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25 de maio de 2012

telhas "coloniais" - Luiz Salvador

Hoje de manhã fiquei encantado com o magnífico post da blogueira portuguesa Maria Andrade, sobre "Telhões de faiança", em seu blog Arte, livros e velharias.

Maria Andrade sempre publica posts muito interessantes (recomendo seu blog!) não apenas pelas fotos apresentadas, mas também por sempre buscar dar informações sobre o que está sendo apresentado no post, como no caso do post sobre os Telhões, onde ela não apenas apresentou as fotos que um colecionador lhe enviou, como procurou em seu acervo fotos de beirais ainda existentes em Portugal com telhas iguais às do citado colecionador. Além disso, Maria Andrade apresentou ainda informações sobre as fábricas deste tipo de artigo para decoração de exteriores.

O post foi para mim tão empolgante, que me animou a fazer este, com o pretexto de apresentar as telhas coloniais em estilo português ainda hoje fabricadas pela Cerâmica Luiz Salvador, em Itaipava, estado do Rio de Janeiro, mas também para mostrar algumas fotos de telhas do acervo do Museu Chácara do Céu, na Floresta da Tijuca, aqui na cidade do Rio de Janeiro.

telhas e outras peças para decoração de exteriores.
foto publicada originalmente no site da Cerâmica Luiz Salvador
A foto acima eu já havia apresentado neste outro post sobre a Luiz Salvador, onde você poderá encontrar um pouco da história desta fábrica.

Destre as apresentadas no post de Maria Andrade, a telha que mais gostei foi esta, com pássaros:

foto publicada originalmente no blog de Maria Andrade

E qual não foi a minha surpresa ao voltar ao site da Cerâmica Luiz Salvador, para ver se havia fotos novas das telhas lá produzidas, e me deparar com isto aqui!

foto publicada originalmente no site da Cerâmica Luiz Salvador

Visivelmente o desenho usado pela Luiz Salvador está muito empobrecido, os pássaros perderam muitos dos detalhes que a telha antiga mais acima apresenta, mas mesmo assim, foi uma grata surpresa. 

Abaixo, vemos mais algumas telhas da Luiz Salvador, que como a dos pássaros, reproduz desenhos tradicionais das telhas do norte de Portugal:

foto publicada originalmente no site da Cerâmica Luiz Salvador


No magnífico acervo do Museu Castro Maia, a Chácara do Céu, na floresta da Tijuca, há vários telhões portugueses antigos, mas não expostos como relíquias detro de vitrines, mas sim instalados nos telhados. Às vezes são vários de um mesmo padrão, e noutras os telhões estão misturados.

A Chacara do Céu não foi criada como museu, mas era antes a residência do Castro Maia, e por isso todos os telhões e painéis de azulejos (muitos, muitos e MUITOS!) estão instalados da forma como foram pensados quando criados: nos beirais de telhados, e em paredes, mesmo externas, respectivamente. Acho que é muita sorte ter este patromônio aqui em minha cidade, tão perto de casa.

Abaixo apresento alguns dos telhões do acervo da Chácara do Céu:





E eu quase não acreditei quando vi a foto abaixo, enquanto procurava em meus arquivos fotos dos telhões da Chácara do Céu! NOVAMENTE os pássaros do post da Maria Andrade! E desta vez, ainda por cima, pintado a 3 cores!


Não sei se vocês repararam, mas na segunda foto dos telhões da Luiz Salvador há 2 pinturas que também aparecem nos telhões da Chácara do Céu. Novamente, a pintura atual está infelizmente muito empobrecida em relação às telhas antigas.

Encerro o post com mais duas fotos de telhões, e por estes eu tenho um carinho todo especial, pois se encontram na escola onde cursei o ginásio (atual segundo segmento do ensino básico), a Escola Instituto de Educação, na Tijuca, aqui pertinho de casa:



Desde criança sou apaixonado por estas corujinhas pintadas com estanhola. Não faço a menor ideia de sua origem, não sei sequer se foram fabricadas no Brasil (bem possível, uma vez que o prédio atual do Instituto de Educalão é dos anos 1930) ou se foram importadas. De fato, devem ter sido feitas especialmente para a escola, pois em mais lugar algum vi este padrão de corujas, e nem mesmo meus amigos portugueses já viram um desenho como este em Portugal.

