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cerâmica brasileira pioneira em St. Louis, 1904

colaboração de John Richter, Curitiba

livro: Brazil, and F. M. de Souza Aguiar. 1904. Brazil at the Louisiana Purchase Exposition, St. Louis, 1904. St. Louis: S.F. Myerson Printing Co. 184p.

Pág. 58: GLASS, CERAMICS, PAPER, ETC. -

"(...) The ceramic industry had almost fallen into desuetude, when in 1895 an increase in the duties from 1-2 cent to 2 1-2 cents per lb. on imported products permitted it to progress rapidly, and 5 factories of São Paulo, one in Rio Grande do Sul and one in Minas Geraes (Caeté), all producing first-class material. Argill and kaolin deposits of excellent quality are abundant in all the states, so that this industry has in it the possibilities for continued prosperity. (...)"


cerâmicas brasileiras em exposição no Pavilhão das Indústrias

Pág.107: GROUP 45. CERAMICS -

Cooperativa V. Colombo, Soc., Paraná.
Earthen-ware flower vases
Toilet articles
Dishes and cups
Filters and water-coolers
Photographs and samples of raw material
This is the most important factory of this kind in the State. - SILVER MEDAL

porcelana de ossos brasileira


adaptado de matéria de Aline Moraes
jornal USP Notícias
http://www.usp.br/agen/repgs/2007/pags/004.htm

Uma porcelana mais branca, mais leve e ao mesmo tempo resistente, e maior valor do que a porcelana comum: esta é a porcelana de ossos (bone china), material originariamente desenvolvido na Inglaterra, por Josiah Spode, que o físico Ricardo Yoshimitsu Miyahara recriou com matérias-primas totalmente brasileiras, em estudo inédito realizado no Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da USP.



porcelana de ossos (1), porcelana comum (2) e cerâmica branca (3)

Utilizando cinzas de ossos bovinos, caulim (tipo de argila) e feldspato (rocha dotada de propriedade fundente), Miyahara conseguiu, em seu doutorado, produzir uma porcelana com propriedades superiores às do material inglês, que emprega a "cornish stone", uma matéria-prima específica daquele país.

A chave para uma porcelana de ossos de qualidade está no controle das condições de produção. A formulação resultou numa porcelana de ossos quase duas vezes mais resistente que a porcelana comum e tão branca quanto a porcelana de ossos inglesa.


exemplo de "bone china" fabricado pela Spode,
inventores da porcelana de ossos

Além da Inglaterra, que produz bone china desde o final do século dezoito, apenas Estados Unidos e China fabricam essa cerâmica, cujo custo de importação é muito alto. "Como o Brasil é um dos maiores criadores de gado bovino do mundo e tem grande tradição na fabricação de produtos cerâmicos, temos, então, condições de fabricar essa porcelana em grande quantidade, podendo até tornar-nos um grande exportador desse material que possui um elevado valor agregado", avalia Miyahara.

>> leia o artigo completo:
www.usp.br/agen/repgs/2007/pags/004.htm
>> Josiah Spode: www.spode.co.uk/History/josiah.html
>> mais sobre "bone china" (em inglês):
www.thepotteries.org/types/bonechina.htm

e no blog vizinho...


A exposição de louça nacional que fiz domingo passado na Feira da Gávea recebeu uma avaliação tão simpática e carinhosa do "vizinho" de blog Quiosque Arruda & Montandon que tomo a liberdade de copiá-la (parcialmente) para cá. Todas as (ótimas!) fotos deste post são também de autoria de Luiz Henrique Arruda, autor do blog. Luiz Arruda é um tipo raro em nossos dias, um cara tranquilo, amigo de todos, generoso, de um bom humor impar.

E não deixem de conhecer por nada neste mundo o blog
Quiosque Arruda & Montandon, imperdível para quem frequenta a Feira da Gávea, e para quem é amante de antiguidades e colecionismo.

Prestem atenção às reproduções dos cartazes que ele usa em seu espaço da Feira da Gávea: garantia de boas gargalhadas (e não dizem que rir é terapêutico?).



Dia 09.12.2007, a Feira dos Antiquários da Gávea teve o prazer de receber Fábio Carvalho, pesquisador de tudo o que se refere a Louças Brasileiras (Porcelanas e Cerâmicas), além de um colecionador da maior importância, sendo seguramente a primeira referência para quem deseja informar-se sobre o assunto, tão carente de literatura e preocupação pelos órgãos oficialmente incumbidos de preservar a memória nacional.

