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12 de novembro de 2008

ignorância - mãe dos "bons negócios"? - parte 2


Ontem voltei ao Shopping dos Antiquários, aqui no RJ. Agora, com o Guia de Marcas nas mãos, fui lá checar se o Jogo de Jantar Mod. Oxford que comentei no post A ignorância é a mãe dos "bons negócios"? ainda estava à venda. Estava.



Vou descrever o diálogo palavra por palavra, pois fiz questão de anotar tudo "em cima do lance", para não perder detalhes, nem deixar minha memória deturpar alguma passagem:

Entrei na loja, fui até a cristaleira onde estava o jogo.

proprietário: - "Posso lhe ajudar"?

eu - "Sim, por favor; eu estou fazendo um levantameno nos antiquários aqui no Shopping para ver o que há de louça nacional à venda."

PP: (num movimento curioso de corpo, ao mesmo tempo se afastando de mim e girando-se no sentido contrário ao que eu estava) - "Ah, mas aqui não há nada nacional." (tom de voz num misto de nojo e desprezo).

EU: - "Mas aquele jogo ali. Mod. Oxford, é nacional, fabricado pela Cerâmica Matarazzo de SP."

Sua atitude muda, sou olhado com certa indignação e espanto, ele abre a cristaleira, pega um prato e olha a marca gravada.



EU: - "Esta marca aí, Mod. Oxford, foi uma das marcas fantasia que a Cerâmica Matarazzo usou em suas louças."

PP: - "Mas eu não vendo isso como porcelana brasileira!"

Esta frase para mim definiu tudo. O registro e modulação na voz me dizia "aqui aconteceu um ato falho". Isso saiu sem muito pensar, foi uma reação imediata e impulsiva. Me pareceu que embora informado sobre a realidade, ele não conseguiu digerir e aceitar a verdade. Seu olhar parecia de perplexidade. Mas logo recobrou sua pose anterior, após a minha resposta abaixo.

EU - "Mas o fato é que isso é uma louça de fabricação nacional, da Cerâmica Matarazzo de SP."

PP - "Eu nem considero isso uma boa porcelana!"

EU - "Bem, esta louça também não é de porcelana mesmo, é faiança."

Agora, mudando de vez de atitude, ele passa a falar de forma mais agressiva, impositiva, me olhando com desprezo, embora tudo disfarçado por um certo ar de elegância e distância (marca da loja, creio, que é elegantíssima, tudo impecavelmente bem arrumado, todas as peças em excelente estado de conservação, tudo muito chique mesmo), que só realçava o desprezo por mim, e pelo que estava ocorrendo.

PP - "Você QUER SABER O PREÇO?"

Disse que sim, que tinha conhecidos que colecionam louça da Cerâmica Matarazzo.

Em seguida, mostrei para ele no Guia de Marcas a página da Cerâmica Matarazzo, onde consta a marca fantasia Mod. Oxford, e disse, sempre mantendo a calma e educação, independente do que sentia internamente:

EU - "Veja aqui neste livro, essa marca Mod. Oxford, para comprovar que não estou dizendo nenhuma bobagem."

Ele olhou muito de relance, enquanto se afastava de mim, deixando claro que era para eu ir embora.

Mas mesmo assim não fui; saquei a caneta e anotei a transcrição acima do diálogo que acabara de acontecer.

O que achei mais significativo é que apesar de tudo, de ter sido alertado que aquilo não é um jogo inglês da Mappin & Webb, de ter mostrado em uma publicação a marca que está gravada em todas as peças daquele jogo, ele não fez QUALQUER menção de mudar a informação escrita no display de identificação e descrição, ao lado do jogo. Simplesmente fechou a cristaleira, me ofereceu o seu desprezo mais bem cultivado em 49 anos de tradição e estilo (slogan da loja), e tudo permaneceu como antes; pegou o telefone e foi cuidar dos seus negócios.

Era como se nada daquilo tivesse acontecido para ele, entrou em total negação, por qual razão cabe a cada um interpretar.

Mas o que importa é: o jogo continua lá sendo vendido como PORCELANA INGLESA, por um preço altíssimo, e talvez alguém algum dia o compre ACREDITANDO estar pagando aquela pequena fortuna em um jogo de jantar antigo inglês.

E ISSO MESMO DEPOIS DA VERDADE TER SIDO APONTADA!

Aí... a coisa já ganha outro nome, e não mais apenas ignorância no seu sentido mais puro e sem qualquer conotação negativa, no sentido de falta de informação. As informações foram dadas e comprovadas.

Por isso mesmo me sinto na obrigação agora de informar onde isso aconteceu, para que ao menos algumas poucas pessoas não venham a passar pelo horror da frustração de uma compra equivocada:



Snob Antiguidades
Rua Siqueira Campos 143 / 2o. piso, loja 153
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ
tels: 21 2255-9672 e 2549-9335

saiba mais >>
- Marcas da Cerâmica Matarazzo

12 comentários:

  1. Muito oportuna essa sua visita a esse antiquario,afinal este tipo de negociante em São Paulo tem outro nome(enganador,salafrario etc)é claro q temos antiquarios aqui também e dos bons como em todo Brasil mas este, faça me um favor,precisa tomar vergonha na cara.

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  2. São pessoas como este esnobe (faz juz ao nome)que denigrem a imagem dos outros.
    Enganadores é o que mais tem no nosso mercado. Uma pena!
    Os honestos que existem ,sao prejudicados por estes maus carater.Interesseiros.
    Revoltante este tipo de pessoa.
    Precisamos de mais Fabios por ai para apontar estas situaçoes e fazerem vir à publico. Parabéns! e obrigado.Um abs.