ATUALIZAÇÃO EM 27/05/2012

Hoje fui rever um post mais antigo feito também pela Maria Andrade, "Telhas de faiança em beirais de Coimbra", e me chamou a atenção como as telhas que ela fotografou em Coimbra são diferentes daquelas da coleção apresentada no post comentando mais acima, e das reproduções feitas pela fábrica Luiz Salvador, e por esta razão resolvi trazê-las também para este meu post:

foto publicada originalmente no blog de Maria Andrade

foto publicada originalmente no blog de Maria Andrade

Acho muito curiosa a riqueza de detalhes destas telhas, que ficam tão longe dos olhos, lá no alto dos casarões de 2, 3, até meso 4 andares! A primeira foto, das telhas com florões, apresenta um motivo que mais parece adequado às peças utilitárias de mesa e às peças decorativas.


E para ilustrar a pergunta da Maria Andrade sobre a razão d'eu chamar de "coloniais" as telhas da Luiz Salvador, que começaram a ser produzidas na década de 1950, portanto muito depois da independência do Brasil, achei esta imagem do catálogo online de outra fábrica brasileira, aberta por um senhor também de Alcobaça, que fora aluno do Luiz Salvador lá na cidade natal de ambos, e que por um período trabalhou na fábrica de Itaipava:


Vejam como a própria fábrica LusoBrasil usa o termo "colonial" para este tipo de faiança de inspiração portuguesa.

13 comentários:

  1. Querido amigo Fábio,
    Em primeiro lugar fico-lhe muito grata pela forma tão elogiosa como se refere ao meu blogue e o recomenda aos seus leitores, mas independentemente disso, adorei este post!
    Acho mesmo que fazia falta aqui um post sobre as telhas antigas do seu colégio, as adoráveis corujinhas, e sobre as belíssimas telhas antigas da Chácara do Céu do Museu Castro Maia.
    Lá estão as lindas telhas dos pássaros a três cores e todas as outras a azul e branco, na maioria muito parecidas com as da antiga Fábrica de Santo António de Vale da Piedade em Vila Nova de Gaia, mas que, em peças marcadas, geralmente acrescentava Porto à marca.
    Estando aqui expostas, pode ser que algum entendido ou colecionador conheça os motivos e saiba a sua origem.
    Quanto aos materiais da Luis Salvador, é muito bom que eles continuem a fazer cópias destas peças, assim mantendo viva a memória das antigas e o gosto pela sua preservação, onde as houver.
    Parabéns pelo post e mais uma vez obrigada.
    Beijos

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    1. obrigado a você, Maria Andrade, por ter-me inspirado num dia pesado, de prazos e trabalhos a cumprir. Foi ótimo ter fugido um pouco, através das telhas, do que estava enfrentando hoje.
      beijos!

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  2. Amei de paixão. Obrigado!
    Ana Silva

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  3. Só mais um pormenor, amigo Fábio:
    Surpreendeu-me que tivesse chamado a estas telhas "telhas coloniais". É que elas foram produzidas em Portugal sensivelmente entre 1850 e 1900 e essas mais antigas em edifícios brasileiros terão sido importadas nessa época, mas isto passou-se décadas depois da independência do Brasil, já não no período colonial.
    Qual a razão de tal título?
    Está-me a escapar alguma coisa?
    Beijos

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    1. Olá Maria Andrade,
      Aqui, como é um blog no Brasil, preferi usar uma terminologia popular, que se refere a tudo que se pareça luso e antigo como "colonial". Não é uma definição técnica, não leva em conta datas ou eras. Aqui vocÊ vai ver o povo chamando de "colonial" uma louça apenas por ser de cerâmica pesada, por exemplo. Ou qualquer coisa com florões pintados à mão, como as peças fabricadas pela Luiz Salvador, e outras cerâmicas de imigrantes portugueses, ou que seguem esta tipologia.
      Talvez isto tenha se tornado assim lá pela década de 1930, quando após um congresso panamericano por esta década, em que se decidiu reviver a arquitetura e artesania colonial, programa este que se chamou, como esperado, movimento neo-colonial.
      Por exemplo, o meu colégio com as telhas das corujinhas, o hospital Gafrée-Guinle aqui na mesma rua que o meu colégio, são desta época, e de arquitetura "neo-colonial".
      Mas isto tudo é devaneio meu, e nem sei por que diabos vim parar nesta teoria.
      Em resumo: o "colonial" da telha colonial não se prende a um período histórico.
      abraços!

