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30 de junho de 2012

Cerâmica europeia antiga em Manaus

Por conta de uma consultoria que prestei ao Laboratório de Arqueologia da Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas, eu tive a oportunidade de me deslocar para o norte do país, e conhecer um pouco a cidade de Manaus.

Um pouco de história

Para quem não sabe, Manaus, bem como Porto Velho e Belém, tiveram um enorme desenvolvimento econômico a partir das últimas décadas do século XIX, por conta do que ficou conhecido como "ciclo da borracha".

O ciclo da borracha foi um momento econômico na história do Brasil relacionado com a extração e comercialização da borracha (látex) extraído da árvore seringueira. Este ciclo teve o seu centro na região amazônica, proporcionando grande expansão da colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais. No mesmo período foi criado o Território Federal do Acre, atual Estado do Acre, cuja área foi adquirida da Bolívia por meio de uma compra por 2 milhões de libras esterlinas em 1903. O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a II Guerra Mundial (1939-1945).
O que gerou a exportação maciça de borracha do Brasil foi a grande expansão da indústria de automóveis. Com isso, a demanda pela borracha aumentou significativamente, pois este produto era matéria-prima para a fabricação de pneus. Com isso, o Brasil passou a exportar toneladas de borracha, principalmente para as fábricas de automóveis norte-americanas.
Na primeira década do século XX, o Brasil tornou-se o maior produtor e exportador mundial de borracha. Em 1910, por exemplo, chegou a exportar aproximadamente 40 mil toneladas do produto.
Este crescimento econômico da região amazônica foi acompanhado de significativo desenvolvimento urbano. Muitas cidades surgiram e outras se desenvolveram, dentre elas, Manaus. O comércio interno aumentou significativamente e a renda dos habitantes melhorou. Esta euforia contribuiu para a construção de casas, prédios públicos, estradas, teatros e escolas.
Na década de 1910 empresários holandeses e ingleses entraram no lucrativo mercado mundial de borracha. Passaram a produzir, em larga escala e custos baixos, o produto na Ásia (Ceilão, Indonésia e Malásia). A concorrência fez com que, no começo da década de 1920, a exportação da borracha brasileira caísse significativamente. Era o fim do ciclo da borracha no Brasil. Muitas cidades se esvaziaram, entrando em plena decadência.

A cerâmica

O exemplo mais notório em Manaus, quando se fala do ciclo da borracha, é o Teatro Amazonas, ainda hoje uma jóia arquitetônica de tirar o fôlego, por sua riqueza e dimensões. O teatro foi inaugurado em 31/12/1896.


No tocante ao assunto desta postagem, além dos inúmeros exemplares de vasos, escarradeiras, louça do antigo café e jarras com bacias de porcelana e faiança, principalmente francesas e inglesas, o que mais chama a nossa atenção é a imensa cúpula do teatro, toda revestida com 36.000 telhas de terracota com um vidrado de brilho e colorido intenso, vindas da Alsácia, adquiridas na Casa Koch Frères, de Paris.



Nestes vídeos abaixo, um pouco mais sobre o Teatro Amazonas. Reparem no calçamento da bela praça em frente ao Teatro! De onde veio a inspiração para este calçamento, e de certa forma, até mesmo para a disposição da praça e do monumento ao centro desta? Não vou dizer nada, espero os comentários de vocês.




neste link, vocês poderão ver várias belas fotos do interior do teatro, que prefiro não reproduzir aqui (eu mesmo fiz várias fotos, é um lugar inacreditável!!) para não desvirtuar demais do assunto.

Mas não foram apenas o Teatro Amazonas e outros palácios público que receberam tratamento de luxo. Embora não sejam tão comuns, há ainda alguns exemplares de casas comerciais e residências particulares antigas ostentanto revestimento de azulejos portugueses e possivelmente de outros países também, e muros encimados por pinhas de faiança, também portuguesas.


Este singelo conjunto está perdido em um enorme muro, que já não protege mais nenhuma casa, pois o terreno atrás dele está vazio, tomado pelo matagal.






Outro muro, com apenas estes 2 pequenos grupos de azulejos em relevo.




Curioso azulejo em dois tons de azul, bastante simples, mas de grande efeito na fachada do casarão comercial, principalmente por estar combinado com os detalhes arquitetônicos em amarelo.





Estes eu já vi muitos em Lisboa! O engraçado é encontrá-los tanto no casarão de classe alta, como no casebre mais humilde.

Abaixo, o mesmo azulejo, em um edifício de Lisboa:






Estes azulejos horizontais, que parecem tijolos assentados, me lembram um tipo de revestimento que vi muito no Porto (Portugal).





Estes lindas 5 pinhas deste belo casarão, para a minha decepção, não apresentam marca.
Eu cheguei a trepar na grade, na esperança de que acharia uma marca, qual nada!

Num outro dia, eu passei duas vezes por uma outra casa, bem menor que esta, mas também com duas pinhas parecidas sobre as colunas do portão de entrada, só que predominantemente em azul, mas que não pude fotografar, pois estava me deslocando de carro, e ainda por cima chovia muito neste dia.

No laboratório de arqueologia me disseram que foram encontradas 2 pinhas marcadas, da Fábrica de Devezas, nas escavações dos jardins da Catedral. Infelizmente não vi estas peças, pois estão em posse da pesquisadora que conduz a pesquisa.


Azulejo parecido no estilo ao em dois tons de azul, aqui em verde e amarelo, combinação perfeita para uma cidade brasileira!


Na foto abaixo vemos o mesmo padrão, em azul, em um imóvel de Lisboa, Portugal.

foto: Tips Guide Lisboa

Para terminar, uma exótica casa portuguesa, provavelmente já dos anos 1930 ou 1940, com revestimento de pedriscos, porta de entrada ladeada por azulejos com um relevo que mais parece açúcar queimado, ainda mais nesta cor de caramelho, e uma simulação de telhas de beirais em argamassa mesmo, pintadas na parte inferior com um esmalto azul bem bonito, mas já muito desgastado.






2 comentários:

  1. Oi, Fábio, eu morei em Manaus, conheço bem esses prédios com fachadas de azulejos, o que mais gosto é este: http://www.pinterest.com/pin/332984966174439895/ , está bem preservado, é de propriedade de um banco.
    Em 1990, o Teatro Amazonas passou por uma grande restauração. Para substituir as telhas quebradas, foram à Alsácia em busca do fabricante original. Lá, recomendaram que voltassem ao Brasil onde estavam grandes cerâmicas que poderiam atender à encomenda. Eu guardei algumas telhas originais. Parece que, na verdade, substituíram todas.

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    Respostas
    1. Muito bonito mesmo este prédio da foto que vc passou o link. Vou tentar achá-lo inteiro. abraços!

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