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  3. Lamentavelmente esxistem pessoas ignorantes e que não estão nem ai para a verdade!
    Provavelmente tenha outras peças, ou seja, vende gato como coelho!!!
    Ronaldo Santos
    Tralhas e relíquias do fundo do baú
    Av. Ayrton Senna, 4150 Jacarepaguá - RJ

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  4. Eu não acho que chegue a ser uma coisa premeditada, mas o que me deixa triste (para ser "brando") é ver que mesmo depois de avisado do engano, o vendedor decide simplesmente fingir que nada aconteceu, e deixar tudo como está.

    Isto só me faz pensar que da mesma forma que este jogo era vendido como inglês, baseado no "achismo" ou em informações não verificadas (OBRIGAÇÃO de um antiquário!!!) muitas outras coisas lá podem estar sendo anunciadas e vendidas como "isso ou aquilo", sem se ter apurado a veracidade.

    É lamentável!

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  5. Olá, Fábio

    Esse mal caratismo disfarçado de esnobismo
    já percebi na feirinha do MASP, e também na de Pinheiros (tudo em SP). Mas sabe que eu acho que tem muito comprador querendo ser enganado, e disposto a prosseguir com esse esnobismo exibindo para os amigos a louça "inglêsa", obviamente citando a "fortuna" que pagou !!!!

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  6. Como você já disse, desconhecer o fato da louça ser brasileira denota ignorância para uma loja "snob"...
    Mas, depois de saber que a louça não é inglesa continuar com o erro é mau carater...
    Felizmente não são todos iguais a este ignorante. Como eu lhe contei, aqui em Campinas um antiquário me mostrou uma destas louças Matarazzo e me disse que era brasileira (eu disse que procurava louça brasileira) apesar de trazer Mod. Oxford.
    Obrigado pelo alerta!!
    Um abraço,
    Washington Marcondes Ferreira
    Campinas SP

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  7. SNOB ANTIQUIDADES após o falecimento de Paulo Afonso de Carvalho sofreu uma transformação inexplicável...Seu *chevalier servant* herdou a loja mas não possui a sensibilidade e o cobhecimento do Paulo A. de C....Entulhou a SNOB com peças duvidosas e infelismente só se preocupa com a self-promotion com o irmão gêmeo a tiracolo.Cultura,lastro de expert faltam na atual SNOB...

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  8. Ah gente muito ignorante e mal educada!!

    Já me aconteceu não me deixarem entrar num antiquário por causa do meu cabelo, você acredita?

    Eu só disse á senhora o seguinte:

    "Eu vou embora, acredite que não perdeu um cliente por causa do cabelo, perdeu muitos por causa da sua falta de educação. E acrescentei, por acaso estava para comprar 2 peças que estavam na mostra mas assim fique com elas em exposição. Rendem muito mais assim"

    "Ela me responde, aqui entra quem eu quero, e pessoas com baixo nivel não."

    Aí eu exaltei-me e disse:

    " Está num óptimo caminho para fechar esta espelunca! O baixo nivel aqui abunda! Preconceituosa, boas vendas."

    Nunca mais lá fui, e sempre que me perguntam por antiquários nunca indico aquele, e sempre que indico, conto o sucedido


    Flávio

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  9. Que degradante!
    Infelizmente existe gente grossa e desagradável por toda a parte!
    Mas o que há de tão errado com teu cabelo?!!? Agora fiquei curioso!! Será um moicano, ou um look emo? hahahaahah!!!
    abraços

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  10. O Antiquário SNOB era referencia de bons objetos no tempo em que Paulo Affonso de Carvalho era dono e responsável por tudo que existia lá dentro.Os herdeiros aém de ñ citarem Paulo Affonso se acham os *reis da cocada preta*,mas (coitados) lastro de conhecimentos s/antiquidades não se herda...Desculpe Fábio os arrogantes pseudo-antiquarios...Enganam a eles mesmos.

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  11. Anônimo6/6/13 15:33

    vAMOS DEIXAR O ASSUNTO SNOB DE LADO E FÁBIO SABE O QUE DESCOBRI? QUANDO EXISTIA A *ZONA FRANCA DE MANAUS* UM ESPERTALHÃO MONTOU UMA MANUFATURA DE LOUÇAS( PORCELANAS E AFINS...) EM PLENA MANAUS.....MAS NADA DE FABRICAÇÃO DE NADA!O ESPERTALHÃO SÓ TINHA UMA IMPORTADORA E UMA MÁQUINA DE IMPRIMIR NA LOUÇA SUA LOGOMARCA COM O ITEM*PRODUZIDO NA ZONA FRANCA DE MANAUS*.....NAS FEIRAS DO RIO DE JANEIRO E ANTIQUARIOS EXISTEM LOUÇAS INGLESAS COM 2 MARCAS IMPRESSAS:A DA ORIGEM ESCRITO ENGLAND ETC...ETC... E UM CARIMBO REDONDO DO ESPERTALHÃO *MADEIN BRAZIL*/ZONA FRANCA DE MANAUS...PSQUIZE E CONSTATE.

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    Respostas
    1. Conheço esta história, Sr. Anônimo, mas no caso narrado acima, a louça era INTEIRAMENTE fabricada no Brasil, com quase 100% de matérias primas brasileiras, sendo importado apenas o transfer da decoração.

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