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    2. Fábio, obrigada pelo esclarecimento. Fico então a perceber que o termo se usa aí no Brasil para coisas antigas de origem portuguesa.
      Quanto a estas telhas/telhões dos beirais de Coimbra, diferentes das restantes, isso só prova como os motivos foram variados e a produção significativa.
      O beiral que mostro noutro post da pequena cidade da Mealhada também tem telhas diferentes de todas as outras, assim como também nunca vi outra igual à dos peixes, do colecionador Franm57.
      Quem sabe se nesses núcleos do Brasil existem telhas marcadas que nos vão ajudar a determinar melhor a origem destes materiais...
      Um abraço

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    3. Olá,
      Depois eu vi também o post das telhas de Mealhada, e realmente, é um outro universo!
      O que mais me deixa impressionado é que estas telhas ficam tão lá no alto, quase não dá pra ver nada direito, a não ser que se use binóculos (rs), e mesmo assim, eram feitas com uma riqueza de detalhes impressionante! Vai ver era para o dono da casa e seus visitantes ficarem admirando das janelas do último andar, ou para causar inveja nos vizinhos, quando olhassem de suas janelas mais altas... (rs)
      O problema aqui no Brasil é que as telhas não estão soltas em vitrines de museus, mas sim instaladas nos telhados, e a não ser que haja algum tipo de indicação, plaquinha, etc, jamais saberamos se possuem identificação de fabricante.
      beijos!

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  4. Que interessante!!!

    Só aqui em Lisboa não há telhas dessas!!!! GRRRRRR

    Seja como for, adorei este descobrir de informações comuns que a Maria Andrade o Fábio fizeram, estando uma na Europa e outro nas Américas. Realmente há uma herança cultural comum.

    Abraços e apesar da inveja de em lisboa não termos estas telhas, adorei o post

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    Respostas
    1. Vou comprar uma reprodução da Luiz Salvador, e levar para você da próxima vez que for à Lisboa! ;-)
      abraços!

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  5. É o que tem interesse nestes intercâmbios. Começa-se duma forma e as coisas transformam-se, levam vias paralelas ou independentes, mas o interesse continua lá, assim como a curiosidade que as peças suscitam em todos os que têm prazer nestes assuntos.
    A maior parte das pessoas devem achar que nós somos todos tontinhos ... tanto barulho por umas porcarias colocadas a 20 metros do chão, que pouco ou nada se vêem, e que, ainda por cima, estão em vias de desaparecer, e as que existem, ou estão partidas, ou rachadas e, algumas, poucas, colocadas ainda originalmente nos seus beirais, que, quem passa, ignora majestaticamente, se é que alguma vez reparou!
    Mas é isso mesmo que distingue um pequeno núcleo de pessoas, que constitui um nicho de mercado, que detêem a capacidade de se extasiarem por coisas aparentemente inúteis, mas capazes de acordarem a sensibilidade em cada um de nós, e de darem por bem passado um dia a apanhar torcicolos de tanto olharem para cima!
    Manel

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    Respostas
    1. Olá Manel, tudo bom?
      Essa cadeia que vai se formando entre os assuntos, e também entre os blogueiros e visitantes dos blogs é o que há de mais bacana na blogosfera! E vamos conhecendo mais pessoas que gostam destes "assuntos esquizitos" para a maior parte da população, nos sentimos irmanados uns com os outros, aprendemos mais, trocamos ideias e informações, e nos sentimos parte de alguma coisa.
      Nem vou me estender, pois você já disse tudo, e muito melhor do que eu seria capaz.
      abraços!!

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  6. silvestre de lima neto7/12/14 08:17

    Lindo tema. Lindas peças de cerâmica, mais do que artesanais, são artísticas, por chamar à arte e ao refinamento sentimental. Parabéns por perceber tudo isto e resolver transmitir através deste site sério e ao mesmo tempo prazeroso. Podem achar exagero de minha parte, mas acho que caberia, ainda a hj, a inclusão de peças dessa natureza em algum projeto arquitetônico com características tais que comportasse o detalhe, dando-lhe toque delicado de bom gosto, calor e classe. Pena que a arquitetura atual se pauta por padrões mais retos e em meio à mesmice da moda. Deveriamos cultivar temas eloquentes da poesia humana, que não perdem o seu sucesso já comprovado. Sugiro e solicito a postagem de mais fotos das peças cerâmicas aplicadas nos locais a que se destinam. Abraços. Silvestre de Lima Neto.

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    1. Olá Silvestre,
      Concordo contigo que a poderíamos ter mais poesia e arte na arquitetura atual, em particular as construções residenciais, que mais parecem caixas para morar, e não lares.
      Quanto à sua solicitação, a quase totalidade das postagens neste blog são de peças cerâmicas aplicadas nos locais originais a que se destinam.
      abraços!

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