueio à contratação colectiva por parte da associação patronal do sector vidreiro.

Numa acção de contestação que o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira garante ter envolvido 99 por cento dos trabalhadores da área de produção, na primeira semana os trabalhadores pararam durante uma hora em cada período de trabalho, por turnos, uma paralisação que aumentou para duas horas por período na semana que hoje termina.

No rol de queixas dos trabalhadores está também a ausência de actualizações salariais há quatro anos, pelo que reivindicam um aumento de 60 euros.

À semelhança do sector vidreiro, também a indústria cerâmica de Alcobaça conheceu já melhores dias. Fundada em 1875, e considerada uma das mais importantes empresas do concelho de Alcobaça, a Raul da Bernarda está neste momento a finalizar um plano de reestruturação interna que permita a sua continuidade. Para fazer face ao enfraquecimento do dólar e à dificuldade que a empresa tem tido em encontrar novos mercados, os despedimentos parecem ser inevitáveis, embora não se saiba para já quantos dos actuais 145 trabalhadores serão dispensados.

Em declarações ao semanário Região de Cister, o administrador João Pinto Marques garantiu que apesar dos tempos difíceis vividos actualemente, a empresa “tem planos para o futuro. Sabemos onde queremos ir e apenas aguardamos resposta dos parceiros para mantermos o plano”, acrescentou ainda.

isso sim é coleção bem arrumada...


Meu sonho é um dia poder organizar e exibir minha coleção de louça que nem este museu de xícaras comerciais, da Santa Clara!







http://www.santaclara.com.br/bn_conteudo_secao.asp?opr=71&opr2=93&opr3=119

propagandas

Encerrando a série sobre os documentos que auxiliam os pesquisadores de louça, agora é a vez das propagandas.

Por acaso estou lendo um livro da Sotheby´s sobre história da porcelana no mundo (entenda-se mundo por China, Japão e alguns outros países orientais, Europa Central -- Portugal, que teve, e ainda tem, importantes fábricas, ficou de fora -- e Estados Unidos), mais especificamente sobre as origens das indústrias de porcelana, e em vários pontos deste livro fica muito claro a importância dos anúncios impressos em jornais e revistas, e também na mídia especializada, para os pesquisadores que escreveram este livro. Há fábricas que são descritas sobre as quais não se conhece sequer uma peça "ao vivo", segundo contam, mas que muito da história, e dos modelos fabricados, pode ser recuperada através de anúncios.

E como pode-se ver nas ilustrações abaixo, estes anúncios, desde o século 18, eram fartamente ilustrados com os produtos das fábricas. E isto parece muito natural, até mesmo óbvio, pois se você quer vender seu produto, precisa mostrá-lo!

Já aqui em nosso país, onde a indústria de louça só decolou no século 20, com toda uma tecnologia gráfica já mais desenvolvida, propaganda de louça, ainda mais ilustrada (embora de forma pobre), até meados dos anos 1950, só mesmo de louça importada, de lojas de presentes finos.

Pelo o que eu pude analisar nos catálogos telefônicos do Rio de Janeiro, e algumas conversas que tive com um mestrando de arqueologia da USP, que faz sua tese a partir das escavações no sítio de uma fábrica pioneira de SP, ficou claro para mim que por muito tempo a louça produzida no Brasil não era assunto para se ter orgulho. Ela era vendida em bazares de materiais de construção ou de artigos para limpeza e manutenção do lar. Lojas de classe média para cima vendiam louça importada. Nossa louça só recebe autorização para frequentar as lojas mais sofisticadas na segunda metade do século 20, provavelmente via os grandes magazines, antecessores dos shopping centers, que começam a se tornar comuns.

Isto não é surpresa para mim, pois até mesmo hoje em dia é nossa "mania de colonizado" só dar valor ao que vem de fora. Parece que sempre temos uma certa vergonha da produção nacional, mesmo quando esta é de padrão igual ou até mesmo superior da estrangeira. Para nos sentirmos "alguém de valor" não importam nossos pensamentos e atitudes, mas sim os sinais de status com os quais podemos recobrir nossos corpos e lares.

O infeliz resultado disto tudo é que os anúncios são raros (mesmo depois da déc. 1950 não são muito frequentes), e desta forma se perdeu mais uma oportunidade de documentar e preservar a história desta indústria.

Abaixo, alguns exemplos de anúncios ingleses e brasileiros, em ordem cronológica.



John Tams, Inglaterra, 1886, Pottery Gazette



Brownfield & Sons, Inglaterra, 1886, Pottery Gazette



R Floyd & Sons, Inglaterra, 1924, Cox's Potteries Annual Year Book


Johnson Brothers, Inglaterra, 1955, Prestige and Progress
A Survey of Industrial North Staffordshire



Porcelana Steatita, 1956, Páginas Amarelas - Paraná



Cerâmica Mauá, 1956, Anuário de Mauá


Porcelana Mauá, 1957, jornal Estado de São Paulo


Porcelana Rio Branco, 1965, Páginas Amarelas do Rio de Janeiro


Porcelana Renner, 1969, revista Seleções


Cerâmica Porto Ferreira, 1975, revista Manchete


Porcelana Schmidt, 1989, revista Mauá - Informe Especial