Para o evento Fábio levou peças de fábricas cujas atividades já se encerraram, a maioria nas décadas de 60 e 70 do século passado, exibindo verdadeiras raridades.
(...)







exposição na Feira da Gávea - fotos







exposição na Feira da Gávea - agradecimentos


Hoje foi o dia da minha exposição na Feira da Gávea. Num futuro post pretendo comentar minhas experiências e observações sobre esta participação, mas agora quero mostrar o belo presente que ganhei do Luiz Henrique Arruda, do "Quiosque Arruda & Montandon": um divertido desenho do Sr. David. Obrigado Luiz!




Não poderia encerrar este post sem também agradecer ao convite do presidente da Associação Brasileira de Antiquários, Sr. Eduardo Bicudo de Castro; e a Luiz Carlos Lourenço e Marcos Aurélio, por seu empenho na viabilizaçõa da exposição.

Quero agradecer também aos amigos expositores que me fizeram companhia, e com os quais foi um prazer passar o dia trocando idéias, e naturalmente, aos amigos que me visitaram e prestigiaram a exposição.

A ignorância é a mãe dos "bons negócios" ?

Ontem fui no Shopping dos Antiquários com amigos de SP que estão passando uns dias aqui no RJ. Para quem não conhece, é a maior concentração de antiquários em um mesmo lugar no país, e um passeio imperdível. Em duas lojas encontramos jogos de jantar completos Matarazzo, com 2 das marcas fantasia usadas por esta fábrica: Mod Cambridge e Mod Oxford. Em ambas as lojas os jogos eram vendidos como "porcelana inglesa".



Que os lojistas não saibam ainda que a Matarazzo teve (ao menos) 5 marcas fantasia (Dresden, London, Mod. Cambridge, Mod. Oxford e Mod. Norfolk), é perdoável, pois isso foi uma descoberta que fiz muito recentemente, e tenho consciência do limite da influência da minha pesquisa neste mercado. Mas há coisas que são IMPERDOÁVEIS! - Antiquaristas que não saibam o mais básico: distinguir FAIANÇA de PORCELANA. - PORCELANA INGLESA? houve muito pouca produção de porcelana LEGÍTIMA na Inglaterra, por diversas razões, que não cabe aqui explicar. E por isso mesmo os ingleses foram grandes inventores de "formas alternativas" de faiança, na busca de algo que pudesse ser mais resistente e durável que a faiança tradicional.

- Não consigo aceitar que pessoas que fazem questão de levantar o nariz e dizer que "o meu antiquário é um dos de mais alto gabarito e confiabilidade no país; temos 44 anos de tradição no mercado" não saibam algo que aprendi talvez no "dia 1" de minhas pesquisas sobre louça inglesa: LOUÇA INGLESA DESDE FINAIS DO SÉC. XIX JAMAIS SAÍA DA FÁBRICA SEM AS INDICAÇÕES DE "ENGLAND" (antes de 1930) OU "MADE IN ENGLAND" (depois de 1930). Isso era uma LEI DA CORÔA! Qualquer livro ou site básico sobre o assunto tem esta informação.

Os ingleses "inventaram" a revolução industrial (em grande parte, graças à submissão do Brasil à sua indústria, via corte portuguesa, mas isso é para outra ocasião), e tinham muito orgulho de mostrar ao mundo a capacidade de suas fábricas. Imagina se iam exportar louça sem marcar que era um legítimo produto inglês!

As marcas fantasia da Matarazzo possuem apenas o nome da marca, sem qualquer indicação de nacionalidade.

O que eu percebo de uma forma geral é que os negociantes preferem fazer o papel de ignorantes, pois se eles "não sabem" estes detalhes, podem depois dar aquelas velhas e surradas desculpas: "ah, eu não sabia disso", "quando eu comprei me disseram isso", "eu fui informado que era assim", entre outras. Mas isto, além de um ABSURDO, é falta de ética profissional. Antiquaristas tem a obrigação de serem bem informados sobre aquilo que negociam! Numa das lojas, o jogo de jantar era vendido como "porcelana inglesa Oxford, da Mappin & Webb". Queria ver a nota fiscal original de compra deste jogo, para ver se foi mesmo comprado na Mappin & Webb. E mesmo que tenha sido (não sei em que tipo de loja a Matarazzo vendia suas louças), duas coisas aquele jogo não é: não é porcelana, muito menos é inglês! Será que se alguém comprar este jogo, eles emitem um atestado de autenticidade? Baseado em quê? 

saiba mais >>  Marcas da Cerâmica Matarazzo